quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O teu silêncio na madrugada vem como uma faca no meu pescoço e me dói, me fere, me faz perder o sono e o rumo, o eixo.
O teu silêncio no dia a dia me estrangula com as palavras que se engasgam na garganta e se misturam com o gosto de café, cerveja e o seu gosto, que ainda mora em mim.

Te fiz imortal nas minhas palavras e desejos. Te fiz voz nos meus sorrisos e nas súplicas. Te faço cor nos dias doídos. Te faço sonho todos os dias.Te retrato em meu olhar e te sorrio em minha vida. Te carrego comigo onde vou, te desejo boa  noite em silêncio, quase como uma oração, imaginando que chegará em seus ouvidos. Te trago pra perto de mim nos sonhos, te faço parte do meu dia. Te sigo com o olhar, te desejo com o arrepio da minha pele. Te sinto perto, te sei longe. Te faço amor todos os dias. Te transformo na canção mais bonita. Te sei começo, meio. E te sei fim.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Sabe, acredito naquilo que diz que somos feitos de poeira das estrelas, a humanidade. Talvez por acreditar demais nisso, eu conseguia acreditar que nossa conexão e o modo como as coisas fluíam tão intensamente entre nós, só podia ser um sinal de que éramos da mesma constelação. A tua constelação não poderia ser diferente da minha, olha só onde chegamos, onde nossos passos nos levaram. Não era crível no meu coração tão cheio dos teus glitters estelares que não fôssemos de um mesmo lugar. E é, também, por isso que eu ainda não consigo acreditar que não somos mais. Fomos tanto. É difícil olhar pro céu e ver a lua, as estrelas e a nossa constelação e conseguir duvidar agora de tudo que era tão certo. Talvez, erroneamente, eu não pude perceber quantas galáxias existem e que você, o pó de estrela mais brilhante que já cruzei na vida, pudesse ter vindo de um outro lugar.
Nisso de acreditar que somos poeiras brilhantes que me perdi. Eu ainda te vejo toda brilhante se juntando com todo o meu brilho e fazendo luz em uma galáxia tão vazia e escura que, mesmo pó, conseguimos preencher inteira. Teu farelo estelar ainda causa reflexos nos meus olhos quando você, à noite, se aproxima da luz da lua. Tua energia é lunar, mulher. Nessa afirmação que encontro motivos pra minhas insônias cada vez mais fortes: se tua energia vem da lua, porque fechar os olhos quando sei que é a sua hora de brilhar? Então eu não os fecho. Eu passo noites ainda pensando que seu pó estelar de glitter brilhante ainda vai encontrar o caminho de volta.


Passo madrugadas em claro procurando alguma música que não me lembre de você. Impossível, todas lembram. Todas. Algumas me fazem lembrar do quando você as odiava e eu colocava ela pra tocar e cantar em voz alta. Outras lembram todos os momentos de amor que tivemos. E tem aquela, que nem é música de amor, mas que estraguei quando a dediquei pra você em todos os dias desse nosso amor que pouco durou.
As lágrimas escorrendo incessantes pelo meu rosto a qualquer sinal de qualquer lembrança tua.
Teu gosto, teu corpo, teu cheiro, teu beijo, tudo que reaparece como num toque de mágica a qualquer acorde de qualquer música. Quem diria, consegui estragar todas as músicas do mundo ao dedicá-las a você. Consegui estragar meu gosto musical inteiro. Mas não consigo estragar você.
Quando deixa de ser nome e vira parte integrante de um monte de sentimentos, quando faz parte de dentro, quando esta intrinsecamente na garganta, no peito, no coração. 
Quando deixou de ser nome pronunciado e virou coisa grande demais que não se pronuncia.