terça-feira, 22 de setembro de 2015


Só pra você saber
Eu esqueci você
E se o meu olhar cruzar com o seu
é só porque você tá no caminho”
(Clarice Falcão)

Eu esqueci você, mas quando cruzei seus passos, desejei que você tropeçasse e caísse... Talvez no meu colo, talvez na minha vida de novo, talvez no fundo de um poço enorme e nunca mais de lá saísse.
Eu esqueci você e quando te vi ontem e vi que você também me viu, eu quis que você viesse falar qualquer coisa pra mim. Um “oi”, um “como você tá?” um “vocêfazfaltavoltalogopraminhavida”.
Eu esqueci você e te desbloqueei no face só pra ver se você fez check in de onde estava indo quando nos esbarramos, quando nossos olhos se cruzaram, quando eu estremeci e quase enfartei.
Eu esqueci você, porém fui beber depois de te ver ali, mesmo que de longe, eu precisei me embriagar pra tirar da cabeça o seu rosto que já era imagem embaçada, desgastada na memória, diferentemente do cheiro. Ah, o seu cheiro ainda não se desgastou! Mas eu esqueci você. E esqueci todo o caos que você me causou. E esqueci todas as mentiras que você me contou. E esqueci suas mãos percorrendo meu corpo e sua língua me... Não. Isso, juntamente com o cheiro, eu nunca vou esquecer.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Todos os dias eu tento me enganar e fingir que você nunca esteve aqui. Mas a dor que me cega e quase me enlouquece me lembra que você esteve. E me lembra o quanto me senti bem por você estar. E era só isso que eu precisava naquele (e neste?) momento: você ali.
Você ali me mostrava que eu podia ser e que eu podia, sim, me apaixonar. Você ali e aquela música que tocava e os seus olhos que brilhavam e (por favor,não me diga que não existiu) sua paixão por mim me fizeram ser mais. Ser eu. Ser além. Ser quem de melhor eu pude ser.
Você, página do livro que eu insisto em querer apagar, foi motivo de diversos sorrisos em horas inusitadas.
Você que foi embora e nunca me deixou te entender, faz parte da minha história que sufoco nas noites de insônia.
Você que eu ouso pensar que talvez reencontre em alguma mesa de bar, ainda me faz lacrimejar onde quer que eu vá.
Você que poderia ter se transmutado em amor, ainda faz parte da mais pesada dor.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Tem uma música que é meio que hino pra uma galera e tal, que fala "vamos nos permitir". Daí você se permite. Você sai de casa, faz uma make, entrega um pouco (ou muito) de si. Se doa mesmo, se deixa um pouco no outro. 
No dia seguinte, naquela mensagem de bom dia, lá se foi mais um pouco de si pro outro. Você se abre, se mostra, se expõe no dia a dia. Mergulha no desconhecido do outro que também doa um pouco pra você. Você se arruma mais uma vez e vai ao próximo encontro. E então vão surgindo vários encontros, aquela coisa gostosa da conquista vai acontecendo, você já mostrou qual sua preferência de lugar na mesa, no cinema, na cama, na vida.
A coisa vai fluindo, vai virando algo maior e você, só então, nota que ali do outro lado, a entrega é mínima. E é aí que a você percebe que a entrega foi unilateral, que do outro lado pouco se permitiu. É aí que você entende que você faz parte da exceção, porque a regra é essa: doar um pouco e ir embora. E você sabe que você é das poucas pessoas, aquelas que são exceções mesmo, que doa e quer ficar e quer ver acontecer e quer viver toda essa entrega até 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Eu te amei com a força e intensidade de um amor que fura o peito, naquelas de amor ser flecha, ser raio, ser qualquer coisa que atinge bem em cheio e que machuca. Te amei naqueles poucos minutos, segundos, espaços de tempo em que estivemos juntas. Te amei naquela noite intensa na qual seu corpo e o meu se tocaram e se souberam fazer um só. Eu te amei nos beijos improváveis em saídas de metrôs, em portas de bares, em lugares escolhidos para serem "nossos". Te amei ao olhar esses mesmos lugares e não te ver mais lá. Eu te amei em quinze dias longe, torcendo pros dias voarem pra eu estar ao seu lado. Eu te amei naquele beijo no aeroporto. Eu te amei nos seus sumiços. Eu te amei em todos os sinais de que você não era a pessoa certa. Eu te amei até o dia em que você foi embora sem mais explicações. Até o dia em que você me disse que tinha escolhido um outro rumo pra sua vida. Até o dia em que notei que você nunca esteve por completo comigo. Eu te amei e talvez nem fosse amor mesmo tudo isso que senti. Talvez não fosse nada disso. Talvez tivesse sido melhor te odiar em todos esses momentos.
Eu nunca deveria ter saído de casa naquele 14 de maio.