quinta-feira, 25 de junho de 2015

Eu acho que a gente já se cruzou em algum lugar. Algum bar, alguma balada, alguma padaria comendo coxinha. Eu acho que eu já devia ter te olhado em algum lugar, porque são tantas as cosias e lugares em comum que não sei... Não sei.
Ou talvez, andando na rua, impaciente e preocupada com alguma coisa boba, eu talvez nunca tenha te notado. Talvez você, ouvindo suas músicas nos fones, pensando em o que fazer para comer também nunca tenha me percebido.
O que sei é da disposição daquele dia em que baixei um aplicativo. Sim, um aplicativo para conhecer pessoas, um aplicativo para conhecer mulheres dispostas a me conhecer. E só. Sem grandes pretensões, queria alguém pra falar de assuntos em comum e beijar na boca. Eu queria muito beijar na boca de pessoas que talvez eu visse uma vez só na vida. Algumas foi isso mesmo que aconteceu, outras viraram amiguinhas e outras eu acabei nem vendo. Eu estava disposta a encontrar alguém pra uma cerveja, uma risada, uma noite divertida e só. Nada além, nada mais, nada, nada, nada...
E foi então que veio o seu match e por um tempo, eu ainda te chamei de “a menina que eu achei que não daria match comigo”. Não sei porque. Parecia que você era tão mais que as outras que eu realmente achei que você não combinaria e seria só mais uma que me passou.
E eu penso, agora... Se eu teria te olhado na rua e teria pensado o mesmo “ah, essa menina nunca vai olhar pra mim!”. Ou seu eu te olhasse na balada você fecharia os olhos e dançaria virada pro outro lado. Ou se eu tivesse te chamado em algum lugar que não um aplicativo, se eu tivesse te encontrado e sentado do seu lado e puxado conversa... Se essa conversa renderia o que temos hoje.

Eu penso em tudo isso. Eu penso em todos os lugares que poderíamos ter nos encontrado e não nos encontramos, eu penso nas coincidências das nossas vidas e nos lugares que já nos cruzamos, eu penso em tudo isso e não importa: o que importa é que você disse “sim” pra mim no Tinder. E, sim, foi a partir daquele “sim” que tudo se fez o que é hoje. E, não, eu não vou contar pra ninguém que te conheci em uma biblioteca, na fila do cinema ou em algum bar, pra parecer mais cult: eu te conheci no Tinder. E é real. Não tem nada de virtual, nada de tão diferente de conhecer alguém dentro do ônibus ou na balada. E só nós sabemos o quão real tem sido.

terça-feira, 23 de junho de 2015

"Olha! Tem sol!"
Ela exclamou assim que abriu a janela.
Ela se olhou no espelho e viu sol em seu olhar... Há quanto tempo isso não acontecia? Quantos foram os dias de nuvens e de tons de cinza?
Ela já nem sabe mais a quantidade de dias de coisas pequenas e nem quer saber, lembrar. Ela olha pra janela e vê sol. Em todos os cantos, em todos os cômodos, em todos os poros: há sol!
Tem sol e tem sorriso. Tem calor e tem frescor. Tem cheiro de primavera no inverno.
"E que assim seja, que assim siga, que assim perdure..." Ela pensou.
E saiu pelas ruas colorindo e fazendo calor por onde passava.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Você notou que eu fui embora?
Acho que não.
Mas eu fui. Sem me despedir e sem olhar pra trás. Sem querer um abraço de adeus. Se eu ficasse mais, eu te daria chances. Chances de acabar comigo de novo, chances de esmagar meu coração mais uma vez, chances de me fazer insegura como nesses meses todos.
Eu fui embora. Não porque não te queria, mas porque não me queria mais naquele estado. Eu fui embora e consegui me abrir. E me dá uma vontade enorme de gritar isso pro mundo, porque eu achava que depois de você, eu nunca mais sentiria nada de bonito por ninguém. Mas depois que eu fui embora sem te olhar e dizer adeus, eu me abri. E eu senti. Eu senti o que nunca havia sentido com você e você sabe disso. E eu aprendi que há uma palavra nesse mundo, que é a mais bonita que já pude vivenciar: "reciprocidade"! Eu vivo isso agora. Eu vivo isso! Eu saí do luto que me mantinha presa em você pra viver a reciprocidade. E, olha... Que delícia viver isso! Você deveria experimentar.
 Então... Acredito que esse seja meu modo de te dizer adeus. Ou de te dizer "eu não acredito mais em nós". Esse é meu abraço de tchau. E não, não é um até logo, até breve. É adeus. Assim, dou adeus ao meu jeito de te enxergar como enxergava há tempos atrás. E dou boas vindas ao novo modo de te olhar: leve, sem dor.
 Adeus.