quarta-feira, 29 de abril de 2015

Eu poderia ter sido o seu amor. Eu poderia ter sido o seu amor, desde aquele momento em que você sorriu e me ofereceu um gole do seu drink. Porque eu sei que a partir dali, você foi o meu amor. E a partir dali eu quis ser o seu amor. Eu não insisti para que eu fosse, eu apenas quis ser. Quis te fazer sorriso, te fazer cor, te fazer amor. A partir daquele esbarrão eu quis. Mesmo sem que eu insistisse pra isso, mesmo eu querendo negar pra mim mesma, você foi o meu amor. Naquele gole daquele drink que eu neguei, estava embutido todo o amor que você seria e que eu jamais saberia como ou porque. Eu não fiz de tudo pra que você fosse e eu percebi que você gosta da conquista. Eu não sou assim, ou é de primeira ou não é. E foi assim com você. Sem jogo, sem peças de tabuleiro pra lá e pra cá, apenas foi amor de primeira. Éramos pra ter sido, mas o destino se equivocou. Te colocou na minha frente na hora errada pra você, mas na hora certa pra mim. Essas contradições do amor/destino/astros é que me fazem ainda querer ser. Tem toda aquela etapa boba que vem antes do “se jogar” que eu pulo. Não gosto mesmo e pulo. Aquela coisa do “se conhecer, se interessar, deixar acontecer” que eu sempre pulo. Eu pulo porque se jogar pra mim faz muito sentido e todo mundo notou o quanto eu me joguei no seu sorriso e no seu jeito de rir e na sua voz e no seu andar e na sua caminhada. Eu me joguei na sua frente e você não estava pronta pra mim, pro que poderia vir a ser amor na sua vida, pros sussurros de manhã ao pé do seu ouvido falando alguma bobagem que vi em algum desses programas bobos que eu adorava assistir comentando com você todos os deslizes dos apresentadores. Você não estava pronta pra encontrar em mim o amor da sua vida, aquele amor de sábado almoçando num restaurante pé de chinelo e fazendo piada do nosso jeito de pedir a conta ou do garçom que já sabe o que você gosta de comer, aquele amor que ultrapassa o limite de amor romântico de trocas de beijos e declarações e se torna o amor do dia a dia de pequenas mensagens bobas na caixa postal ou no e-mail corporativo. Eu estava ali, de prontidão pra ser esse amor pra você. Maldita hora em que eu neguei um gole do seu drink e preferi o seu beijo. Bendita hora em que o seu beijo encaixou completamente no meu e me fez te sentir amor.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Você mente pra si mesma que superou. Você finge que tá tudo bem, dá risada e bebe com os amigos. Quando te perguntam dela, você faz cara de "ela quem?" fingindo que tá tudo bem. Você ri de si mesma e de todas as coisas que você inventou pra não surtar. Você não fuça mais, não procura mais, não observa mais de longe. Você se vê do jeito que você não é e você se faz de fortaleza. E então, um único fato, um desencontro, um olhar de uma pessoa do lado e você relembra daquele primeiro beijo, daquelas palavras bonitas e de tudo que ela ainda faz parte. E você se olha no espelho com olhos marejados e sorriso amarelo e tem a plena certeza de que pra superar tudo que ela te causou de bom ainda leva tempo, que pra deixar de sonhar com o sorriso dela e deixar de vê-la nos lugares onde ela não está, vai precisar de muitas doses de lágrima com tequila. E você simplesmente para de tentar se enganar e tem a plena certeza de que o exercício pra superar é diário, que pra alguém conseguir entrar no espaço que é dela tem de ser alguém muito disposta. Porque na verdade, dentro de tudo que você acredita, dentro de todas as suas maiores certezas está a de que ela não é superável.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

A gente se acostuma a não servir né?
A ser a legal, a inteligente, a que tem as melhores referências, a que trata como rainha. Mas a gente simplesmente não serve. E se acostuma com isso de ser legal, mas.
Sempre tem o "mas" que assombra. Que vem como um monstro.
A gente se acostuma a não estar presente nem na despedida. A observar aquele tchau vindo de longe. E a gente se acostuma a seguir em frente mesmo despedaçada. A gente põe um sorrisão no rosto e segue. Como se a vida fosse colorida, a gente vai. A gente anda. A gente sonha. E o que vem pela frente é consequência de. De. Sempre tem o "mas" e o "de". E o "apesar". E a gente acaba seguindo. Mesmo na dor. A gente segue. Querendo ou não. Estagnar não é opção.
A gente se afoga nesse lugar cheio de palavras não ditas achando que ali é nosso lugar mesmo. E a gente segue, afogadas ou não, nesse mar de coisas e pessoas e vida.
Esse mar de "mas" de "apesar", de qualquer coisa que nos dê um flash de luz. E a gente segue. Até quando aguenta. Ou até não ter mais opção.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Para ler ouvindo Lenine

Eu olho todas as fotos que não tiramos e sinto todos os beijos que não trocamos. Relembro os passeios que não fizemos e retomo os abraços que não nos demos. Eu vejo os sorrisos não partilhados e sussurro os segredos jamais trocados. Rememoro a transa que não fizemos e aquela discussão que jamais tivemos. Eu penso nos seus gestos que desconheço e visto a sua única roupa que conheço. Eu sinto a saudade do que não foi, procuro vestígios no que ainda dói. Porque no dia em que você foi embora só sobrou o que não existiu e o que foi, o que ficou dentro de mim, ninguém nunca viu.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

VISH

"E quantas pessoas já acreditaram que ocuparam essa cadeira que já está ocupada? Quantas?
Sem saber que já havia alguém ali, elas sentaram na pontinha da cadeira tentando ocupá-la por inteiro. Mas elas não sabiam que já estava ocupada e que você não queria colocar ninguém lá, naquele lugar. Elas sentaram temporariamente até você expulsá-las porque não eram elas quem você esperava ocupar aquele lugar.
Algumas, você sabe, tentaram sentar novamente na cadeira e você não deixou e nem explicou o porque. Apenas deixou uma cadeira reservada e uma cerveja já quente pra alguém que talvez não volte. Pra alguém que pode nunca mais desejar voltar.
É até bonita essa esperança, se parece um pouco com a minha. Mas é triste ao mesmo tempo ver essa dança das cadeiras na sua vida. E tanta gente querendo sentar. E tantas vezes você as expulsar.
E o bar já fechou, a cerveja esquentou, o garçom te mandou ir embora. E você continua a observar, de longe, aquele lugar guardado sem saber se  quem você quer que o ocupe tem vontade de ocupá-lo.
Tem uma certa poesia nisso tudo e uma grande melancolia também.
E, dentro dessa grande confusão de cadeiras e lugares, só quero que você saiba que eu nunca vou querer esse lugar. O que eu queria, na verdade, é que você esquecesse essa cadeira nesse bar e me levasse onde quer que você fosse. Sem ter lugar reservado, sem espaço guardado. Porque o lugar que você ocupa aqui é dentro. E estando dentro, jamais precisarei reservar lugar fora pra você. Porque onde eu estou é onde você está."

sexta-feira, 10 de abril de 2015

"Não deu certo."

Não deu certo? E aqueles três dias? Aquelas três horas? Aqueles três beijos? Não deram certo? Não foi exatamente o que você precisava e na hora em que você precisava? Como tem coragem de dizer que isso é não dar certo?
Podem não ter dado certo suas expectativas, seus planos. Mas enquanto deu, deu certo sim. Deu certo aquela mensagem que te acordou de madrugada e te fez sorris ou aquele encontro por acaso na mesa do bar, cada um com seus amigos. Deu certo aquela ida ao banheiro escondidos e aquele sorrisinho sacana na hora de ir embora. Deu certo, sim. Só não durou o tempo que você queria. Durou menos? E quanto você queria? E quanto você acha que é "dar certo"?
Dar certo é isso: é ter feito bem. E, por mais que você tenha tentado que fosse mais, que fosse além e que do outro lado também houvesse a mesma tentativa, de outras maneiras, com outra roupagem, apenas não rolou. Pela vida, pelos dias, pelas diferenças ou pelo coração que não pulsava no mesmo ritmo naquele momento.
Ah, deu certo sim! E como deu! Deu tão certo que você ainda sorri ao lembrar daquele nome. Viu? Eu sei que você sorriu agora. Então, você sabe que sim. Que deu muito certo!

quarta-feira, 8 de abril de 2015

"Amiga, amor é uma palavra muito forte"
Mas se não é amor, ela pensou, o que pode ser? Se amor não é sentir-se viva, sentir o estômago embrulhar, sentir o sorriso se abrir... o que é amor?
É amor o que ela sente e ela sabe disso. Ela sabe que vai continuar sentindo e que é gostoso sentir isso. Sentir que os dias tem cor. Que a vida tem sabor. Que a noite é leve e faz bem.
Ela sabe que é. Ela sabe por quem é e ela sabe o quão é bonito sentir. E o quão dedicada ela é a esse amor. E não é um amor triste. É amor verde-cor-de-esperança. Amor de risada. Amor que deixa partir e não sabe se volta. Mas é amor. No sentido mais bonito de ser. No sentido mais altruísta de ser. No sentido de ser amor. E amor não se explica, amor é.
Ah, e amor não é só palavra forte, é sentimento lindo, é grandeza e leveza. E ela prefere a beleza do sentimento ao medo de expô-lo.
"Por ser amor invade e fim."