sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Celebração ao Silêncio.

Me calei pra ver você partir. Assim mesmo, de supetão e sem se despedir, achei que seria fácil. 
No canto, quieta, observei seus olhares a fitar outros que não os meus. Observei seu sorriso sorrir pra outras mãos no seu pescoço, pra outros beijos na sua nuca.
A covardia de quem sempre se jogou, de quem sempre falou tudo, fez com que eu me calasse a observar sua partida, sem ao menos levantar as mãos num aceno de adeus. No fundo, acredito eu, eu esperava o seu retorno.
Os estilhaços de tudo que passou continuam aqui. Os seus estilhaços em mim, fincados na pele, sem cirurgia alguma que te tire de mim. E se tirarem, eu sangro.
Eu sangro, na verdade, todos os dias ao lembrar do seu sorriso que já não é parte do meu dia. Eu sangro só de lembrar da sua voz me pedindo pra tirar dúvidas sobre uma ou outra interpretação de algo que escrevi e que (tão óbvio) era pra você. 
Tudo ainda tem um pouco de você, embora a minha boca calada, pareça querer negar isso. Tudo que sou, tudo que sinto, tudo que visto, tudo que ando, que calo dentro de mim... tudo que sou ainda é um pouco enorme de você.

terça-feira, 22 de setembro de 2015


Só pra você saber
Eu esqueci você
E se o meu olhar cruzar com o seu
é só porque você tá no caminho”
(Clarice Falcão)

Eu esqueci você, mas quando cruzei seus passos, desejei que você tropeçasse e caísse... Talvez no meu colo, talvez na minha vida de novo, talvez no fundo de um poço enorme e nunca mais de lá saísse.
Eu esqueci você e quando te vi ontem e vi que você também me viu, eu quis que você viesse falar qualquer coisa pra mim. Um “oi”, um “como você tá?” um “vocêfazfaltavoltalogopraminhavida”.
Eu esqueci você e te desbloqueei no face só pra ver se você fez check in de onde estava indo quando nos esbarramos, quando nossos olhos se cruzaram, quando eu estremeci e quase enfartei.
Eu esqueci você, porém fui beber depois de te ver ali, mesmo que de longe, eu precisei me embriagar pra tirar da cabeça o seu rosto que já era imagem embaçada, desgastada na memória, diferentemente do cheiro. Ah, o seu cheiro ainda não se desgastou! Mas eu esqueci você. E esqueci todo o caos que você me causou. E esqueci todas as mentiras que você me contou. E esqueci suas mãos percorrendo meu corpo e sua língua me... Não. Isso, juntamente com o cheiro, eu nunca vou esquecer.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Todos os dias eu tento me enganar e fingir que você nunca esteve aqui. Mas a dor que me cega e quase me enlouquece me lembra que você esteve. E me lembra o quanto me senti bem por você estar. E era só isso que eu precisava naquele (e neste?) momento: você ali.
Você ali me mostrava que eu podia ser e que eu podia, sim, me apaixonar. Você ali e aquela música que tocava e os seus olhos que brilhavam e (por favor,não me diga que não existiu) sua paixão por mim me fizeram ser mais. Ser eu. Ser além. Ser quem de melhor eu pude ser.
Você, página do livro que eu insisto em querer apagar, foi motivo de diversos sorrisos em horas inusitadas.
Você que foi embora e nunca me deixou te entender, faz parte da minha história que sufoco nas noites de insônia.
Você que eu ouso pensar que talvez reencontre em alguma mesa de bar, ainda me faz lacrimejar onde quer que eu vá.
Você que poderia ter se transmutado em amor, ainda faz parte da mais pesada dor.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Tem uma música que é meio que hino pra uma galera e tal, que fala "vamos nos permitir". Daí você se permite. Você sai de casa, faz uma make, entrega um pouco (ou muito) de si. Se doa mesmo, se deixa um pouco no outro. 
No dia seguinte, naquela mensagem de bom dia, lá se foi mais um pouco de si pro outro. Você se abre, se mostra, se expõe no dia a dia. Mergulha no desconhecido do outro que também doa um pouco pra você. Você se arruma mais uma vez e vai ao próximo encontro. E então vão surgindo vários encontros, aquela coisa gostosa da conquista vai acontecendo, você já mostrou qual sua preferência de lugar na mesa, no cinema, na cama, na vida.
A coisa vai fluindo, vai virando algo maior e você, só então, nota que ali do outro lado, a entrega é mínima. E é aí que a você percebe que a entrega foi unilateral, que do outro lado pouco se permitiu. É aí que você entende que você faz parte da exceção, porque a regra é essa: doar um pouco e ir embora. E você sabe que você é das poucas pessoas, aquelas que são exceções mesmo, que doa e quer ficar e quer ver acontecer e quer viver toda essa entrega até 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Eu te amei com a força e intensidade de um amor que fura o peito, naquelas de amor ser flecha, ser raio, ser qualquer coisa que atinge bem em cheio e que machuca. Te amei naqueles poucos minutos, segundos, espaços de tempo em que estivemos juntas. Te amei naquela noite intensa na qual seu corpo e o meu se tocaram e se souberam fazer um só. Eu te amei nos beijos improváveis em saídas de metrôs, em portas de bares, em lugares escolhidos para serem "nossos". Te amei ao olhar esses mesmos lugares e não te ver mais lá. Eu te amei em quinze dias longe, torcendo pros dias voarem pra eu estar ao seu lado. Eu te amei naquele beijo no aeroporto. Eu te amei nos seus sumiços. Eu te amei em todos os sinais de que você não era a pessoa certa. Eu te amei até o dia em que você foi embora sem mais explicações. Até o dia em que você me disse que tinha escolhido um outro rumo pra sua vida. Até o dia em que notei que você nunca esteve por completo comigo. Eu te amei e talvez nem fosse amor mesmo tudo isso que senti. Talvez não fosse nada disso. Talvez tivesse sido melhor te odiar em todos esses momentos.
Eu nunca deveria ter saído de casa naquele 14 de maio.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Eu queria poder ser sua chave.
A chave que te dá paz, que te diz '"isso vai mudar, acredita!", queria ser aquela a quem você pede conselhos e que te desilude com minhas respostas ou que te faz sorrir com a resposta certeira. eu queria poder ter a capacidade de fazer enxergar em mim a saída, a verdade, a seriedade e as piadas da vida.
Não me coloco mais nesse lugar. sei que jamais farei isso. Não sou parte de nada do que te faz ser, mas queria ser. meu querer, esse tão diferente do teu ser, me faz desejar todos os dias estar do seu lado. Sorrir teus sorrisos, esses que hoje vejo tão distantes de mim, por fotos, por palavras, queria ser motivo do teu rir, só hoje, só por agora, dó ser. E ponto. Sendo, eu não precisaria de mais nada. Apenas ser motivo de um pensamento seu no teu dia, me faria mais.
Eu acredito em mim, jamais desacreditaria. Mas (ah, esse mas...) com você eu seria talvez o que nunca fui ou o que fui por aquele (pouco, mas intenso) tempo a seu lado. Eu seria e, se você me permirisse, te faria ser riso, sorriso, gargalhada..
E toda noite, antes de dormir, junto com o desejo de boa noite que te envio em pensamento todos os dias, eu seria. E você seria mais, muito mais, do que possa sonhar hoje.
E te eternizo por onde eu vou: nas paredes, nas conversas, nos pensamentos: você é. É e está aqui. E pra mim, dentro do que vivo, isso basta.
Eu queria ser sua chave.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

"Você que me retire desse poço..."

Eu lembro de você e perco o ar. Perco o sono. Perco a fome.
Você fez de mim a pior pessoa que alguém poderia ter feito, você me fez sentir raiva. Pior sentimento que você poderia ter despertado em mim... O pior mesmo.
Eu sinto raiva e planejo vingança e sonho em te encontrar pra cuspir na sua cara e desejo coisas ruins. Credo. Essa não sou eu! Essa é alguém que você esculpiu assim que foi embora sem dar a menor satisfação, assim que fez um jogo adolescente de menina que quer sair por cima, assim que me fez um buraco no chão.
Não entendo ainda lembrar com certo carinho de alguns momentos. Não entendo ainda pensar que você até pode ter sido sincera e honesta, porque não foi em nenhum momento.
Eu choro, ainda. Dia sim, dia não, dois dias sim, outros tantos não. Mas eu choro ainda porque eu não consigo acreditar que alguém tenha sido suficientemente competente pra me fazer sentir raiva. Eu nunca achei que sentiria isso por alguém que foi tão... tão... só mais uma.


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Hoje eu chorei. 
Chorei de madrugada, acordei chorando, chorei ouvindo música. Não, não chorei de saudade. Nem de dor por você não estar comigo. Nem de nada disso. 
Eu chorei porque eu me lembrei dos primeiros sinais de que você seria só mais uma, os sinais que eu ignorei. Eu chorei porque lembrei das suas palavras dizendo "eu não entro na vida de ninguém pra ser mais uma" e olha... Você foi só mais uma.
Eu nunca quero que as que passam pela minha vida sejam apenas mais uma, sejam mais uma dor, mais um aprendizado, mais um alerta. Nunca quero. Quero que sejam mais uma companhia, mais uma parceria, mais uma alegria.
E você, você mesma que disse que não seria e eu - que ainda me sinto estúpida por não ter prestado atenção em todos os sinais - acreditei. Eu chorei por isso: porque eu acreditei. Porque eu acredito que as pessoas são honestas e sinceras e não só comigo, mas com elas mesmas. E eu acreditei em você.
E sabe o pior? Eu ainda acreditarei na próxima que vier. E na outra. E na outra. Até que um dia, de tanto acreditar, alguém também acredite. Ou até o dia em que eu nunca encontre quem acredite. Ou até o dia que eu acabe mentindo pra mim mesma que eu não acredito mais.
E você, que foi lágrima no dia de hoje, terá sido exatamente o que você não queria ser: só mais uma nesse aprendizado.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Cara, como eu minto pra mim mesma! Vocês não tem noção das mentiras que eu conto pra mim... A maior delas, de todos os tempos é: não quero mais conhecer ninguém. Que mentira! Ah, que mentira deslavada!
O que eu mais quero é conhecer quem me faça tremer, quem me tire da inércia, quem me sacuda, me teletransporte pra um mundo de felicidade que eu sequer conheço. Eu quero conhecer quem me faça querer estar bonita, sorrindo, quem me faça sair do marasmo de dias cinzas. Eu quero é a rotina, o dia a dia de bom dia, de bafo de manhã, de sorriso bobo no meio do dia com uma surpresa pequena. Quero é que me tirem de onde eu estou, desse fundo-do-poço-que-não-vejo-saída que minha vida se tornou nos últimos meses. Quem tope uma cerveja no meio da semana ou me roube pra uma viagem no fim de semana. Quem respeite e entenda os meus medos e me faça tão segura que me faça esquecer por dias o quão insegura eu sou. Que me dê a mão em um passeio pelo centro da cidade, que me mostre o que gosta de fazer e que me apresente a coisas diferentes. Alguém que me faça compreender a inexatidão que é amar. Que me faça ser além do que sou. Que me transborde. Que me ensine os percursos mais diversos. Que queira um programa diferente do usual quando todo mundo quer me levar aos mesmos lugares. Que me sugue. Que me faça sentir plena. Que me ame e que, mais do que tudo, queira ser amada por mim. Porque se tem uma coisa que eu sei fazer, essa coisa é amar. É amar além. É amar "apesar de". É amar me entregando. Se tem uma coisa que eu sei fazer é dar amor. E não admito ao meu lado quem não esteja pronta pra receber o meu melhor.
Você tirou meus pés do chão e com eles, tirou a minha paz de espírito. Você chegou, tomou seu espaço, se fez presente e de repente, virou isso: um silêncio no meio do dia! Um silêncio diante de palavras mentidas que saíram da sua boca.
Você foi o pedaço de sorriso mais curto que apareceu e foi embora. Apenas foi embora. Você foi inferior a tudo que dizia que seria. Você me deu atenção, veio atrás e fugiu! Como eu tenho raiva de você! Como eu tenho nojo de você! Como eu tenho pena de você!
Como você consegue deitar e descansar depois de fazer o que eu jamais esperava? Como você consegue viver sua merda de vida, tendo deixado outra vida na merda? Como você consegue se olhar no espelho e sorrir feliz com esse egoísmo babaca que você tem dentro de si?
Baixa, lamentável, medíocre, desonesta, escrota, egoísta, mentirosa! Quais mais adjetivos eu poderia usar pra tentar te rebaixar o tanto que você me rebaixou?
Hoje, eu não consigo te desejar felicidade ou sorrisos. Hoje eu quero que você se foda tanto quanto eu me fodi. Hoje, eu só quero que seu dia seja uma merda, que seu mês seja uma merda, que seu ano seja uma merda!
"O que você deseja volta em dobro" eu duvido que minha vida seja mais merda, esteja mais embaixo do que hoje. Então, eu desejo mesmo! E que se foda!

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Terminei mais um livro.  Mais uma história que não vou compartilhar com você. Engraçado isso né?  Há alguns meses atrás eu nem sabia da sua existência e agora quero compartilhar todas as histórias do mundo com você. Engraçado esse jeito de te querer perto, compartilhando livros, histórias,  Saudades e vontades. Mas nem sei bem se realmente te quero perto. só quero compartilhar um pouco do que me faz bem. Bizarro esse meu modo de pensar em tudo que não formos: compartilhando coisas que nem sei se te interessam. A única coisa que sei que não te interessa hoje sou eu, é o presente que não vivemos. Me sinto bizarra.
-Mais uma!
O garçom já sabe qual minha cerveja preferida. Você nem isao quis saber. O garçom se interessa mais pelos meus gostos que você. E como posso querer mais de você do que do cara que sabe meu gosto? Talvez seja só fantasia minha que ele se interesse por algo meu. Talvez a gorjeta e só. Ninguém se interessa por mim. Preciso começar a entender isso.  Minha vida não é objeto de interesse de ninguém. Acho que nem pra estudo eu sirvo: olha lá mais uma derrotada enchendo a cara. Quem se importa?  Como seria interessante uma vida tão mais-uma-na-multidão pra ser objeto de estudo? Piada. É isso. Uma piada pronta cheia de gargalhadas dispostas a apontar pra mim,  isso que minha vida virou depois de você,  depois de eu querer compartilhar mais um dia vazio com você.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Hoje eu fui no bar que denominamos nosso. Estava vazio. Ninguém quis ficar lá. Eu queria. Por algum motivo... lá foi onde viramos nós. Hoje sou apenas eu. Assim, eu sozinha. 
Talvez mesmo estando cheio de gente ainda estaria vazio. Pelas promessas vazias que você me fez naquelas mesas. Pelos sorrisos vazios que ficaram só naquele lugar. Pela música que tocava e hoje deixa de fazer sentido. Tudo vazio. Menos aqui dentro.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Quando você ouvir aquela música. Ou passar na frente daquele bar. Ou ler uma das muitas palavras que te disse quando a saudade apertava... você vai lembrar de mim e de todos os beijos e abraços que sinceramente te entreguei. Você vai lembrar de mim o tempo todo, eu sei. Nos planos desfeitos e na cama vazia. No sonho guardado e nas noites de frio. E essa lembrança da melhor pessoa que esteve ao seu lado, vai ser a minha maior vingança.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Eu acho que a gente já se cruzou em algum lugar. Algum bar, alguma balada, alguma padaria comendo coxinha. Eu acho que eu já devia ter te olhado em algum lugar, porque são tantas as cosias e lugares em comum que não sei... Não sei.
Ou talvez, andando na rua, impaciente e preocupada com alguma coisa boba, eu talvez nunca tenha te notado. Talvez você, ouvindo suas músicas nos fones, pensando em o que fazer para comer também nunca tenha me percebido.
O que sei é da disposição daquele dia em que baixei um aplicativo. Sim, um aplicativo para conhecer pessoas, um aplicativo para conhecer mulheres dispostas a me conhecer. E só. Sem grandes pretensões, queria alguém pra falar de assuntos em comum e beijar na boca. Eu queria muito beijar na boca de pessoas que talvez eu visse uma vez só na vida. Algumas foi isso mesmo que aconteceu, outras viraram amiguinhas e outras eu acabei nem vendo. Eu estava disposta a encontrar alguém pra uma cerveja, uma risada, uma noite divertida e só. Nada além, nada mais, nada, nada, nada...
E foi então que veio o seu match e por um tempo, eu ainda te chamei de “a menina que eu achei que não daria match comigo”. Não sei porque. Parecia que você era tão mais que as outras que eu realmente achei que você não combinaria e seria só mais uma que me passou.
E eu penso, agora... Se eu teria te olhado na rua e teria pensado o mesmo “ah, essa menina nunca vai olhar pra mim!”. Ou seu eu te olhasse na balada você fecharia os olhos e dançaria virada pro outro lado. Ou se eu tivesse te chamado em algum lugar que não um aplicativo, se eu tivesse te encontrado e sentado do seu lado e puxado conversa... Se essa conversa renderia o que temos hoje.

Eu penso em tudo isso. Eu penso em todos os lugares que poderíamos ter nos encontrado e não nos encontramos, eu penso nas coincidências das nossas vidas e nos lugares que já nos cruzamos, eu penso em tudo isso e não importa: o que importa é que você disse “sim” pra mim no Tinder. E, sim, foi a partir daquele “sim” que tudo se fez o que é hoje. E, não, eu não vou contar pra ninguém que te conheci em uma biblioteca, na fila do cinema ou em algum bar, pra parecer mais cult: eu te conheci no Tinder. E é real. Não tem nada de virtual, nada de tão diferente de conhecer alguém dentro do ônibus ou na balada. E só nós sabemos o quão real tem sido.

terça-feira, 23 de junho de 2015

"Olha! Tem sol!"
Ela exclamou assim que abriu a janela.
Ela se olhou no espelho e viu sol em seu olhar... Há quanto tempo isso não acontecia? Quantos foram os dias de nuvens e de tons de cinza?
Ela já nem sabe mais a quantidade de dias de coisas pequenas e nem quer saber, lembrar. Ela olha pra janela e vê sol. Em todos os cantos, em todos os cômodos, em todos os poros: há sol!
Tem sol e tem sorriso. Tem calor e tem frescor. Tem cheiro de primavera no inverno.
"E que assim seja, que assim siga, que assim perdure..." Ela pensou.
E saiu pelas ruas colorindo e fazendo calor por onde passava.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Você notou que eu fui embora?
Acho que não.
Mas eu fui. Sem me despedir e sem olhar pra trás. Sem querer um abraço de adeus. Se eu ficasse mais, eu te daria chances. Chances de acabar comigo de novo, chances de esmagar meu coração mais uma vez, chances de me fazer insegura como nesses meses todos.
Eu fui embora. Não porque não te queria, mas porque não me queria mais naquele estado. Eu fui embora e consegui me abrir. E me dá uma vontade enorme de gritar isso pro mundo, porque eu achava que depois de você, eu nunca mais sentiria nada de bonito por ninguém. Mas depois que eu fui embora sem te olhar e dizer adeus, eu me abri. E eu senti. Eu senti o que nunca havia sentido com você e você sabe disso. E eu aprendi que há uma palavra nesse mundo, que é a mais bonita que já pude vivenciar: "reciprocidade"! Eu vivo isso agora. Eu vivo isso! Eu saí do luto que me mantinha presa em você pra viver a reciprocidade. E, olha... Que delícia viver isso! Você deveria experimentar.
 Então... Acredito que esse seja meu modo de te dizer adeus. Ou de te dizer "eu não acredito mais em nós". Esse é meu abraço de tchau. E não, não é um até logo, até breve. É adeus. Assim, dou adeus ao meu jeito de te enxergar como enxergava há tempos atrás. E dou boas vindas ao novo modo de te olhar: leve, sem dor.
 Adeus.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Poderia ter sido um outro dia, poderia ter sido outra pessoa, poderia ter sido em outra vida (e quem garante que não foi?). Poderíamos não ter sido nós e poderia não ter sido você. Poderia não ter dor. Mas poderia não ter cor. Te conhecer me fer reconhecer em mim a capacidade de amar. Me fez relembrar que amor dói. Me fez saber que eu posso mudar. Me fez notar que há cor. Relembro a cada segundo do seu sorriso e de como você me olhou e do quanto eu quis e fiz e do quão pouco foi tudo. Me fez saber que fui muleta pra dores passadas, que fui pedaço de caminhada, que fui parte do que não me pertencia. Poderia ter sido outra. Mas foi você. Talvez eu não soubesse lidar com outro toque que não o seu. Talvez... era pra ser.

domingo, 17 de maio de 2015

Tem dia que dói mais, tem dia que dói menos... mas não se passa um dia sem que doa o fato de não te saber por perto. Não tem um dia que a lembrança do gosto do seu beijo deixe de fazer minha pele arrepiar.
E é tão estranho saber que podia ser. Tão doído pensar no que poderia ter sido. Porque você, assim como eu, sabe que poderia ter sido. Assim como eu, você se pergunta o porque de não ter dado certo. Eu sei que sim. Eu sei que eu ainda faço parte dos seus questionamentos internos e, mesmo que você saiba a maldita resposta por não termos funcionado, você ainda se questiona. Porque eu ainda te alimento de amor, eu ainda sussurro palavras aleatórias nos seus ouvidos, assim mesmo de longe, soprando meu coração em você.
E será que eu deveria parar? Será que é tão impossível assim sermos? Será que sempre que te procurar, você vai reafirmar o que me dói? Tem um mundo dentro de mim que eu abri e esperava que você quisesse conhecer. Tem uma fresta por onde só você consegue enxergar o que quiser aqui dentro. E tem uma janela trancada pro resto do mundo. Eu não quero ninguém bisbilhotando o que é seu... porque é seu e ponto final.
 Não, eu não acho que sou a salvação pro seu desamor, pros seus dias ruins, pras suas tardes de domingo cheias de tédio. Eu não acho que eu posso te tirar de onde você não quer sair e nem acho que sou sua pessoa certa. Mas eu tenho a certeza de que eu posso transformar um dia ruim em sorriso, que eu posso segurar sua mão e te apoiar no que você quiser, que eu posso ser alguém que te faça o bem que tanto você procura em outros lugares. E que nessa guerra interna que te aflige, eu posso ser exército pras batalhas. Eu sei que posso te ajudar nesse combate de você com você mesma e eu sei mais ainda que, por você e pra você, eu posso ser felicidade.
E o olhar segue olhando pra frente enquanto o coração pede pra voltar ao que já foi. Dessa vez, ela ignora o coração. Ela perde muito da essência ao fazer isso, mas a cabeça não aguenta mais essa insana aventura que o coração propôs. O que passou já não é mais opção e ela segue, apesar da dor, apesar da contradição, apesar. Ela segue sem parar como quem foge do inevitável. E se questiona o tempo todo, todos os dias. E a resposta que se dá é sempre a mesma: segue, tem um futuro colorido a te esperar.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Oi. Bem vinda ao meu mundo. Não repara a bagunça, eu preciso de um pouco de caos pra minha ordem funcionar. Pode entrar, não precisa bater. Pode deixar sua bagunça aí, junto da minha e aos poucos a gente vai organizando tudo. Pode pôr os pés pra cima e ali na geladeira tem cerveja. Sempre tem cerveja por perto e que bom que você gosta. Já falei que não precisa de cerimônia comigo? Não precisa, pode invadir, pode chegar com pressa e força, pode pular aquela parte chata de "prazer te conhecer" porque o prazer é meu, eu estava a sua espera. Se acomoda, o espaço é seu. Aos poucos você vai me ajudando a organizar os móveis, a silenciar os barulhos, a deixar aqui com cara de lar. Agradeço por ter trazido frescor e ajudar a tirar o cheiro de mofo daqui. Agradeço por ser o novo. Mais uma vez, seja bem vinda. É estranho pensar que eu estava te esperando e notar o quanto você veio de forma inesperada. Pode se jogar. A casa é sua.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Eu poderia ter sido o seu amor. Eu poderia ter sido o seu amor, desde aquele momento em que você sorriu e me ofereceu um gole do seu drink. Porque eu sei que a partir dali, você foi o meu amor. E a partir dali eu quis ser o seu amor. Eu não insisti para que eu fosse, eu apenas quis ser. Quis te fazer sorriso, te fazer cor, te fazer amor. A partir daquele esbarrão eu quis. Mesmo sem que eu insistisse pra isso, mesmo eu querendo negar pra mim mesma, você foi o meu amor. Naquele gole daquele drink que eu neguei, estava embutido todo o amor que você seria e que eu jamais saberia como ou porque. Eu não fiz de tudo pra que você fosse e eu percebi que você gosta da conquista. Eu não sou assim, ou é de primeira ou não é. E foi assim com você. Sem jogo, sem peças de tabuleiro pra lá e pra cá, apenas foi amor de primeira. Éramos pra ter sido, mas o destino se equivocou. Te colocou na minha frente na hora errada pra você, mas na hora certa pra mim. Essas contradições do amor/destino/astros é que me fazem ainda querer ser. Tem toda aquela etapa boba que vem antes do “se jogar” que eu pulo. Não gosto mesmo e pulo. Aquela coisa do “se conhecer, se interessar, deixar acontecer” que eu sempre pulo. Eu pulo porque se jogar pra mim faz muito sentido e todo mundo notou o quanto eu me joguei no seu sorriso e no seu jeito de rir e na sua voz e no seu andar e na sua caminhada. Eu me joguei na sua frente e você não estava pronta pra mim, pro que poderia vir a ser amor na sua vida, pros sussurros de manhã ao pé do seu ouvido falando alguma bobagem que vi em algum desses programas bobos que eu adorava assistir comentando com você todos os deslizes dos apresentadores. Você não estava pronta pra encontrar em mim o amor da sua vida, aquele amor de sábado almoçando num restaurante pé de chinelo e fazendo piada do nosso jeito de pedir a conta ou do garçom que já sabe o que você gosta de comer, aquele amor que ultrapassa o limite de amor romântico de trocas de beijos e declarações e se torna o amor do dia a dia de pequenas mensagens bobas na caixa postal ou no e-mail corporativo. Eu estava ali, de prontidão pra ser esse amor pra você. Maldita hora em que eu neguei um gole do seu drink e preferi o seu beijo. Bendita hora em que o seu beijo encaixou completamente no meu e me fez te sentir amor.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Você mente pra si mesma que superou. Você finge que tá tudo bem, dá risada e bebe com os amigos. Quando te perguntam dela, você faz cara de "ela quem?" fingindo que tá tudo bem. Você ri de si mesma e de todas as coisas que você inventou pra não surtar. Você não fuça mais, não procura mais, não observa mais de longe. Você se vê do jeito que você não é e você se faz de fortaleza. E então, um único fato, um desencontro, um olhar de uma pessoa do lado e você relembra daquele primeiro beijo, daquelas palavras bonitas e de tudo que ela ainda faz parte. E você se olha no espelho com olhos marejados e sorriso amarelo e tem a plena certeza de que pra superar tudo que ela te causou de bom ainda leva tempo, que pra deixar de sonhar com o sorriso dela e deixar de vê-la nos lugares onde ela não está, vai precisar de muitas doses de lágrima com tequila. E você simplesmente para de tentar se enganar e tem a plena certeza de que o exercício pra superar é diário, que pra alguém conseguir entrar no espaço que é dela tem de ser alguém muito disposta. Porque na verdade, dentro de tudo que você acredita, dentro de todas as suas maiores certezas está a de que ela não é superável.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

A gente se acostuma a não servir né?
A ser a legal, a inteligente, a que tem as melhores referências, a que trata como rainha. Mas a gente simplesmente não serve. E se acostuma com isso de ser legal, mas.
Sempre tem o "mas" que assombra. Que vem como um monstro.
A gente se acostuma a não estar presente nem na despedida. A observar aquele tchau vindo de longe. E a gente se acostuma a seguir em frente mesmo despedaçada. A gente põe um sorrisão no rosto e segue. Como se a vida fosse colorida, a gente vai. A gente anda. A gente sonha. E o que vem pela frente é consequência de. De. Sempre tem o "mas" e o "de". E o "apesar". E a gente acaba seguindo. Mesmo na dor. A gente segue. Querendo ou não. Estagnar não é opção.
A gente se afoga nesse lugar cheio de palavras não ditas achando que ali é nosso lugar mesmo. E a gente segue, afogadas ou não, nesse mar de coisas e pessoas e vida.
Esse mar de "mas" de "apesar", de qualquer coisa que nos dê um flash de luz. E a gente segue. Até quando aguenta. Ou até não ter mais opção.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Para ler ouvindo Lenine

Eu olho todas as fotos que não tiramos e sinto todos os beijos que não trocamos. Relembro os passeios que não fizemos e retomo os abraços que não nos demos. Eu vejo os sorrisos não partilhados e sussurro os segredos jamais trocados. Rememoro a transa que não fizemos e aquela discussão que jamais tivemos. Eu penso nos seus gestos que desconheço e visto a sua única roupa que conheço. Eu sinto a saudade do que não foi, procuro vestígios no que ainda dói. Porque no dia em que você foi embora só sobrou o que não existiu e o que foi, o que ficou dentro de mim, ninguém nunca viu.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

VISH

"E quantas pessoas já acreditaram que ocuparam essa cadeira que já está ocupada? Quantas?
Sem saber que já havia alguém ali, elas sentaram na pontinha da cadeira tentando ocupá-la por inteiro. Mas elas não sabiam que já estava ocupada e que você não queria colocar ninguém lá, naquele lugar. Elas sentaram temporariamente até você expulsá-las porque não eram elas quem você esperava ocupar aquele lugar.
Algumas, você sabe, tentaram sentar novamente na cadeira e você não deixou e nem explicou o porque. Apenas deixou uma cadeira reservada e uma cerveja já quente pra alguém que talvez não volte. Pra alguém que pode nunca mais desejar voltar.
É até bonita essa esperança, se parece um pouco com a minha. Mas é triste ao mesmo tempo ver essa dança das cadeiras na sua vida. E tanta gente querendo sentar. E tantas vezes você as expulsar.
E o bar já fechou, a cerveja esquentou, o garçom te mandou ir embora. E você continua a observar, de longe, aquele lugar guardado sem saber se  quem você quer que o ocupe tem vontade de ocupá-lo.
Tem uma certa poesia nisso tudo e uma grande melancolia também.
E, dentro dessa grande confusão de cadeiras e lugares, só quero que você saiba que eu nunca vou querer esse lugar. O que eu queria, na verdade, é que você esquecesse essa cadeira nesse bar e me levasse onde quer que você fosse. Sem ter lugar reservado, sem espaço guardado. Porque o lugar que você ocupa aqui é dentro. E estando dentro, jamais precisarei reservar lugar fora pra você. Porque onde eu estou é onde você está."

sexta-feira, 10 de abril de 2015

"Não deu certo."

Não deu certo? E aqueles três dias? Aquelas três horas? Aqueles três beijos? Não deram certo? Não foi exatamente o que você precisava e na hora em que você precisava? Como tem coragem de dizer que isso é não dar certo?
Podem não ter dado certo suas expectativas, seus planos. Mas enquanto deu, deu certo sim. Deu certo aquela mensagem que te acordou de madrugada e te fez sorris ou aquele encontro por acaso na mesa do bar, cada um com seus amigos. Deu certo aquela ida ao banheiro escondidos e aquele sorrisinho sacana na hora de ir embora. Deu certo, sim. Só não durou o tempo que você queria. Durou menos? E quanto você queria? E quanto você acha que é "dar certo"?
Dar certo é isso: é ter feito bem. E, por mais que você tenha tentado que fosse mais, que fosse além e que do outro lado também houvesse a mesma tentativa, de outras maneiras, com outra roupagem, apenas não rolou. Pela vida, pelos dias, pelas diferenças ou pelo coração que não pulsava no mesmo ritmo naquele momento.
Ah, deu certo sim! E como deu! Deu tão certo que você ainda sorri ao lembrar daquele nome. Viu? Eu sei que você sorriu agora. Então, você sabe que sim. Que deu muito certo!

quarta-feira, 8 de abril de 2015

"Amiga, amor é uma palavra muito forte"
Mas se não é amor, ela pensou, o que pode ser? Se amor não é sentir-se viva, sentir o estômago embrulhar, sentir o sorriso se abrir... o que é amor?
É amor o que ela sente e ela sabe disso. Ela sabe que vai continuar sentindo e que é gostoso sentir isso. Sentir que os dias tem cor. Que a vida tem sabor. Que a noite é leve e faz bem.
Ela sabe que é. Ela sabe por quem é e ela sabe o quão é bonito sentir. E o quão dedicada ela é a esse amor. E não é um amor triste. É amor verde-cor-de-esperança. Amor de risada. Amor que deixa partir e não sabe se volta. Mas é amor. No sentido mais bonito de ser. No sentido mais altruísta de ser. No sentido de ser amor. E amor não se explica, amor é.
Ah, e amor não é só palavra forte, é sentimento lindo, é grandeza e leveza. E ela prefere a beleza do sentimento ao medo de expô-lo.
"Por ser amor invade e fim."

quarta-feira, 25 de março de 2015

E você? Quantas vezes se pegou falando daquela travesti, que tudo bem ser gay, mas "querer ser mulher já é demais"? Quantas vezes já olhou pro seu amigo, ali do seu lado, e pensou que ele era afeminado demais pra andar com você? Quantas vezes achou que aquela menina, mais masculina, deveria deixar o cabelo crescer e usar vestidos, porque ela é lésbica, mas ninguém precisa saber? Quantas vezes já deixou de dar as mãos pro amor da sua vida, porque a sociedade não precisa se chocar ao ver um casal gay? Quantas vezes se sentiu agredido e desrespeitado por garçons de bares, colegas de trabalho, pessoas nas ruas, e abaixou a cabeça?
Feliz dia da reflexão. Feliz nacional do orgulho gay!

terça-feira, 24 de março de 2015

Vez ou outra quero ser mais forte do que sou. Vez ou outra quero me mostrar mais do que sou. Vez ou outra quero que vejam em mim um escudo, um alicerce, um porto seguro. Mas eu sou bem frágil, eu sou como vidro que se escapa da mão trinca, quebra e pode até cortar. Sinto falta e saudades intensas, sinto dores absurdas e sinto quilômetros em poucos metros. Hoje queria poder ser a maior fortaleza do mundo, queria ser um gigante... mas não o sou. E então, desabo como um castelo de areia que a onda passa e tira do eixo. Só quero meu eixo de volta. Só queria que não houvesse distâncias.
Escrevo palavras infundadas e confusas, elas saem de mim e tomam forma aqui e sem me preocupar, vou deixando os sentimentos terem algum sentido. Será mesmo que eu quero que você saiba o quanto te desejo e sinto sua falta? Será que prefiro guardar num pote tudo isso junto com toda a dor que veio à tona hoje? Será que um dia voltarei a fazer algum sentido?
Me questiono todos os dias, me interrogo e não me perdoo. Não me perdoo por te procurar, por te buscar, por te enxergar onde você não está. E onde você não está, exatamente nesse espaço que você não ocupa, é onde eu fico te esperando. Até que você venha. Ou até que nunca mais apareça.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Depois de seis meses do término do último namoro, ela resolveu que estava na hora de conhecer outras pessoas.. Iria á festa de uma amiga nova, que tinha feito na academia onde começara aulas de ginástica há dois meses. Foi ás compras. Comprou o mais lindo vestido vermelho que havia na loja, a sandália com o salto mais alto. Fez as unhas, escovou os longos e sedosos cabelos negros. Chegou em casa, encheu a banheira, despejou os sais de banhos mais cheirosos que tinha em casa e ficou imersa na água por quase uma hora. 
 Se vestiu. Estava pronta, lindíssima e confiante. Chegou um pouco tarde na festa que era pra que todos reparassem na sua chegada. E todos repararam. Assim que ela entrou no salão com o mais belo vestido que havia visto, os cabelos soltos que deixavam escorrer uma pequena franja no seu rosto, o batom no mesmo tom do vestido. Todos os homens que estavam no salão a olharam. Mas o seu brilho era tanto, que nenhum deles teve coragem de ir falar-lhe. Seu brilho ofuscava os olhares de quem a olhava. E então, ela dançou. Como se nunca tivesse dançado antes, ao som de Bee Gees, ela rodopiou pelo salão como se ninguém a estivesse vendo, como se dança as escondidas em frente ao espelho do quarto. Ainda assim, nenhum daqueles homens consegui falar-lhe uma palavra sequer. Era mais fácil falar de finanças, de futebol, do que ser desprezado por aquela deusa. Sim, naquele momento, ela era uma deusa. 
 Retornou pra casa em seu carro preto de vidros fumês. Subiu as escadas com um olhar meio perdido, como se alguém a tivesse roubado alguma coisa. Descalçou as sandálias, desabotoou o vestido e ele foi caindo até chegar a seus pés. Suspirou. Massageou seu corpo. Encheu novamente a banheira com os mesmos sais de antes. Fez tudo exatamente como havia planejado fazer quando voltasse para casa. Porém, fez de um jeito que não esperava: sozinha.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Chega a noite, soprando a melancolia sobre meu sono. Chega a noite e me pede pra me despedir de mais um dia. Olho pra ela. Encaro. Dou um sorriso de canto de boca, sem graça. A noite não sabe o quanto eu detesto despedidas. Ela me olha, aguardando meu adeus ao dia para que ela possa me cobrir com minha insônia. A ignoro por um grande tempo, odeio a obrigação da despedida. Me dói. Não digo adeus ao dia, mas deixo os olhos semi cerrados, aguardando a noite esquecer que não me despeço. E é sua imagem que me vem nítida quando fecho de vez os olhos. A imagem da qual não me despeço nunca. Te vejo linda, mais uma vez, me dizendo adeus com os olhos. Nunca responderei. Me recusei já muitas vezes e continuo me recusando a me despedir de você. Me recuso!

quarta-feira, 18 de março de 2015

Escrevo.
Pra mim, pra você, pro que poderia ter sido nós.
Escrevo hoje sem dor, pra um casal que não aconteceu, pra um casal que nem foi um casal.
Escrevo pra te dizer o quanto evoluí depois de você e depois da sua vida ter ficado ligada à minha por um fio tão invisível e não palpável.
Pra te dizer o quanto sorrio ao lembrar do seu nome e o quanto desejo seu sorriso cada vez maior.
Escrevo.
Com a tristeza de lembrar do quanto quis e o quanto fiz pra ter você sorrindo ao meu lado. E com a alegria de saber que não tivemos culpa em nada. Apenas não funcionou, não encaixou... Por isso, escrevo.
Mirando seus pensamentos e seu olhar. Mirando seu sorriso e seus lábios. Mirando a sua alegria de viver e a sua falta em meus dias, escrevo.
Escrevo para tentar fazer com que não haja dor. Escrevo em rios de lágrimas e mares de sorrisos. Escrevo mais uma palavra que busca seu nome.
Em muros, em portas de banheiro, em papéis, em uma tela branca. Escrevo sem fazer esforço, apenas escrevo meus desabafos e minhas angústias.
Escrevo pro que nunca foi. Escrevo pro que poderia ter sido.
Escrevo as lembranças daquele futuro imaginado.
Preciso dizer que ou será com você ou não será.
Agora não dá. Não tem outro alguém, não tem espaço pra ninguém dentro de mim. Não quero abrir esse espaço enquanto meu coração é sua morada.
Então não será. Não será com ninguém. Não me vejo entregando tudo isso de lindo pra quem não é você e você não vem, você não quer e tudo bem... Só não será. Não serei de mais ninguém por agora e a vida não vai começar a seguir como se você nunca tivesse aparecido, porque é isso: você apareceu e depois de você eu nunca mais fui a mesma e nada (nada mesmo!) voltou a ser como era antes. Eu mudei. E devo isso a tudo que guardo aqui por você.
Então não será. Porque sei que não vai ser com você, dessa vez. Porque sei que não estará ao meu lado no dia a dia.
E então... então não será. Simples assim. Sem mais dor, sem mais tristeza, apenas não será e a vida não segue.

terça-feira, 17 de março de 2015

Carta do amor renovado.

Eu levantei! Ah, levantei!!!
A auto estima tá boa hoje, sabia? Há alguns dias tem estado assim. Eu consegui acordar pro que tava me fazendo mal, consegui levantar do fundo do poço e olha... esse poço era extremamente fundo! Bati a cabeça lá embaixo, porque eu não caio, eu me jogo (seja no poço, no lago, na vida, no amor, no que eu acredito), bati com força. Agora cicatrizou. A dor deixou de existir, aquela dor de cabeça constante e acompanhada do estômago embrulhado, sabe? Aquela dor horrorosa que parecia que não ia passar nunca.
Escolhi meus métodos pra aprender a lidar com ela e a desviar dela. E funcionaram! Pela primeira vez, uma estratégia minha funcionou! Pela primeira vez em quase trinta anos de história!
Olha, o retorno de saturno tá aqui. Latente. Mas olha também, eu estou renovada! Sim, você tem grande parte nessa renovação, nesses dias novos, no sol que eu inventei que existe mesmo nos dias cinzas. Ah, inventei mesmo! Cansei dos dias cinzas! Cansei de te olhar com olhos marejados e te ver embaçada. Agora te olho através de novas lentes e te enxergo linda ainda (claro, isso é algo que nunca vai mudar, porque né? Te acho lindíssima até do avesso!), mas com olhos de quem não tem dor. E, menina! Como é gostoso te olhar e te desejar sorrisos e alegrias e sentir esse amor altruísta a ponto de te desejar tudo isso mesmo que não seja do meu lado! Há quanto tempo eu não sentia isso? Há quanto tempo eu só sentia dor e me fazia doer sempre e mais quando pensava em você?
Eu acho que cansei da dor. Acho que acabei cansando de ser aquela chata que só te enviava "mimimi" enquanto você vivia sua vida, seu dia a dia e eu nem sabia (e nem sei) como você estava vivendo. Eu só colocava coisas na minha cabeça e ia me ferindo a cada dia te imaginando feliz enquanto eu estava morrendo. Agora eu vivo. Eu cansei de apenar sobreviver, agora eu quero mesmo é viver.
Termino, então, te dizendo: ainda te gosto, mas te quero sorriso! Vai lá! Vai ser feliz, menina! Vai sorrir, vai viver. E te desejo isso mesmo, que você viva! E sei que você não precisa da minha aprovação para que isso aconteça, eu sei. Mas queria te dizer isso, porque deixei de te querer nas minhas mãos, te quero sorriso seja onde for.

Um beijo dessa menina que acordou mulher hoje. (E ainda te envio daqueles beijos que querem saltar da tela e irem parar direto na sua boca!)

PS: Você sabe que sempre que precisar conversar, desabafar, desabrochar e sorrir, é só me chamar. Prometo tentar fazer dos seus dias cor. E amor. (Se assim você me permitir.)

quinta-feira, 12 de março de 2015

Até que ponto você foi criação da minha mente para que eu não me sentisse sozinha?
Até que ponto você foi real e não inventada pra dar sentido aos meus dias?
Até que ponto eu te fiz cor pra deixar bonitos os meus dias cinzas?
Até que ponto te criei amor dentro de mim pra te ver morrer vida fora do meu peito?
Até que ponto minha tão odiável solidão te fez a mulher incrível pra mim?
Até que ponto eu me deixei entregar pro que não era verdade?
Até que ponto eu sorri por dias pra algo que nem sei se existiu de fato?
Até que ponto eu cheguei na busca de achar algum sentido no dia a dia?
Até que ponto te fiz minha quando você não está pronta pra estar aqui?
Até que ponto meu coração te pegou pelas mãos pra não sentir um vazio no dia a dia?
Até que ponto sofrer nos mostra o que não queremos enxergar?
Até que ponto?

quarta-feira, 11 de março de 2015

O dedo fica horas quase apertando enviar.
Não, não consigo. Apago, deleto, esqueço. 
A cabeça acha sensato não enviar o coração pede "só mais esse, só esse".
Reescrevo. O dedo, então, pressiona o botão "enviar". A cabeça pede pra que desligue a internet. É o que faço.
Adormeço, então.
Acordo subitamente. 3:00 a.m. 
Começo a pensar: será que ela leu? Será que respondeu? Será que recebeu?
3:10 a.m. - ligo a internet.
"Mensagem visualizada". Nenhuma resposta. Nenhuma. 
As lágrimas começam a escorrer pela face de modo incontrolável. Sufoco os soluços no travesseiro. Só ele é testemunha das noites não dormidas.
Adormeço novamente.
5:00 a.m. Desperto. Ligo a internet: nenhuma resposta. Nada.
O coração fica apertado e grita. Os olhos logo gritam junto, do jeito que aprenderam a gritar: umedecendo todo meu rosto. Não durmo mais. Não sufoco mais o choro.
Fico acordada perambulando pelos cômodos da casa, como se ali houvesse alguma saída. 
E nada. Não há saída. Não há luz. Não há paz. 
Apenas uma voz grita, pela última vez: chega! Tá na hora de parar.
Outra voz, mais tímida responde: e como? Como para?
Não sei ao certo quando. Não sei ao certo se consigo. Não sei ao certo... Não sei nada ao certo.
Mas sigo meus passos pela manhã acinzentada. Sigo meus passos pelo chão molhado. Sigo o vazio de mais um dia sem você.

terça-feira, 10 de março de 2015

Eu estava embriagada quando te conheci. É, eu estava.
E talvez por isso eu tenha me mantido assim desde então: pra não esquecer a sensação de quando estive com você pela primeira vez.
"E o amor é o seu ponto fraco!"
Ela me disse assim, sem dedos. Apontando em mim a minha maior fraqueza e o que me traz dor. É, o amor é realmente meu ponto fraco. E, contraditoriamente, o meu ponto forte.
Quando amo as palavras saem mais bonitas, mais facilmente e de forma mais precisas.
Mas é meu ponto fraco. É o que me desaba e me faz desesperar e querer ir embora de tudo. O que faz com que eu me tranque dentro de mim e fuja de tudo isso que fica em volta me atormentando. Como aquele rosto. O amor tem rosto. Tem voz. Tem braços que abraçam. E tem dor. Me dói - muito -  saber que o amor do amor dói. Quando aqui, aqui tem um mundo de coisas lindas, aqui tem abraços e braços e sorrisos e a vida! A vida! Os dias de cor, os sorrisos do nada! Aqui tem!
É, eu sei. Eu sei da dor. Eu sei.
Eu sei da fraqueza, dos dias que parecem não ter fim sem a presença física e da vontade que não cessa de querer conversar e de querer a voz ao pé do ouvido.
O amor é meu ponto fraco. O amor é minha kriptonita. O amor me alimenta ao mesmo tempo em que me desnutre. O amor, assim como tem sido, me causa pânico.
E eu só... eu só não queria que essa fraqueza fosse costumeira e que a dor virasse rotina.

segunda-feira, 9 de março de 2015

E preencho o vazio aqui de dentro com a lembrança do seu sorriso mirando o meu. E o vazio vai ficando menor, mas logo volta a ser enorme e ecoa seu nome por todos os cantos. Tento evitar esvaziar assim, mas a sua ausência faz isso por mim. E eu, de novo, finjo não sentir dor, finjo que tudo está bem, finjo não estar no inferno e coloco um sorriso babaca no meio do rosto esperando você me perguntar algo. E o inferno, baby... O inferno é aqui dentro. O inferno é não te saber minha. O inferno... o inferno é sentir.

sexta-feira, 6 de março de 2015

E todos os desenhos que eu fiz pra você continuam aqui, do meu lado.
Eu os observo toda hora, junto com as frases que te dediquei. Observo o quanto de sentimento ainda estão contidos neles e o quanto eu ainda gostaria que você estivesse presente. É, presente. Eu ainda acho que você foi presente em alguns momentos e acho que essa presença foi essencial pra eu poder me tornar quem sou hoje.
É, você é especial ainda. Você ocupa grande parte dos pensamentos do meu dia e todos os sonhos ainda tem a sua imagem, mesmo que eu lute para apagá-la da memória, por agora, só pra não sofrer mais lembrando dos seus lábios me dizendo coisas lindas e do seu sorriso meio sem jeito quando eu falava qualquer coisa que pudesse demonstrar o quão entregue eu estava (estou?) só pra você, só por você, sempre você.
E tudo isso vai passar uma hora, eu sei. E aquela sensação de que eu nunca queria que passasse continua sendo o que grita dentro de mim e o que me faz manter esse todo que te dediquei. Te dediquei e te dedico. As minhas melhores palavras. Os meus melhores pensamentos. O meu melhor sorriso. E eu ainda te desejo boa noite em pensamentos todas as noites. E eu ainda faço uma oração para que seu dia seja lindo e que nada de ruim te aconteça e eu ainda... Eu ainda sinto. E sinto muito por muito sentir.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Como se amputa um membro, te extirpo de mim. Ao arrancar-te, sinto seus olhares percorrendo minhas entranhas, sinto seu cheiro ocupando meu corpo todo. Desejo engolir-te de volta junto com a cerveja que gela minha garganta, mas o estômago rejeita: te vomito e te expulso de vez.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Bulimia seletiva: quando o amor não mais me alimenta, eu vomito.
No dia dia em que você tomar um fora. Ou que notar que ela é mau caráter. No dia em que ela quiser ver filme dublado ou te oferecer um livro de auto ajuda pra ler. No dia em que ela quiser, com todas as forças, que você não vá à academia. Ou então quando ela insistir que Madonna é ruim, que Taylor Swift é música de adolescente. Quando ela te olhar no olho e criticar a forma como você se veste, o que você come, o jeito que fala, o seu sotaque  - que é a coisa mais linda desse mundo. Que ela disser que seus textos são ruins, que os livros que você compra são ruins, que as series que você assiste são péssimas. Quando ela não responder aquela mensagem boba sobre qualquer coisa às 3h da manhã. Ou que ela não quiser te ver porque está extremamente cansada ou de TPM...Nesse dia, ah! Você vai lembrar de mim! Você vai implorar pra que eu volte, você vai me querer mais do que nunca e vai correr atrás e vai repostar aquele texto que era pra mim (e agora é pra ela, que confuso!) e oferecer ele a mim de novo, de uma maneira que eu até possa acreditar nas suas palavras de novo. Você vai me pedir pra inflar seu ego e te ajudar de novo com aquele curso que você quer fazer e eu, divinamente, saberei ignorar você. Como nunca quis. Mas como você merece.

terça-feira, 3 de março de 2015

Sobre Ismália

Se Ismália eu fosse, já estaria toda banhada em luar, jogada da torre mais alta, sem medo o porvir. Se Ismália pôde voar, de que me custa tentar ganhar as asas que nasceram nela? Ismália teve coragem e eu me vejo covarde. Covarde de querer entrar em uma vida que já não me cabe, visto que para desistir dos maiores e melhores desejos, é preciso coragem. Coragem pra deixar tudo pra trás e tentar enxergar o que pode vir ser em outro lugar. Me dou o direito à covardia do tentar, me privo da coragem de desistir. Prefiro, diferentemente de Ismália, a covardia de tentar até tudo se findar, mesmo que não finde.

Ismália
Sabe, eu to aqui. Aberta, disposta. Aqui. Você enxerga, consegue me ver? 
Ouve bem o que dizem meus olhos, leia bem o que sussurram meus lábios: esse espaço aqui do meu lado é seu. 
Entregue, fico aguardando o seu retorno. Tudo que eu já explicitei não são coisas anuláveis. Continuo aqui até você vir. Ou até nunca mais aparecer. E talvez você consiga notar que posso ser o novo, o bonito e o sorriso na sua vida.

segunda-feira, 2 de março de 2015


E correr até você e te dizer mais um milhão de vezes o que é tudo isso que ainda me engole e me faz querer ser sua, independente de circunstâncias, independente do seu aval, independente de qualquer coisa.
Meus dias têm sido permeados pelo teu gosto na minha boca, minhas noites não têm sono, não têm paz, não têm você. Meus sonhos são durante os cochilos de quinze minutos que aparecem no meio da madrugada e todos têm seu rosto, seu cheiro, seu sabor.
Te clamo, te chamo, inflamo. E te quero. Todo dia, toda hora, todo momento.
Aparece. Me procura. Esteja. E seja... Só isso.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Sobre Opostos e/ou A Morte do Girassol

Sentou-se no corredor do quinto andar lendo Eclesiastes "Tudo tem seu tempo e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer e tempo de morrer. Há tempo de plantar e tempo de colher o que se plantou. Tempo de chorar e tempo de rir. Tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras. Tempo de prantear e tempo de dançar..." Parou nessa frase. Pensava: "Prantear... palavra engraçada." Ficou com isso na cabeça. Se estava escrito plantar e colher, antônimos... Porque prantear e dançar? Sua cabeça não parava de pensar nisso. Opostos, antônimos. Achou, então, que ela era o antônimo de tudo.

Se tudo tem seu antônimo e ela nunca havia visto o seu... Se achou oposta a tudo. "Tudo não é oposto de nada. Tudo é oposto de mim."Riu sozinha e voltou os olhos pra esquerda. Observou a porta do apartamento de D. Margarida, a vizinha rabugenta. " D. Margarida é o oposto de... de... de flores!" Riu mais uma vez. Segurou os pés sem meias que tocavam o piso do corredor frio. "Frio é oposto de sexo." Tampou a boca, como se alguém a tivesse ouvido falar aquilo. Olhou para os lados para ver se não vinha ninguém e gargalhou.

Ouviu passos de alguém que subia as escadas. Baixou o olhar e ficou apertando a caneta que segurava em sua mão esquerda. Viu Sr. Antônio passar e dizer: "Menina, sai da friagem.Vai pegar uma gripe." Sorriu e disse "Vô, não, seu Antônio... vô não." E acompanhou com os olhos Sr. Antônio desaparecer no fim do corredor, onde a escada começava, logo depois da curva.Continuou com o pensamento dos antônimos. O que seria o contrário de água? "Fogo, claro!... Não, não... fogo não! É... É sal! Água hidrata e sal desidrata." Pensou em como seria regar os girassóis e tulipas com sal, até eles morrerem. Lágrimas caíram de seus olhos. "Não quero que minhas flores morram... não quero."

Ouviu a porta do apartamento se abrir, era sua mãe que havia ido chamá-la pra almoçar. Ela a viu sentada chorando... "Mãe, não quero que minhas flores morram! Vamos colocar água nelas todos os dias, toda hora!". A mãe passou a mão pela sua cabeça e lhe disse baixinho: "As flores têm de morrer, filhinha. Só assim elas dão espaço pra que outras flores nasçam e te façam sorrir. Entende? Elas têm que morrer." Ela entendeu. Entendeu que morte é sinônimo de sorriso. Que pra que ela sorrisse, suas flores precisavam morrer. E entendeu, também, que antes do sorriso as lágrimas aparecem... Mas elas aparecem pra regar sua face e germinar sorrisos.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Eu estava procurando um lugar pra chamar de "lar". Eu não encontrei. Mas ela sim, encontrou. O lar mais bonito, de cor verde-esperança. Um lar que conforta, que acalenta, que abraça, que não deixa doer. Um lar de verdade. Um lar assim: quente, sereno, que jorra bondade. Um lar repleto de móveis novos, bonitos, sem poeira, sem espaço pra móveis velhos e gastos. Um lar limpo, estreito e ao mesmo tempo amplo, calmo, um lar extremamente bem cuidado. Ela encontrou. Eu não.


"Meu coração é o seu lar... E de que adianta tanta mobília se você não está comigo?"
- Tá, você não tá comendo direito, mas e aí? Se alimenta de que?

- De esperanças inexistentes.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Eu vejo suas fotos em festas, eu vejo seu sorriso meio torto, meio bobo e me pergunto se realmente você está feliz. Se esse sorriso não é só mais uma forma de tentar mascarar essa essência triste que sinto você carregando no peito, que sei pelas palavras que você escreve. E sei que eu posso mudar isso. Porque eu me entrego por inteira à você todos os dias, todas as horas, todos os minutos. Eu me entrego e te faço sorrir sempre que sentir que seu sorriso não tem sido real.
Eu sei tudo sobre você, embora você nunca tenha feito menção a me falar sobre você, eu sei. Eu me lembro de todas as palavras que trocamos, de todos os sorrisos que dei de madrugada ao receber uma mensagem sua, inesperada, boba, mas que me fazia o bem maior. Eu sei do que você gosta e eu sei que você sorriu de verdade ao abrir aquele pacote enviado em seu trabalho e que me achou maluca que entendeu o porque daquele livro e que enfim... Eu sei sobre você coisas que você jamais ousou me falar. Eu sei que você teria dias felizes ao meu lado e que eu poderia te fazer o bem maior.
Eu só espero que você queira. Um dia, uma hora. É só querer.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O teu silêncio na madrugada vem como uma faca no meu pescoço e me dói, me fere, me faz perder o sono e o rumo, o eixo.
O teu silêncio no dia a dia me estrangula com as palavras que se engasgam na garganta e se misturam com o gosto de café, cerveja e o seu gosto, que ainda mora em mim.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

"I could show you incredible things
Magic, madness, heaven, sin..." (Blank Space)

E a cada dia eu acho que ainda tenho muito a te mostrar e que você sorrirá feliz ao saber de tudo que eu posso te oferecer, eu ainda acredito, eu te disse isso. Eu te quero. Ainda. E é muito. E eu sei, sim eu sei, que você gosta de mim, mas não desse jeito que eu gostaria que gostasse. Daí... daí... Meu coração se despedaça e eu morro a cada segundo, a cada palavra, a cada bobeira trocada, a cada confissão que eu jamais faria a ninguém: só a você. Porque? Porque é você! Eu mostraria meus lugares mais escondidos, minhas vontades mais veladas, meus sorrisos mais bonitos. Eu mostraria tudo, eu me desnudaria na sua frente, ficaria ali transparente, aberta, exposta, entregue. Aliás, entregue é a palavra que eu mais usei com você: eu estou entregue. E não sei (e será que quero?) sair disso. E continuo aqui: entregue. Esperando o que já não tem esperanças. Mas continuo aqui.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Por vezes eu me pego pensando "eu nunca deveria ter ido naquela festa!". Me culpando por ter te conhecido.
Mas não passa disso. Porque não sei o que seria de mim sem esse frio na barriga que sinto diariamente ao te dar bom dia em suspiros sozinha. Não sei o que seria de mim sem ter conhecido o gosto do seu beijo e o toque das suas mãos. Eu só não sei o que seria de mim hoje, se não tivesse te olhado dentro dos olhos e ouvido sua voz nos meus ouvidos. E eu não quero saber. Porque eu mudei e melhorei depois de você, eu me abri depois de você, eu sorri e chorei e me senti viva depois de você.
Termino sempre com o pensamento de que "que bom que eu fui naquela festa!". Que bom! Que te conheci, que te vi, que te sorri e que me senti viva. Que bom!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Te fiz imortal nas minhas palavras e desejos. Te fiz voz nos meus sorrisos e nas súplicas. Te faço cor nos dias doídos. te faço sonho todos os dias.. Te retrato em meu olhar e te sorrio em minha vida. Te carrego comigo onde vou, te desejo boa  noite em silêncio, quase como uma oração, imaginando que chegará em seus ouvidos. Te trago pra perto de mim nos sonhos, te faço parte do meu dia. Te sigo com o olhar, te desejo com minha pele arrepiada. Te sinto perto, te sei longe. Te faço amor todos os dias. Te transformo na canção mais bonita. Te sei começo, meio. E te sei fim..

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Vem aqui.



Me pega pela nuca, me vira do avesso, me molha por
inteira. Puxa meu cabelo, lambe minha orelha, me cala com
seus beijos.

Vem aqui. Tira o meu juízo, tira minha roupa, morde meu
pescoço. Sussurra no ouvido, arrepia minha espinha, segura
os meus seios.
Vem aqui. Muda o meu rumo, estremece minhas pernas, me faça
ser só sua. Lambuza minha alma, aperta minhas coxas e me faça
gemido.

Vem aqui.
Tira minha camisa, tira minha calcinha, me tira do sério.
Lambe minhas pernas, passeia seus dedos em mim, me faz toda arrepio.

Vem.

Sabe aquilo que nem chegou a ser, mas que foi o mundo, o eterno, o infinito?
Sabe os sorrisos que foram aos poucos findando e transformando-se em lágrimas, em caos, em bagunça?
Sabe o sentimento sempre guardado, quase nunca falado e elucidado pelo medo da verdade?
Sabe a saudade do pouco, do louco, do insano constante naqueles beijos?
Sabe um coração pulsando na vibração certa, pra pessoa certa, mas na hora errada?
Sabe?
Eu sei.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

H- Ela foi embora e eu disse que iria esperar, porque eu a amava. Isso eu percebi quando ela disse que era muito tarde. Mas aí eu disse que a amava e que iria esperar, então estou aqui e agora tenho que ficar até ela não vir para sempre, ou até ela chegar.

M- Mas e se ela ama outro?

H- O que isso tem a ver? Eu disse que a amava e isso não é algo que se anule. Não há como dizer, olha eu disse que te amava, mas agora, sei lá, o vento parou de soprar naquela direção e eu fui embora. Isso não existe, eu disse que a amava e agora tenho que ficar aqui, até que ela não venha para sempre ou até que precise de mim. 

(Pé na Estrada - Paula Chagas)
Ah! Se você lesse tudo que já escrevi focando no seu coração, talvez não me deixasse viver isso sozinha, talvez me abraçasse e viesse viver tudo isso comigo. Talvez me olhasse nos olhos e em vez de agradecer e sorrir, dissesse: "eu vou agora". Talvez me sorrisse mais vezes e focasse seu olhar no meu e dissesse que me quer e que tá pronta pra me dar a mão. Talvez não fossem apenas palavras escritas, talvez fossem sussurradas ao pé do seu ouvido e te fizessem acreditar que pode ser.
Mas é tanto talvez que as certezas vão ficando escassas e o coração vai ficando apertado e o medo do não ser fica absurdo.


Para ler ouvindo:

https://www.youtube.com/watch?v=_KpeCk6NyZU

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Tua voz tem sido inspiração: te ouvir nos meus pensamentos me faz desmanchar em sorrisos.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Hoje eu só queria estar por perto e te dizer tudo que ainda anda engasgado e te sorrir e fazer desse dia de chuva um dia de cor porque eu posso te mostrar que mesmo na chuva tem cor. Hoje eu só quera segurar sua mão e te levar no lugar mais bonito e te mostrar todos os sorrisos e te fazer perder o fôlego enquanto sou eu quem vai falando sobre tudo que sinto e tudo que você ainda não ouviu e tudo que ainda não consegui falar. Hoje mais do que qualquer dia, eu queria te mostrar tudo que sou e te dizer amenidades e depois falar sério e te ver virar sorriso ao meu lado e finalmente poder te sussurrar "boa noite" ao pé do ouvido enquanto te observo adormecer ao meu lado e acariciar os seus cabelos e desejar que seja sempre hoje.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Sabe o cheiro do perfume? Não quando ele está no frasco, mas quando toca a pele, a sua pele? Então... É disso que sinto falta.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Eu me rendo, então, ao fracasso de não conseguir te fazer minha.
Abaixo a cabeça, cesso o drama, choro escondidinha na madrugada, no canto da cama, mas me rendo.
Não sei ser de quem não quer ser. Apesar da dor, do desamor, apesar de.


"O vão que fazem suas mãos é só porque você não está comigo."

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Não prometo dias de sol ou te dar a lua. Não prometo sorrisos todos os dias nem café quente a toda hora. Não prometo fazer dos seus dias cor. Posso apenas prometer o infinito que tenho dentro de mim. E isso, meu bem, é muito mais que cor, café, sol... Isso é o que de mais bonito tenho em mim. E me disponho a te mostrar. É só você dizer "vem".

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

"Pra não ficar dúvida, te adianto: todo beijo que eu te mando é na boca." Bruno Fontes.

E toda palavra que te digo, é sussurro no ouvido. Toda vez que te toco em pensamento, é carinho e cafuné. Toda vez que te vejo deitada ao meu lado, é uma conchinha inesperada mesmo nos dias de calor. Todo abraço que imagino, é apertado e com suspiro. Todo sorriso que te dou, é mirando seu olhar. E todo amor que te tenho é real e não imaginado.
Aqueço.
Esqueço.
Floresço.

Permito.
Irrito.
Imito.

Conflito...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Então eu bebo por não conseguir me perdoar por quem eu sou, por achar que meu coração pesa demais e colocar ele nas mãos de pessoas fracas que não têm força pra aguentar. Então eu bebo pra segurar as meias palavras e as palavras inteiras acabam saindo sem que eu queira, elas deslizam pelos dedos. Então eu bebo pra tirar o amargo disso que sinto e completar o que tá vazio com álcool porque meu corpo aguenta o álcool, mas não aguenta o vazio de estar sem você. Então eu bebo e te coloco num pedestal e te faço rainha por algumas horas e te xingo mentalmente nas horas seguintes por tantos motivos e o maior deles é você não me amar de volta. Então eu bebo pra continuar minha existência nessa caminhada porque continuar assim, sem você, não me dá tesão nenhum. Então eu bebo e leio livros e vejo filmes e ando pela cidade a noite sozinha esperando algum sinal pós-bebida que faça algum sentido, alguma mensagem sua que diga coisas como: vem me beber, se embriaga de mim, não precisa desse paliativo aí. Mas essa mensagem nunca chega... então eu bebo.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

-Você sabe que essa rua é sem saída e que lá na frente tem um muro. Você vai continuar caminhando por ela, nessa escuridão?
- Sim, eu vou. Até que eu bata com a cara no muro e me espatife toda ou até que ela me olhe nos olhos e me diga "olha, volta, a saída é no mesmo lugar da entrada, não continua, eu não posso te acompanhar". Enquanto eu não ouvir isso saindo por entre os lábios dela,eu sigo as migalhas de atenção que ela tem me dado, eu acredito que consigo destruir esse muro e continuar caminhando, eu vejo ela me dando a mão e me ajudando a derrubar tudo, destruindo tudo pela frente e seguindo comigo até onde der pra ir ou até não dar em nada, mas se ela nunca me disser nada caminharei na escuridão sem nem pensar, apenas seguindo meu coração. Eu sou movida por ele, o que ele pede eu faço. E continuo seguindo. E continuo na esperança de quebrar paredes. E continuo.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Eu vou falar até eu mesma conseguir ouvir que não vai dar. Meu coração diz pra eu ir e a razão pra eu estacionar. Se eu sigo a razão, não serei eu. Então morro sozinha todos os dias sabendo que o "não" é certo, mas sigo buscando o "sim".
Espero sozinha enquanto nada parece se mover. Um ano novo, um ciclo novo e seria tão lindo se o "sim" surgisse agora quando estou mais aberta e segura pra seguir e ser e estar. Seja como for.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Que coragem é essa que subitamente me toma e me faz acreditar que pode ser, que há essa maneira torta de ser feliz?
Teus olhos que tocam os meus na distância instalada depois daquele último beijo, teu corpo que arrepia o meu como se ainda nos encostássemos, como se ainda sua presença fosse física.
Eu, antes cheia de todas as dúvidas, hoje sou feita da certeza de que é você. E não admito estar errada.
Gostaria de ser aquela pra quem você escreve, mas sou só essa que escreve pra você quase diariamente, quase não fazendo mais sentido, quase sufocando de tantas palavras querendo sair não só mão-tinta-papel, mas muito mais boca-garganta-voz. Sou só essa que deseja falar tudo olhando nos seus olhos e ser calada pelos seus lábios.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

I wish you never forget the look on my face when we first met...

Eu estava bêbada, eu lembro.
Mas eu sorri ao te ver. Sim, você me chamou a atenção desde o início. Eu ficava te olhando e você não notou. Então conversamos... Eu ouvi sua voz, seu sotaque mooquense (ai, meu coração!) e fomos falando besteiras e bobagens e eu já queria... e te beijei! E o beijo encaixou, como se já tivesse te beijado tantas outras vezes antes, como se nos beijássemos todos os dias, todas as horas e eu não queria mais te largar. E então, o beijo se tornou abraço, amasso, suas mãos agarrando meu corpo, meu corpo prensado na parede, seu beijo percorrendo meu pescoço e eu querendo cada vez mais de você, sentindo seu cheiro e querendo ficar ali, presa naquele momento pra sempre.
E ficamos juntas por toda a noite. E eu não queria que você fosse embora. E você foi, gritando seu nome e dizendo "não me perde!!! Me encontra!!!" e eu sorrindo o sorriso mais largo corri e te alcancei a tempo de te dar mais um beijo.
Ao chegar em casa, já tinha mensagem sua no meu whatsapp. Dizendo coisas lindas. Dizendo que era inesperado. E me fazendo ter mais vontade de estar perto. E os dias passaram e nos vimos logo e trocamos mais beijos e mais palavras de carinho e você disse que tínhamos algo e eu acreditei e de repente... de repente não tínhamos mais. Eu tinha apenas milhões de palavras guardadas na gargante, no coração, no peito, nos olhos, na vida, todas direcionadas a você. Palavras que aos poucos conseguiram sair pelos dedos, canetas, tintas, teclados e foram parar nos seus olhos. Palavras destinadas ao seu olhar e pedindo: olha pra mim de novo, fica comigo mais uma vez, vem pra mim, seja essa que eu tanto espero. E eu disse a palavra que eu temia dizer e te afastar e na verdade te aproximou mais e me fez querer ainda mais e eu quero, sem sofrer dessa vez, eu não choro, eu apenas quero você perto e aguardo seu momento de estar aqui, eu sei que ele vai chegar, eu sei.
E eu to narrando tudo isso aqui que é pra que eu nunca, nunca esqueça de nenhum detalhe do que vivi com você porque foi lindo, foi marcante, foi foda e foi importante demais pra que saia da minha cabeça com o tempo ou com as andanças ou com qualquer outra que chegar e roubar seu lugar de grande paixão vivida em pouco tempo.