segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Abro a janela e sinto seu cheiro, lembro da sua voz me dizendo o nome do perfume que usa e eu, dentro da minha cabeça, respondi: não é o cheiro do perfume, é o SEU cheiro.
O cheiro da sua pele que mistura com o perfume e faz o seu cheiro ser único. Naquela dobrinha atrás da orelha onde eu ficava tempos cheirando, onde nenhuma pessoa tem o cheiro igual a da outra.
Lembro do detalhe das suas unhas, do meu anel enroscando nos seus cabelos, do seu sotaque paulistano carregado que me faz suspirar toda vez que vem à minha cabeça.
E daquelas últimas palavras através de uma tela de celular, sem olho no olho, sem toque, apenas as palavras faladas. Faladas de tão longe que ainda me recuso a acreditar, ainda acho que ainda temos um algo a viver, um beijo a trocar e aí... aí me vem o seu cheiro e me sufoca e me conforta e me traz paz e calma e saudade e desespero e vontade de ir até você e dizer tudo que ficou entalado junto com o gosto do seu beijo, saliva sua, saliva minha, nossos lábios que se encaixam perfeitamente e... o seu cheiro dói.
Procuro nos teus passos
Escassos
Lasços
Os abraços nunca dados
Trocados
Manchados

A sombra do que poderia
Deveria
Precisaria
Ter sido de nós
Tão sós
Sem voz

Espero seu cantar
Ecoar
Ressoar
Através de palavras não ditas
Bonitas
Escritas

Um poema assim pequeno
Sereno
Extremo
Me faz saber que não deu
Se perdeu
No breu

Da saudade incontrolável
Incansável
Desconfortável
Tiro meu sono dessa tarde
Que invade
E arde

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Eu falo, eu quero, eu ajo, mas me calo quando necessário. Meus silêncios quase gritados não chegam ao destinatário.
Acabo por ficar sozinha e gritar pela janela frases sem sentido, sem pontuação, sem espaços: nossacomoeuquerovocêdomeulado!
O vento leva embora e vou achando que vão até seus ouvidos, o que acho difícil, improvável, impossível.
Te sei por outros lábios, outros modos, outros meios. Queria saber-te por uma cumplicidade eu-você sem medo, sem drama, sem cobrança, com sorriso.
Saber o que te faz ser, viver, sentir. Entender teu mistério, teu olhar, teu sorrir. Não te sei mais nada, me vejo enclausurada, calando palavras explícitas na garganta que grita teu nome e engasga a cerveja que substitui teu gosto na minha boca.
Sou um semi-sorriso de canto de boca quando queria ser inteira sorriso teu te fazendo feliz, sorrir, dançar, pirar, vir, estar. E ser. Aqui. Ali. Onde você quiser e disser que tem rima, poesia, calor. Eu acredito, aceito e vou.
Você quer? Então vamos juntas! Vamos seguir, sem medo, sem traumas passados nos assustando, com as pernas bambas e o coração pulsando.
Eu sei. Eu sei mesmo que não é nada fácil segurar essa bronca de querer. Eu já passei por muita querência que em nada deu. Mas eu seguro, eu seguro a barra porque com você eu acho que dá pé. Sim, sem ao menos saber nada sobre você. Eu apenas sinto.
Seria uma pena desperdiçar tudo o que poderia ser de nós. Seria uma pena desperdiçar todo o frio na barriga que já nos causamos. Seria uma pena desacreditar da gente. Você não vê? Não, de jeito nenhum acharei que fomos feitas uma pra outra e essa coisa de contos de fada. Mas acho que nos encontramos pra tentar algo diferente de tudo que já vivemos.
Uma pena mesmo esse gostar desperdiçado, uma pena esse coração despreparado, uma pena esse meu rosto agora todo molhado.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Dois pés no peito.
Nó na garganta.
Embrulho no estômago.
Peso nas costas.
Carga nos joelhos.

O corpo pede descanso...
... de você.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

"E se não for voltar
Faz favor de avisar
Que dói o tempo, passarinho
até eu me acostumar"

Não sei nem se chegou a vir, se chegou a ser. 
Não sei nem se eu cheguei a ser também. 
Mas eu quis que fosse e só desses querer, meu coração saltitou e deu um giro de 360º.
De um modo inesperado ou talvez desesperado.
Agora desesperançado.


Sentido não tenho feito mesmo.
Nem em ações, nem em atitudes, nem em palavras. 
Não seria nessas que eu faria algum.

Apenas vomito minhas expectativas que foram altas em relação a mim.
E a você.
E ao que poderia ter sido "nós",