terça-feira, 16 de dezembro de 2014

E daí que tem um monte de gente mais interessante que ela no mundo? Não me interessa! Não me importa! O meu desejo, as minhas vontades, o meu coração: tá tudo lá, com ela. Esperando para que ela apenas olhe pra tudo isso e perceba que eu estou lá. Sem implorar, sem pedir nada. Apenas ali parada num momento observando-seus-olhares-direcionados-a-outra-não-eu e aguardando chegar o momento seus-olhares-são-meus.

Eu sei, eu sei que serei julgada e que me dirão que eu to errada mais uma vez. Mais uma vez tomarei aquela bronca e quer saber? Caguei pro que vocês falam! Eu sinto que ainda pode ser e que vai ser e que vou conseguir e olha... Olha... Se tem uma coisa que tenho dentro de mim é esperança de que ela me note, uma hora ou outra.
Ela pode ir embora, pode beijar outras bocas, sorrir pra outros sorrisos, ela vai fazer isso, aliás ela tem feito isso o tempo todo e eu to aqui, observando tudo isso e ainda acreditando que podemos ser algo mais bonito do que fomos e do que ela pode imaginar que seríamos então... então eu espero e me enrolo dentro do meu próprio sentimento e eu não to ligando se é sábado a noite e eu vou apenas observar ela ser feliz com os amigos dela assim, de longe, enquanto dentro de mim a vontade de estar perto extrapola a pele, os poros, a visão e a garganta que acaba gritando coisas internas e que ela nunca saberá ou saberá a hora que ela quiser, porque eu já disse que não vou pressionar, ela não merece, ela não deve ser pressionada e acho que ela nem gosta assim como não gosta de cerveja, assim como não gostou do que eu falei naquela vez e assim como eu não gosto da merda de distância que se instalou entre nós e que me faz tremer toda vez que vejo aquela bolinha verde ali, do lado do nome dela.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Sobre infinitos que se findam e que parecem que nunca voltam a ser e sobre essa história bizarra de eu querer ser o alvo de tudo que você faz, escreve.
Mesmo no meu pior momento do ano, penso em você. Se você se preocuparia e me mandaria uma mensagem perguntando se ta tudo bem porque, olha só... eu ainda acho que você se preocupa comigo e com o que sinto e com tudo que quero te mostrar e com a vida que criei na cabeça que seria linda com você perto. Mas vc não quer mesmo saber. E eu abro mão e te deixo partir, escorrendo pelo vão dos meus dedos e te sussurrando: "a hora que quiser, a porta tá aberta. É só me procurar. Você sabe."

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Tinha uma roda gigante e brincadeiras de criança. Tinha um pé sempre machucado de correr na rua, tinha cabelos compridos e óculos "fundo-de-garrafa", tinha sorriso bobo e leve, tinha calças rasgadas sempre nos joelhos, tinha mil sonhos de ser atriz de novela "igual à Babalu", tinha o ursinho preferido de brincar e tinha a irmã e o irmão do lado, parceiros das brincadeiras sem hora pra começar, sem hora pra acabar.
As brincadeiras hoje mexem com ela, tem o coração esfolado e o sorriso desbotado e uma esperança - só essa ainda a lembra de como era ser criança - que a faz querer mudar o mundo pra que tudo seja lindo, pra que tudo faça sentido, pra que nada acabe, pra que não se machuque, pra que não se magoe, pra que venham pessoas e cuidem dela, pra que haja roda gigante pra trazer sorriso, pra que haja algodão doce, pra que sejam trazidos os pequenos sabores e prazeres que tinha quando era a criança das calças rasgadas nos joelhos. Esperança que ainda brilha nos óculos "fundo-de-garrafa" que ainda usa, esperança que a faz sorrir pro mundo e querer abraçar quem quer que seja que cause uma cócega, ou uma borboleta no estômago.
Esperança que fica e ainda faz com que ela acredite.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Não sobe ainda. Tenho coisas tão bonitas a te dizer. Olha nos meus olhos. Hey! Olha aqui, olha pra mim... Me diz de novo o nome do seu perfume, ri das minhas piadas sem graça e das minhas cantadas de pedreiro, me conta qual o nome do filho que você quer ter. Vamos planejar morar na praia, no campo, mas longe dessa selva de pedras. Me deixa de novo te chamar pra uma cerveja e descobrir que você nem gosta tanto assim de cerveja. Me dá sua mão e sobe a rua Augusta dizendo que não quer ir embora. Ignora minhas mensagens e me manda mensagem quando der vontade de me ver... Não! Não sobe ainda nesse ônibus! Me deixa ainda te falar as coisas que estão presas na garganta e que ainda fazem tanto sentido na minha vida. Deixa eu abrir meu coração, meu dia a dia, meus planos. Não vai ainda... Não busca outra... Me deixa ser essa. Me faz sua! Só não vai agora... Não sobe, não vai! Nâo me deixa falando sozinha e engasgando as palavras e trançando as pernas ao correr atrás do ônibus, de você, de tudo que me faz sorrir. Não vai... não vai.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Abro a janela e sinto seu cheiro, lembro da sua voz me dizendo o nome do perfume que usa e eu, dentro da minha cabeça, respondi: não é o cheiro do perfume, é o SEU cheiro.
O cheiro da sua pele que mistura com o perfume e faz o seu cheiro ser único. Naquela dobrinha atrás da orelha onde eu ficava tempos cheirando, onde nenhuma pessoa tem o cheiro igual a da outra.
Lembro do detalhe das suas unhas, do meu anel enroscando nos seus cabelos, do seu sotaque paulistano carregado que me faz suspirar toda vez que vem à minha cabeça.
E daquelas últimas palavras através de uma tela de celular, sem olho no olho, sem toque, apenas as palavras faladas. Faladas de tão longe que ainda me recuso a acreditar, ainda acho que ainda temos um algo a viver, um beijo a trocar e aí... aí me vem o seu cheiro e me sufoca e me conforta e me traz paz e calma e saudade e desespero e vontade de ir até você e dizer tudo que ficou entalado junto com o gosto do seu beijo, saliva sua, saliva minha, nossos lábios que se encaixam perfeitamente e... o seu cheiro dói.
Procuro nos teus passos
Escassos
Lasços
Os abraços nunca dados
Trocados
Manchados

A sombra do que poderia
Deveria
Precisaria
Ter sido de nós
Tão sós
Sem voz

Espero seu cantar
Ecoar
Ressoar
Através de palavras não ditas
Bonitas
Escritas

Um poema assim pequeno
Sereno
Extremo
Me faz saber que não deu
Se perdeu
No breu

Da saudade incontrolável
Incansável
Desconfortável
Tiro meu sono dessa tarde
Que invade
E arde

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Eu falo, eu quero, eu ajo, mas me calo quando necessário. Meus silêncios quase gritados não chegam ao destinatário.
Acabo por ficar sozinha e gritar pela janela frases sem sentido, sem pontuação, sem espaços: nossacomoeuquerovocêdomeulado!
O vento leva embora e vou achando que vão até seus ouvidos, o que acho difícil, improvável, impossível.
Te sei por outros lábios, outros modos, outros meios. Queria saber-te por uma cumplicidade eu-você sem medo, sem drama, sem cobrança, com sorriso.
Saber o que te faz ser, viver, sentir. Entender teu mistério, teu olhar, teu sorrir. Não te sei mais nada, me vejo enclausurada, calando palavras explícitas na garganta que grita teu nome e engasga a cerveja que substitui teu gosto na minha boca.
Sou um semi-sorriso de canto de boca quando queria ser inteira sorriso teu te fazendo feliz, sorrir, dançar, pirar, vir, estar. E ser. Aqui. Ali. Onde você quiser e disser que tem rima, poesia, calor. Eu acredito, aceito e vou.
Você quer? Então vamos juntas! Vamos seguir, sem medo, sem traumas passados nos assustando, com as pernas bambas e o coração pulsando.
Eu sei. Eu sei mesmo que não é nada fácil segurar essa bronca de querer. Eu já passei por muita querência que em nada deu. Mas eu seguro, eu seguro a barra porque com você eu acho que dá pé. Sim, sem ao menos saber nada sobre você. Eu apenas sinto.
Seria uma pena desperdiçar tudo o que poderia ser de nós. Seria uma pena desperdiçar todo o frio na barriga que já nos causamos. Seria uma pena desacreditar da gente. Você não vê? Não, de jeito nenhum acharei que fomos feitas uma pra outra e essa coisa de contos de fada. Mas acho que nos encontramos pra tentar algo diferente de tudo que já vivemos.
Uma pena mesmo esse gostar desperdiçado, uma pena esse coração despreparado, uma pena esse meu rosto agora todo molhado.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Dois pés no peito.
Nó na garganta.
Embrulho no estômago.
Peso nas costas.
Carga nos joelhos.

O corpo pede descanso...
... de você.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

"E se não for voltar
Faz favor de avisar
Que dói o tempo, passarinho
até eu me acostumar"

Não sei nem se chegou a vir, se chegou a ser. 
Não sei nem se eu cheguei a ser também. 
Mas eu quis que fosse e só desses querer, meu coração saltitou e deu um giro de 360º.
De um modo inesperado ou talvez desesperado.
Agora desesperançado.


Sentido não tenho feito mesmo.
Nem em ações, nem em atitudes, nem em palavras. 
Não seria nessas que eu faria algum.

Apenas vomito minhas expectativas que foram altas em relação a mim.
E a você.
E ao que poderia ter sido "nós",

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Por tras dessa carcaça que faz piada, que gargalha, que enche a cara, que se arruma, que assiste a programas bagaceiros, que tenta agradar, que pinta as unhas, que parece despreocupada tem uma pessoa te olhando e te pedindo com o olhar: "moça, me dá a mão e segue comigo?"

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Tem você a me olhar.
Tende tudo a melhorar.



quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Perdurar

v.t.d e v.i. Que possui grande durabilidade; que dura muito tempo; persistir: a sensação de humilhação pode perdurar por muitos anos.
v.i. Guardar na memória; manter como recordação: perfume que perdura.
(Etm. do latim: perdurare)

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Quarto de paredes verdes. Um sorriso no canto da boca, como se dissesse algo que há tempos não dizia. A porta trancada, não quer que ninguém ouça suas gargalhadas. Seus dedos seguram levemente uma caneta e ela vai deslizando palavras pela folha branca, numa dança-poesia, numa música-sem-melodia.
O dia lá fora tem sol. O peito lá dentro tem cor.
A cama, com lençóis azuis e pijama da Branca de Neve jogado, bagunçada ainda de quando ela acordou daquele sonho com aquele sorriso daquela pessoa daquele encontro. O rádio repetindo a mesma música. Um looping infinito de palavras e sentimentos que ela queria dizer e que acha cedo, mas tem medo de ficar tarde demais.
Ela se leva a sério.Ela leva a sério ser feliz. Ela tem pressa. Mas ela segura.
Um passo desliza pela sua perna e ela começa a dançar pelo chão de piso frio, descalça. Sente um arrepio parecido com o que sente quando lembra dos lábios tocando aqueles outr..."Aaaaaaah, aqueles lábios!", ela pensa quase num pensamento que grita pelos poros e que extravasa toda a saudade que sente, saudade que pede a presença, saudade que chora a ausência.
Destranca a porta do quarto. Sorri meio desajeitada pro pai e pra mãe que estão na sala vendo TV, ela sorri pros cachorros que a esperam na porta do quarto, pro quadro pendurado na parede, pro sol que resolveu sair lá fora, pras plantas que precisam ser regadas. Ela sorri.

domingo, 19 de outubro de 2014

Te observo pelas frestas que crio na minha mente. Te sigo pelo pouco que me mostrou.
Não compreendo muitas coisas. Sinto faltas e vazios e sorrisos e alegrias. Tudo ao mesmo tempo.
Te descrevo com as pontas dos meus dedos. Sigo seus passos com minha imaginação.
Desenho seus cabelos numa aquarela louca na memória para que não me esqueça como são.
Sorrio seus sorrisos. Sonho meus sonhos.
Te desejo, te espero, te procuro em cada pedaço de pessoa no metrô, nas passagens, nas ruas.
Te encontro quando fecho os olhos e retorno aos seus braços,
Te perco. Te acho. Te encaixo em minha vida.
E te peço: vem.

sábado, 18 de outubro de 2014

Meu suco preferido é o de melancia, gosto de dormir de pijama e não com roupas velhas, como temaki sem arroz, passaria o resto da vida comendo só palmito, minha cor favorita é roxo, meu aniversário é em agosto, adoro karaokê, tenho dor de cabeça no dia seguinte de alguma bebedeira, escrevo textos bobos no meio do dia, amo o local em que eu trabalho, sinto falta da minha infância, sou chorona, adoro abraços e sorrisos, tenho sonhos e metas pra realizar nos próximos anos, sou desencanada com minhas roupas, tenho mais tênis do que roupas, usei scarpin durante muito tempo pra ir à balada, sou viciada em redes sociais, parei de fumar por sua causa... Talvez você nunca saiba metade dessas coisas sobre mim. Talvez você nem se interesse em saber. Mas se quiser, me abro e te recebo. E traz palmito, por favor?

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Sobre fazer a diferença:
Você, eu.
Tem feito... Toda a diferença nesses dias cinzas, nessa vida cinza.
Tem colorido, tem sido bonito.
Me sinto viva, me sinto sonho, me sinto leve, me sinto.... sua.
Como não me sentir assim depois de tantas palavras e promessas trocadas? Depois de tantos sorrisos outrora sem cor, agora rosa-lilás-roxo-amor?

Eu sorrio. E flutuo. E me deixo.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

https://www.youtube.com/watch?v=GAJiphRVyhw

Começa assim. Lembra?
Meio que do nada, meio que sem prévio aviso, meio que como uma rasteira... Seus pés pisaram nos meus e em vez de fixarem os meus no chão, apenas os fizeram flutuar. Você me fez sentir de novo. Você me faz sorrir nas horas mais improváveis.
Seu sorriso no meu. A piscada que você dá depois de cada beijo. As expectativas tão, tão correspondidas. A pontualidade que você chegou na minha vida.
A intensidade e o profundo mergulho que dei em seus sorrisos. A sua voz grave me falando coisas inimagináveis em tão pouco tempo.
Eu não quero ir embora de você. E não quero que você vá de mim. Mas pode ser que aconteça. E se acontecer, te digo: obrigada por ter aparecido agora, quando eu menos esperava. Obrigada por me tirar os pés do chão. Obrigada pelos sorrisos nas horas mais cinzas do meu dia.


terça-feira, 30 de setembro de 2014

A menina acordou...

... mas ela não queria. Alguma coisa dentro dela havia pedido a deus, jah, buda, qualquer força superior que a matasse durante a noite. Pediu pra ser morta. Ela queria. Não queria levantar. Mas ela acordou. E então desejou que tomasse um choque enquanto tomava banho e que morresse ali. Mas nada aconteceu. Desejou então ser atropelada ao ir trabalhar. Nada. Um assalto no ônibus, um tiro na cabeça e fim, seria isso... Mas não. Chegou ao trabalho viva. E essa era a parte mais difícil, lidar com essa dor toda estando viva, quando na verdade, ela gostaria de ter morrido. Morrido antes de toda essa dor acontecer, morrido antes de tanta vida. Ela não está se sentindo bem, todos notam. Mas ninguém, ninguém sabe que o desejo dela é ser levada embora, ser jogada do terceiro andar e nunca, nunca mais ter que passar por dor nenhuma,

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

E quando faltam as palavras, releio esse texto:

http://www.elenafilme.com/elena-recomenda/a-carta-por-pablo-villaca/

terça-feira, 19 de agosto de 2014

"Eu hoje joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim..."

(Tendo a Lua - Os Paralamas do Sucesso)

Ontem joguei fora a sua escova de dentes. Não foi fácil. Olhava-a sempre, com uma dor-meio-que-esperança de que você voltasse a usá-la. 
As fotos 3x4 na minha carteira ainda permanecem. O recadinho do café da manhã continua intacto. Todas as outras imagens do que fomos estão ali na minha casa, nas minhas gavetas, na minha vida.
Mas a sua escova de dentes (verde - esperança) foi jogada no lixo. Junto com tantos sonhos e planos que tivemos, junto com tantos planos e sonhos que construí sozinha, muitas vezes.
O amor continua aqui. Não intacto. Muito abalado, aliás. Mas aqui dentro de mim, junto com o perdão que tento todos os dias observar como usá-lo. Não sei as regras de um perdão. 
Não resta raiva. Assim como não resta escova de dentes. Resta apenas uma louca vontade de perdoar. Perdoar-te por tudo. Perdoar-me pela raiva despejada em você.
A escova de dentes não tinha mais função ali, a não ser lembrar-me todos os dias de que você não voltaria a usá-la. Assim como você não voltará a ser parte de nada do que fomos. 



terça-feira, 12 de agosto de 2014

 Tá meio embaçada a visualização. Limpo, esfrego, passo até um Veja. Mas não consigo mais enxergar. Nenhuma flanela seria capaz de deixar tudo claro como eu gostaria que fosse.
 A janela que me faz olhar o que já foi não tem nenhum jeito de ser limpa, clara. Tento observar se existe alguma fresta. Não consigo ver. Se há, alguém me diz? Alguém me mostra? Tudo embaçado. Tudo esquisito.
 Percebo-me olhando pra frente, então. Atrás parece que não me pertence mais. E sinto que não pertence. Mas gostaria de enxergar tudo o que vi. Tudo o que vivi. Talvez eu mesma esteja colocando empecilhos pra isso. Mas sei que foi bonito. Tenho lembranças boas e então, porque tudo se embaça assim, no momento em que eu fico tentando enxergar?
 Nada no momento me diz o que fazer. Sigo meus impulsos e pulo de um passado-não-distante para um futuro-que-talvez-seja-límpido. Assim, sigo. Assim, consigo seguir. Assim, me vejo mais eu.

sábado, 9 de agosto de 2014

Marginal, periférica, de quebrada.

A minha morada é o céu estrelado, O chão gelado, muitas vezes molhado. Um cão estressado caminha ao meu lado É meu único amigo, meu fiel aliado Não fui educado, não fui letrado, estudado ou formado Pareço até bacana quando falo rimado Fumo, sim, o meu baseado E isso não me faz viciado Sou mulato, preto, pardo Carrego na pele, nos traços, nos cabelos, todo o meu legado E você, homem branco, hétero, classe média, mimado Filhote do patriarcado Não vai destruir o meu reinado Na sua visão sou mais um largado, jogado Quantas vezes já ouvi “ah, coitado!” Mas deixo aqui, na lata, o meu recado Não vai ser nenhum homem fardado Falido, cobra criada do estado Que vai olhar nos meus olhos e dizer que eu tô errado.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Eu estendi a mão e quis cuidar de você. Foram anos tentando. Você se esquivou.
Parecia não entender a verdade sobre nós... A minha vontade, tão diferente da sua, tão distante da sua.
Hoje te enxergo de longe. Sei de seu nome sem procurar. Sei dos seus erros em todo o lugar. Você, orgulhosa, egoísta, jamais aceitará que errou (e muito) e que, sim, foi culpada. Jamais entenderá que se hoje não confio em mais ninguém a culpa é sua. Jamais receberá a dor no peito que sinto a cada dia que te sei em outros braços. Jamais respeitará o fato de eu ter lutado tanto, de eu ter ido até o fim.
E, aqui, encerro minha vida eu-você. Começo uma vida apenas eu. E sigo. E canto. E mudo. E vou.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Me agarro a qualquer lampejo do que possa ser amor. Me desvio de tudo aquilo que possa parecer dor. Saio, me esquivo, corro de você e das suas palavras vazias e seus jogos infantis. Pra mim já não serve mais. Hoje, digo isso sem dor, sem machucar, sem lágrimas. VOCÊ NÃO ME SERVE MAIS. Como num grito aliviado, como uma peça de roupa véia!


quarta-feira, 4 de junho de 2014

"O meu tempo é quando"

Se não fossem as surpresas, a graça da vida estaria perdida. Como encarar o óbvio? Como achar que tudo bem ser todo mundo igual? As pessoas nos surpreendem e decepcionam com a mesma intensidade.
Parte do dia tem sido de surpreender-me com novos sentimentos, com novas palavras, com um novo jeito de pensar. O inesperado tomou conta do meu sorriso, que estica vez ou outra por uma piada boba, mas que não tem mais cor. O surpreendente, que parecia impossível, acaba determinando novos rumos: e eu os sigo! Sigo num novo ciclo e num recomeço de mim. Num reconhecer-me estranho. Sinto meu corpo mudar, minha voz mudar, minhas ações se encerrarem. Brindo o novo e despeço-me do antigo. 
A boca emudece, os olhos transbordam, mas assim mesmo, eu sigo! Em rumo do inesperado, do acaso, das novas surpresas que a vida me reserva. Sigo em frente, ando em linha reta buscando novos e tortos caminhos, mas eu ando e vou. Não sei pra onde, não sei por onde... Mas vou.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Olhar-te nos olhos e possuir-te nos pensamentos. Saber-te livre e querer-te assim. Em meu novo mundo onde sussurro em meu próprio ouvido palavras que deveria soprar nos seus, me sinto perdida quando não posso ver-te.
Tua voz percorre todos os meus pelos, arrepia-me a alma e me move, faz-me caminhar. Procuro sentir-te nos segundos em que ficas por perto. Procuro abrigar-me em seus ombros, braços, seios. Estendo-me no chão e faço menção para que sigas, sabendo que meu estranho pensar, implora-te que fiques.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Cortes nos dedos.
Cortes na alma.
O que dói mais? A dor física, que lateja e não me deixa sequer digitar direito ou a dor da alma, que me faz repensar em tudo que ando fazendo/sendo/querendo?
O dia tem sol. Aqui dentro, não.
O dia promete. Eu já não me prometo nada.


terça-feira, 6 de maio de 2014

Sigo serena, tranquila.
Meus passos flutuam no espaço e quase me esqueço do que fui.
Há ainda dor. Há ainda amor.
Mas há também uma vontade de viver, de respirar, de me conhecer, sem me sufocar.
Há uma saudade, há cor.

E há amor. Mais do que nunca.... Amor por mim, pelo que sou.
Há amor.


domingo, 27 de abril de 2014

Cenário: Circo
Um único artista: a mulher-palhaça
Público pagante: 1
Público convidado: 0

Black-out. Apenas acende-se a luz do picadeiro. Entra a mulher-palhaça.
Ouve-se o grito do público-pagante: "Eeeee! Nossa, que linda! Isso! Maravilhosaaaa! Ahahaha! Que genial!!!"
A mulher-palhaça dá um passo para a esquerda e abaixa para amarrar os sapatos: "Incrível! Isso! Ahahaha. Maravilhosa, mesmo! Linda, linda! Ahahahaaha!"
Mulher-palhaça mostra-se um tanto constrangida, mas continua com suas ações rotineiras e espirra, devido aos seus problemas respiratórios: "Ah, tadinha. Nossa, que dó... Como faço pra ajudar? Precisa de algo? Quer remédio? Quer que eu vá até aí?".
A mulher-palhaça finge não ouvir nada daquilo, mas põe seu olhar bem dentro do olhar do público-pagante, como se quisesse dizer algo. Mas cala-se.
A mulher-palhaça, então, resolve que vai sentar e calar-se, por quanto tempo ela achar necessário. O público-pagante vai ao delírio: "Isso, fica quieta mesmo, assim que é bom! Fica quieta mil vezes!".

A cena vai se desenrolando durante dias, meses... Ali, apenas a mulher-palhaça e o público-pagante se entendem. O resto do mundo prefere se abster de estar próximo disso tudo. O resto do mundo tem mais o que fazer. Exceto eu que narro essa história, com olhar de quem não tem mais nada a fazer, a ganhar ou a perder.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

And so it is.

Acaba tudo em piada. Em meme. Nas mensagens nunca mais respondidas.
Então é isso, suas roupas não mais caberão no meu guarda-roupas, seu sorriso não mais se encaixa no meu como peças de Lego, seus dedos não mais tocarão meu rosto de modo leve, deslizando pelos meus poros, meus pelos, meus seios, suas fotos não terão mais tanto brilho, seu riso parece mentiroso, sua boca parece querer dizer tanto e você se cala.
Então é isso, não há conto de fadas, não há pra sempre, não há vida após o fim, não há lembranças do primeiro beijo, da primeira declaração de amor, da primeira gargalhada, da primeira briga. Não há lembrança dos dias de sol embaixo das árvores, dos dias chuvosos com vinho e cobertor, não há lembrança de mais nada.

Suas piadas, sua ironia, seu sarcasmo que entregam o que você nega, me faz acreditar que então é isso. Que não há mais nada. Que não há verde-da-cor-da-esperança.

I can't take my mind off you.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Então, depois de tudo, te sei muda.
Depois de todos os toques, carinhos, carícias, promessas, juras, amores, sobra-me o silêncio que vem daí. Um silêncio mais ensurdecedor do que qualquer grito agudo.
Vem como uma espada e crava em meu peito - e ouvido -  que não sou mais. Grita pra mim que não sou mais.
Deixo de ser, apenas.
Atento-me ao seu pedido calado e tento me manter também calada. Minhas palavras escorrem pelos dedos e tomam forma nessa tela em branco, antes pintada com tanta cor, hoje prevalecendo o cinza e a dor.
Como tentar esquecer tudo que fomos, se pra mim, ainda somos?
Como tentar entender tudo que passa, se pra mim, não tem mais graça?

Ainda sinto seu aroma pelos lençóis, travesseiros e até pelo meu corpo desnudo.
Ainda sinto seu toque chegando, de mansinho, me acordando e fazendo carinho.

E o silêncio, esse que transborda de você, me faz mais uma vez adoecer.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Hoje é 23 e meu peito desaba só de lembrar essa data. Hoje é 23. E seu sorriso sorri à distância.
Hoje é 23 e eu já não sou mais quem eu era. Cadê o chão por onde eu caminhava e onde havia cor?
Hoje é 23 e nada faz mais sentido...

quarta-feira, 16 de abril de 2014

"Parece que foi sonho!" - pensei em voz alta.
O ambiente onírico me vem a mente toda vez que me lembro do nosso último encontro. Você, ali, parecia aquela menina de 2009. Aquele sorriso com o olhar, aquelas lágrimas escorrendo pelo rosto, aquela inocência.
Eu senti meus joelhos falharem e achei até que não ia conseguir ficar mais de dez minutos ao seu lado.
Mas então, as palavras foram saindo, sem fazer força, sem forçar a cabeça, a mente... Foram apenas deslizando pelas cordas vocais e saindo, saindo, saíram.
Atingiram seu peito e senti você se abrir (não por completo, você ainda tem aquela mesma coisa de sempre de não se deixar abrir) e me deixar entrar, mais uma vez, onde é meu lugar.
Mas meus medos ainda estão aqui. Os seus ainda estão aí. A gente ainda dá voz a eles, na maioria das vezes. Temos medo de lutar. E é por esse medo, que me afasto. E é por esse mesmo medo que tento me aproximar. Uma confusão aqui dentro, uma confissão aqui fora.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Ando perdida, sem chão. Tropeço em meus pensamentos. Sorrio, vez ou outra. 
Procuro em meio à multidão seus olhos. Não os encontro. Finjo que está tudo bem, abraço a solidão e danço. Sozinha.
Esqueço-te por segundos. De repente, com os olhos fechados e dançando-me, sinto seu cheiro. Seu gosto específico. Sinto seus braços enlaçando-me. 
Os olhos se abrem e sinto o vazio. Os soluços se tornam presentes.
A vida mudou, tento compreender. Tento compreender que seu sorriso já não sorri mais pra mim, que outros braços seguram seu corpo (esse corpo que eu quis tanto proteger de tudo), que sua boca já quase não emite as letras que formam meu nome.
Me calo. E finjo. Aprendi com o mundo a ser fingidora. A fingir sorriso quando os olhos querem lágrimas. A fingir alegria quando o peito quase explode de dor.

Os dias têm sido difíceis. Mas seu cheiro presente em tudo que eu faço, parece me acalmar.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Só pra te lembrar que conheço cada detalhe do seu corpo: o que você gosta e o que você odeia.
Conheço cada pinta que interligadas formariam a galáxia mais bonita do mundo. Você sabe disso, né? Que todas as pintas do seu corpo, interligadas, formam a mais bonita galáxia.
Conheço seus cheiros, desde aquele ali bem perto do pé do ouvido até o cheiro das suas curvas.
Seu sorriso-gargalhada, que fazem seus olhos se espremerem quando ri. Conheço, também, aquele fio bem no topo da sua cabeça que você não deixa ninguém mexer.
Conheço seus dentes. Sua marca de cigarro. Sua música preferida. Sua roupa preferida.
Conheço seus domingos a tarde e conheço seu riso noturno.
Sua língua, seus gestos. Sua vida, seus gostos.
Conheço seu abraço apertado e o som que faz quando você pisa.
Conheço tudo tão bem que ao afastar-me, me sinto perdida...

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Acordei, como que em um impulso, já quase levantando da cama e tateando o nada. Acordei assustada, correndo. Estava atrasada. Olhei ao meu redor e tudo aquilo que era escuridão quase me devorava. Deu medo. Suei frio. Coração acelerou.

Não enxergava minhas mãos, mas as senti tremer como nunca havia sentido antes. De repente, um espelho. Enxerguei-me nua: por dentro e por fora. Enxerguei tudo o que eu não queria ver. E tudo aquilo que eu precisava observar em mim.

O espelho era a única coisa iluminada em meio à imensa escuridão. Só conseguia ver-me: ventre, tripas, veias, dores, cortes, traumas, cores. Por alguns instantes, olhei tudo com nojo de mim. Nojo daquilo que deixei aberto, que nunca permiti cicatrizar. Logo, comecei a observar as cores. Cinzas, vários tons. Em meio ao cinza, surge um vermelho escarlate que logo começa a se transformar em vinho até tornar-se lilás-rosa-azul. Eu gostava do que via, então. Observei mais profundamente, notando as coisas mais bonitas dentro daqueles tons multicores. Sorri um sorriso bobo. Sorriso que rangia ao ser aberto – parecia um riso enferrujado, que há eras eu não sorria.

Analisei-me profundamente. Desde o meu mais íntimo desejo ao meu mais pavoroso medo. Observei todos os monstros que já matei em minha caminhada. Observei, também, as metamorfoses em minhas borboletas internas. Observei as mudanças de cores e a vida presente em mim. O sorriso agora saía sem ranger. Abria-se uma porta no meu corpo. Deixava-me aberta.

Lembrei-me enfim, de que estava atrasada. Atrasada para que, pergunto-me? Meus olhos, que continuam a observar-me no espelho, sorriem e respondem sem sequer emitir som algum: estava atrasada para entender-me.

terça-feira, 1 de abril de 2014

"No entanto a tua presença 
é qualquer coisa como a luz e a vida 
E eu sinto que em meu gesto 
existe o teu gesto e em minha voz a tua voz..."
(Ausência - Vinícius de Moraes)

Abandono o desejo de ver-te (e será que abandono mesmo?). Abro mão das minhas vontades. Seguro no ar o abraço vazio. No instante em que você foi embora, meus braços enlaçaram o nada. E assim, permanecem. Meu olfato ainda sente o cheiro dos teus cabelos. O cheiro que pairou no ar quando você virou as costas. Meus olhos ainda seguem teus passos (eles conhecem bem onde você pisa). De longe, observo-te. Na cabeça, nas lembranças, aquele beijo que faltou no fim. 
Hoje sou a completa lembrança. A lembrança daquele futuro imaginado.

sexta-feira, 28 de março de 2014

São Paulo, 14 de agosto de 2009

Foi bom encontrar você. Conhecer seus lábios, saber que você sorri. Saber que talvez seu sorriso possa fazer parte do meu mundo.
Foi lindo ouvir a sua voz e entender que eu posso ser feliz nem que seja por alguns instantes.






São Paulo, 28 de março de 2014

Cadê seu abraço, seu sorriso, sua gargalhada? Cadê sua voz de sono ao telefone, me dizendo bom dia?
Tá pesado, tá terrível. Tá quase impossível.
Nada tem feito sentido. Ando por osmose, meus pés me levam e eu nem sei pra onde.
Me perdoe por não ser perfeita. Te perdoo pelo mesmo.
Segue comigo? Me dá sua mão? Não desapareça, não vire memória, lembrança. Te quero do meu lado. Não lá atrás...
Vem ser feliz?

quarta-feira, 26 de março de 2014

Do roxo, a cor favorita, que escorre pelos olhos deixando aparentes as noites mal dormidas.
A esperança de um "oi" na madrugada a embala para mais uma noite picada. Noites em que sufoca o pranto no travesseiro.
O abraço da mãe. O afago e as palavras de "tudo vai ficar bem" vêm como uma esperança a pousar em seu coração.
Abre os olhos. Ainda não é hora. Não consegue mais. Desiste de dormir e parte a descrever-se em palavras pensadas. "Preciso de um novo caderno para escrever" pensa consigo mesma.
Ao seu lado, falta a mão que acariciava seu seio dando boa noite. Sobre as cobertas, não pesam mais as pernas que enganchavam nas suas.
Falta abraço. Sobra espaço.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Não bastasse o sono picado, agora durmo em um colchão. Um colchão no chão no qual nem consigo abafar o choro direito. Desabo em prantos entre lençóis e me pergunto, mais uma vez: onde está o meu erro?
Meu erro? Porque meu?
E assim, sigo as noites entrevadas. Batucando em minha mente, apenas alguns trechos de Chico "metade amputada de mim... Metade arrancada de mim..."
Nem faço mais sentido.
Nem sei se quero fazer algum.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Madrugada.
5:00.
Levanto: café, cigarro, lágrimas, cama.
O cheiro no pijama.
Os sonhos na cama.
A vida na lama.


Manhã.
7:37.
Atrasada: banho, café, vômito, dor.
A verdade ocultada.
A cabeça arrasada.
A vida descontinuada.