terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Passado-presente

Olhou a seu redor pra ver se ninguém espiava o que ele fazia. Tremia lembrando do que havia passado nesses anos sem notícias e, de repente, aparece ali, na tela do seu computador, com uma solicitação fofa, dizendo: "acho que podemos voltar a nos falar, não?". Mentalmente ele respondia bradando: "Não, não podemos!". Mas no fundo, ele queria dizer tudo aquilo que ficara engasgado quando o ir embora tornou-se um ato comum, como andar. Ir embora, nesse caso, não precisou nem de um adeus. Apenas o telefone desligado, os e-mails não respondidos e os presentes nunca entregados.
Nesses anos todos, foram uns cinco, seis, ele jamais imaginou que um dia veria novamente aquele sorriso, mesmo que fosse através de uma tela. Ficava se achando o cara masi infantil do mundo. O tempo havia passado, muitas histórias aconteceram na sua vida, mas essa não passou. E em todos esses anos, ele nunca soube que não passou, soube apenas ali, quando recebeu aquele oi escrito em uma tela branca.
Foi cerca de uma semana até achar que poderia voltar a ter contato. Porque não? Tinha curiosidade em saber os caminhos que Alexandre seguiu, as coisas pelas quais ele passou. Alexandre sempre foi interessante. Interessantíssimo, aliás. E agora se tornou um homem, cheio de tatuagens (na época havia apenas uma e outra nos planos), formado em jornalismo, exercendo da melhor forma a sua profissão. E ele ali, estagnado, na sua vidinha... Na sua vidinha que parou, deu-se conta, no momento em que Alexandre deixou de atendê-lo. Ele mal sabe contar quantas vezes esteve com Alexandre. Mal sabe dizer o que houve entre eles. O que ele sabe é que jamais tiveram uma relação, mas ele se apaixonou. Naqueles poucos beijos, naquelas poucas noites e tardes e conversas e... "É, não foi pouco.".
Um sorriso brotou em seus lábios e deu-se conta de que ele realmente quer Alexandre por perto. Seja como for.