segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Da dor passada e/ou do ainda bem!

Quando doía, eu escrevia com mais frequência.
Fosse aqui, fosse na mente, fosse em páginas rasgadas e depois jogadas fora.
Quando doía uma dor insuportável, escrever era tudo o que eu mais queria e era o único remédio que fazia a dor passar.
Mas agora, agora não dói mais.
Agora as palavras que tomavam papés e páginas virtuais e mente insana e insone tomam forma de sussurro ao entrar pelos ouvidos dela.
As palavras não têm mais peso e simplesmente vão escorrendo pelos meus lábios até repousarem em seu coração.
Longe de toda a dor, as palavras saem para dividir guarda-chuva, carro, metrô, paisagem, grito, delírio, suspiro, socorro, verde, pluma, cor, cor, cor.
Longe de toda a dor, as palavras soam como gotas de arco-íris.
A te colorir.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Carta Anônima - Caio Fernando Abreu




Tenho trabalhado tanto, mas penso sempre em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assentada aos poucos e com mais força enquanto a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos. Tão transparentes que até parecem de vidro, vidro tão fino que, quando penso mais forte, parece que vai ficar assim clack! e quebrar em cacos, o pensamento que penso de você. Se não dormisse cedo nem estivesse quase sempre cansado, acho que esses pensamentos quase doeriam e fariam clack! de madrugada e eu me veria catando cacos de vidro entre os lençóis. Brilham, na palma da minha mão. Num deles, tem uma borboleta de asa rasgada. Noutro, um barco confundido com a linha do horizonte, onde também tem uma ilha. Não, não: acho que a ilha mora num caquinho só dela. Noutro, um punhal de jade. Coisas assim, algumas ferem, mesmo essas que são bonitas. Parecem filme, livro, quadro. Não doem porque não ameaçam. Nada que eu penso de você ameaça. Durmo cedo, nunca quebra.
Daí penso coisas bobas quando, sentado na janela do ônibus, depois de trabalhar o dia inteiro, encosto a cabeça na vidraça, deixo a paisagem correr, e penso demais em você. Quando não encontro lugar para sentar, o que é mais freqüente, e me deixava irritado, descobri um jeito engraçado de, mesmo assim, continuar pensando em você. Me seguro naquela barra de ferro, olho através das janelas que, nessa posição, só deixam ver metade do corpo das pessoas pelas calçadas, e procuro nos pés daquelas aqueles que poderiam ser os seus. (A teus pés, lembro.). E fico tão embalado que chego a me curvar, certo que são mesmo os seus pés parados em alguma parada, alguma esquina. Nunca vejo você - seria, seriam? Boas e bobas, são as coisas todas que penso quando penso em você. Assim: de repente ao dobrar uma esquina dou de cara com você que me prega um susto de mentirinha como aqueles que as crianças pregam umas nas outras. Finjo que me assusto, você me abraça e vamos tomar um sorvete, suco de abacaxi com hortelã ou comer salada de frutas em qualquer lugar. Assim: estou pensando em você e o telefone toca e corta o meu pensamento e do outro lado do fio você me diz: estou pensando tanto em você. Digo eu também, mas não sei o que falamos em seguida porque ficamos meio encabulados, a gente tem muito pudor de parecer ridículos melosos piegas bregas românticos pueris banais. Mas no que eu penso, penso também que somos meio tudo isso, não tem jeito, é tudo que vamos dizendo, quando falamos no meu pensamento, é frágil como a voz de Olívia Byington cantando Villa-Lobos, mais perto de Mozart que de Wagner, mais Chagal que Van Gogh, mais Jarmush que Win Wenders, mais Cecília Meireles que Nelson Rodrigues.
Tenho trabalhado tanto, por isso mesmo talvez ando pensando assim em você. Brotam espaços azuis quando penso. No meu pensamento, você nunca me critica por eu ser um pouco tolo, meio melodramático, e penso então tule nuvem castelo seda perfume brisa turquesa vime. E deito a cabeça no seu colo ou você deita a cabeça no meu, tanto faz, e ficamos tanto tempo assim que a terra treme e vulcões explodem e pestes se alastram e nós nem percebemos, no umbigo do universo. Você toca minha mão, eu toco na sua.
Demora tanto que só depois de passarem três mil dias consigo olhar bem dentro dos seus olhos e é então feito mergulhar numas águas verdes tão cristalinas que têm algas na superfície ressaltadas contra a areia branca do fundo. Aqualouco, encontro pérolas. Sei que é meio idiota, mas gosto de pensar desse jeito, e se estou em pé no ônibus solto um pouco as mãos daquela barra de ferro para meu corpo balançar como se estivesse a bordo de um navio ou de você. Fecho os olhos, faz tanto bem, você não sabe. Suspiro tanto quando penso em você, chorar só choro às vezes, e é tão freqüente. Caminho mais devagar, certo que na próxima esquina, quem sabe. Não tenho tido muito tempo ultimamente, mas penso tanto em você que na hora de dormir vezemquando até sorrio e fico passando a ponta do meu dedo no lóbulo da sua orelha e repito repito em voz baixa te amo tanto dorme com os anjos. Mas depois sou eu quem dorme e sonha, sonho com os anjos. Nuvens, espaços azuis, pérolas no fundo do mar. Clack! como se fosse verdade, um beijo.
(Pra você, que faz dois dias parecerem mil anos, que toma conta do meu pensamento e preenche o vazio dos meus dias. Com açúcar, com afeto.)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009


"Simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti..."
3.
Os 3 mais felizes.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Tocou-me mais que o corpo.
Tocou-me a alma.
Leve, flutuo colorindo o cinza da cidade.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sobre a saia da garota da Uniban. Ou sobre a garota da saia da Uniban.

Eis que o país fica atento - mais uma vez - a um fato de extremo sexismo e preconceito de gênero. (E eu, inocente que sou, acreditando que isso não existia mais).
Eu, como mulher, fico me perguntando agora o que é que irá acontecer. Após a garota ser expulsa por usar uma saia curta... Ou melhor, por provocar os alunos com sua saia curta (argumento este utilizado pela instituição de ensino!). E então, os alunos sentiram-se "ofendidos" pelas pernas da moça em questão que estavam de fora. Se são belas ou não (as pernas) não vem ao caso. O caso é a forma como tudo foi tratado. Desde a gritaria dos alunos até a expulsão da moça.
Se ela provocava, se ela mudou o trajeto pra mostrar o vestido (ou as pernas), se ela quis que olhassem... Qual o problema? Quantas mulheres não passam frente a obras para serem cortejadas? Quantas mulheres não adoram passar na frente de bares com roupas mínimas pra chamar a atenção? Não sou contra nem a favor desse tipo de atitude, visto que não dizem respeito a mim. Eu não as faria, isso é fato. Mas porque julgar alguém que as faça? Porque, mais ainda que julgar, expulsar a garota da instituição de ensino se na realidade ela foi a vítima de chacotas, gracinhas e xingamentos de colegas de faculdade? Onde é que está o livre arbítrio, o direito de ir e vir?
Os rapazes passeiam pelas ruas sem camisa, exibindo peitorias, barrigas - vez ou outra bem fora de forma. E a moça não pode nem usar uma saia curta.
Sou a favor da repreensão, já que a Universidade diz que isso foge às normas e regulamentos da faculdade, mas sou contra toda e qualquer forma de opressão.

(E já estou até vendo a capa da Sexy "Veja você o que nem os alunos da Uniban viram". Porque, né? Acho eu que ela bem vai tirar proveito da situação.)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Exposição imperdível.


Exposição do livro “O Pequeno Príncipe”, do piloto francês Antoine Saint-Exupéry publicado em 1943, conduz o público a uma viagem pela vida do escritor.

A Oca, no Parque Ibirapuera, expõe o material das 9h às 19h, com entrada Catraca Livre às terças-feiras.

O primeiro andar é composto por cubos, cada um representa um trecho do livro. Já no subsolo está recriado as viagens do piloto.

E no primeiro andar estão os cadernos de viagem e ilustrações originais de Saint-Exupéry.

O Que: “O Pequeno Príncipe” na Oca

Quando: Ter 27/10 das 09:00 às 19:00

Quanto: Catraca Livre*

Onde: Parque Ibirapuera Endereço: Pavilhão Lucas Nogueira Garcez , Av. Pedro Alvarez Cabral, s/n° - Portão 03


Obs: *Grátis às terças-feiras. Classificação Livre.As informações acima são de responsabilidade do estabelecimento e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.
(Eu fui pagando, afinal às terças-feiras, estou trabalhando. O valor? R$18,00. E olha, vale cada centavo!!!!)