sexta-feira, 24 de julho de 2009

-Ei, moço! Você aí, na fila do ônibus! Não vai embora agora... Olha pra mim, olha! Deixe-me ver se realmente é você que tem o olhar mais doce do mundo, que me faz derreter. Sim, é você. Não quero dizer seu nome, quero que você pareça um desconhecido e quero que agora seja como se fosse nosso primeiro contato. Talvez se começarmos do zero você possa me olhar de um modo diferente. Deixa eu lhe pagar um jantar, deixa eu me apresentar, deixa eu te fazer rir das minhas piadas de humor negro e do meu cotidiano entediante. Espera, espera mais um pouco. Vamos nos conhecer. Me deixa re-descobrir qual música dos Beatles é a sua favorita, me deixa pagar um vinho caro e você fazer cara de 'eca' quando experimentar, deixa eu te dizer coisas bonitas no ouvido. Eu te deixo tocar meus pontos fracos, te deixo brigar com meu cachorro que não sabe deixar nenhuma visita em paz, eu deixo você comer todos os pêssegos em calda da geladeira. Eu aceito seu convite pra assistir 'Duro de Matar' um, dois, cinco... Aceito sorrindo. Eu quero re-descobrir qual é o perfume que te causa alergia. Não vai ainda, não. Me deixa te conhecer... Deixa eu te fazer meu, deixa eu descobrir que te amo e que não quero que você parta nunca... Deixa eu rir da sua foto na carteira de motorista. Deixa eu ouvir sua voz dizendo "o prazer é meu, mocinha." Vamos fazer de hoje o início... vamos? Por favor, não sobe aí, não. Não entra nesse ônibus. Você não me ouve? Por favor... Não! Motorista, não deixa que ele vá... Não hoje, não agora! Não acelera! Não... não... (suspira) E eu... eu só queria te amar por mais um dia.

terça-feira, 21 de julho de 2009

"Desisto. E eis que na mão fraca o mundo cabe." (CL)

Sem rimas. Essa paixão aconteceu assim. Sem rimas de bom dia, sem belas melodias, sem sorrisos constantes.
Essa paixão foi (ou é?) cheia de confusão, cheia de estranheza, marcada pela falta de você no dia a dia.
E desisto... confesso.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Sobre sonhar.

Ela esperava algum sinal. Algum sinal pra que começasse o desapego, já que sozinha ela não conseguia.
Podia ser um caminhão de frutas, um cego pra atravessar a rua, aranhas que batessem à sua porta, um sonâmbulo jogando seu filho pela janela, uma visita noturna ao seminarista, cair em poços profundos e não conseguir sair, um rato com barriga de porco. Qualquer sinal para que ela pudesse dar o primeiro passo e seguir adiante.
Mas ela não teve nenhum sinal. Nem um.
Sentou-se, colocou a cabeça por entre os joelhos e ali ficou. Esperando algo que não viria e que nunca veio. Envelheceu ali, como um girassol artificial. Empoeirou, criou teias e não quis se mover dali nunca mais.
Eu nunca soube o que a fez ficar parada esperando algum sinal. Ninguém nunca soube. Ela, em sua solidão, não deixou que ninguém soubesse do que a anestesiou para sempre.
Sempre há um novo começo. Pra mim e pra muita gente. Mas nunca sabemos o tamanho da pedra amarrada ao pescoço de alguém e que o impede de andar. Nunca sabemos.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O que ninguém sabe é que por trás do scarpin vermelho e da pose de mulher fatal encontra-se uma criança que precisa de colo. O que ninguém sabe é que depois de passado o efeito etílico, as gargalhadas, fica um coração ferido e machucado por tudo ao redor. O que ninguém sabe é que ao olhar-se no espelho e deparar-se com o rosto borrado da maquiagem as lágrimas escorrem de modo incontrolável. O que ninguém sabe é que ela sempre diz que dessa vez quer é ficar sozinha, mas que seu maior desejo é ter alguém que diga que ela está linda todo dia ao acordar. O que ninguém sabe é que a armadura e a fortaleza sempre caem assim que ela encosta a cabeça no travesseiro e sonha os mais lindos sonhos. O que ninguém sabe é que ela ouve o tempo todo que as pessoas a amam e se importam, mas ela queria é que outras pessoas a dissessem - e sentissem - isso por ela. O que ninguém sabe é que ela flerta até com pedra, mas que ela não quer apenas estes flertes, ela quer um alguém pra sempre. O que ninguém sabe é que atrás da pessoa disposta a tudo, encontra-se um alguém cansado de procuras, de perguntas e de quedas.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Noêmia, a bruxa

- Noêmia! - gritou a vizinha - Explodiu, Noêmia! Explodiu!

Noêmia olhou pela janela sem entender.

- Noêmia, eu tô falando! Explodiu! Olha o cachorro todo chamuscado, olha! Olha!!!

Noêmia, correu com dificuldade pra fora da casa. Tudo poderia ter explodido, mas o cachorro não! Olhou e viu os pelos do cachorro enegrecidos. Pegou o cachorro no colo - um vira-latas de porte médio - e o acariciou.

- Ah, Fiote. Que bom que nada aconteceu com você, vamos tomar banhão, vamos?
Fiote a olhou consentindo com o banho.

- Noêmia! - escandalizou-se a vizinha - Você não tá vendo? Meu fogão explodiu! Me ajuda aqui!

- Já apagou o fogo? Já chamou o bombeiro? Se já fez tudo isso, não tenho o que ajudar. Bora, Fiote. Vamo pro banhão.

A vizinha não entendeu nada. A cozinha dela preta, queimada e Noêmia indo dar banho no cachorro. Mas Noêmia tinha suas prioridades. E, definitivamente, Fiote era a maior das prioridades. Fiel, amigo, companheiro, nunca a havia deixado na mão. Quando Oswaldo faleceu (Oswaldo era o marido dela) ela prometeu que cuidaria do cachorro como se fosse seu filho. Ela nunca conseguiu engravidar. E, desde a morte de Oswaldo, passaram-se quatro Fiotes por Noêmia. Mas não passou mais nenhum Oswaldo. Ela não havia prometido nada ao marido sobre outros homens, mas prometeu pra si mesma. E nada mais importava na vida dela. Só ela e Fiote.


(Levemente inspirada nas alucinações matinaid e Paulo Duek e na 'bruxa' da Vila Maria Zélia, uma senhora que enlouqueceu depois que o marido a deixou.)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Explicando o post anterior que uma única pessoa entendeu.

04.07.2008
Ligação.
Jardineira*: "Nhaí, gata? Vai fazer algo amanhã? Uma amiga tá organizando uma festa e eu tô fazendo uma lista vip e tal. Afim de ir?"
Eu: "Ah, sei lá. Põe meu nome aí, talvez eu vá."
Jardineira: "Arrasou. Vamos, então."
Eu: "Então tá...Amanhã nos falamos. Beijo."
Jardineira: "Beijo."

Trabalha de cá, trabalha de lá, o dia passa. Noite. Encontrar amigos no metrô Consolação. Jardineira passa apressadamente com fone nos ouvidos. Eu grito pelo seu nome e ela não me ouve. Penso em como chamar a atenção. SMS.

De: Eu Para: Jardineira
"Acabo de te ver na consolacao e voce nem me deu bola."

Minutos depois, vem a resposta.

De: Jardineira Para: Eu
"Imagina que eu nao te daria bola. Ta indo pra onde?"

De: Eu Para: Jardineira
"Bar da loca com uns amigos. Bora?"

De: Jardineira Para: Eu
"Talvez mais tarde eu passe lá, mas te ligo."

De: Eu Para: Jardineira
"Liga mesmo. Aproveita minha fase Shane. Beijo."

Bar da loca com os amigos, cerveja gelada, conversa furada, papo bom, risadas, gargalhadas.
Não recebo nenhuma ligação e resolvo ligar:
Eu: "Alô. Não vem pra cá, não?"
Jardineira: "Ah, têm uns amigos pra chegar aqui ainda... Vem pra cá você."
Eu: "Tá, vou ver aqui com meus amigos e se der vamos praí. Aliás... onde você tá?"
Jardineira: "Aqui no Bambu, na Hadock. Sobe aqui, é pertinho."
Eu: "Vou ver aqui se vamos. Beijo."

Convencer os amigos a sair do local de sempre pra ir ao Bambu não era nada fácil. Mas tempos depois foram solidários à mim e fomos à Hadock.
Chegamos, mesa cheia, colocamos mais cadeiras, conhecemos todos da mesa, rimos, brincamos, flertamos, fizemos piadas mil. E um frio absurdo. Jardineira vai ao banheiro e volta com as mãos geladas. Aquece as mãos em minha perna. (Cheiro de flerte no ar.). Olha pra mim e diz: "Tá frio. Faz alguma coisa pra esquentar." Foi a deixa. "Vraaaau". Beijo, beijo, beijo. Mais beijo. E o frio passa.
E então, desde esse momento, passou-se um ano. Um ano inteiro de coisas bonitas e coisas não tão bonitas vividas ao lado da Jardineira. Um ano de amor que muda, que se transforma, vira raiva, mágoa e retransforma-se em sentimento de bem-querer. O mais belo dos sentimentos. E, assim, tenho meu ano novo. O mais bonito. O que me fez crescer e mudar e ser a rosa mais bonita do jardim.


Em tempo: Conheci Jardineira virtualmente, em 2006. Nos vimos uma vez em 2007, em Florianópolis e daí até 04.07.2008 apenas nos falamos via msn, telefone e sms.

*Nome fictício para preservar a privacidade da envolvida.

sábado, 4 de julho de 2009

quinta-feira, 2 de julho de 2009

...

Queria ouvir, saindo suave a sua boca: Hoje chove e gostaria de você aqui deitada comigo, olhando as gotas caírem através do vidro das janelas que embaçariam com a nossa respiração e queria te dizer que preciso de você sempre por perto fazendo chuva ou sol e em dias nublados e em todos os outros dias porque é do seu lado o meu lugar, embaixo desse edredon ou em cima dele e no chão, na pia, na sala e porque não na rua, nas praças, nos cinemas e eu só queria isso: você aqui porque chove e se você está por perto o dia fica mais claro e até parece verão.
Mas eu sei, você não me dirá isso. Nem hoje e talvez nunca diga
.E sabe de uma coisa? Prefiro assim. De alguma forma te tenho, mesmo que na imaginação.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Do meu jeito

Enquanto outros olhos, outras mãos estão em você, eu te namoro assim. Quieta, sozinha, escondida.
Me escondo por tras das cortinas e te espio. E você nunca nota a minha presença. Mal sabe que te observo por onde você for. Estou no espelho que te fita, estou nas ruas onde pisa, estou em lugares onde você não imagina.
Te beijo toda noite antes de dormir e sussurro o boa noite mais bonito, te leio as mais belas histórias e canto todas as lindas melodias que sei. Pra que sua noite (e a minha) seja tão linda e graciosa quanto você é.
E te namoro sossegada, tranquila. Enquanto você namora tantas outras faces, tantos outros beijos e nina tantos outros corpos.