quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Porque você haveria de se importar com o que dói aqui?
Porque?
Porque precisaria dar alguma notícia, porque responder, porque procurar?

Pois então...
Fico na minha de vez.

terça-feira, 28 de outubro de 2008


"devia ser proibido
uma saudade tão má
de uma pessoa tão boa
falar, gritar, reclamar
se a nossa voz não ecoa."
(Devia Ser Proibido - Alice Ruiz)

Muitas coisas me povoam hoje. Mas, antes de tudo, uma saudade desgraçada que rasga o peito e o faz em pedaços.
Quero os dias de sorrisos e comilanças e gracinhas e sussurros e passeios e brisa e toques e conversas e palavras e segredos e sentidos e bobeiras... Quero esses dias de volta.
Escrevo com olhar embaçado, com o olhar úmido, com um aperto no peito, com uma vontade sair correndo daqui e chegar aí, abraçar, apertar, sorrir. Porque a falta que me faz, não tem tamanho, não tem sentido....
As perguntas sem respostas, as tantas interrogações do que era uma certeza tão enorme.
Eu, finalmente, desisti de entender. Eu apenas sinto.
E você, mulher, menina, dançarina, fada, espanhola, sorriso, sabe bem que é por você tudo isso que guardo em mim.
Não esquece, nunca, que és a parte que mais me faz bem. E a que mais me confunde, também.
*Imagem por Orlando Pedroso (http://www.fotolog.com/orlandopedroso)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008




Nessa terça (28/10), ingressos a R$2,00.
Chegar com antecedência pra garantir seu lugar... (A bilheteria abre duas horas antes do início do espetáculo...)

E na própria bilheteria, estarei eu!

Bora?

"Tu vens, tu vens."

Danças, assim, na minha frente e fazes meus olhos brilharem.
Abraço-te, em pensamento, e sinto teu cheiro impregnado no dia que começa.
És dia, és noite, és sonho e és real.
Tens de mim todo o melhor.
Tens de mim o amor que jamais sonhei dar a alguém.

Sei bem o caminho a seguir.
Sei bem que tu estás nele.
Sei bem que seus cachos me guiam.
Sei bem o som chiado gostoso que desejo ouvir.

"Eu já escuto teus sinais..."

sábado, 25 de outubro de 2008

Ah, sim...

"Eu não tenho mais a cara que eu tinha.... Eu não encho mais a casa de alegria...."


Na voz de Nando e Arnaldo.
Eu me acabo.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

da força que nunca (?) seca.

Seria pedir muito querer apenas uma palavra?
Ou seria pedir muito que promessas fossem cumpridas?

Ando pedindo demais.

Então, não abro mais a boca pra nada.
Sinto um vazio e me seguro pra não desmoronar.
E nem um grito mais eu solto.
Fico presa aqui, como as palavras se prendem em minha garganta.Fico presa em ti. Como sempre estive em todos os momentos, desde o primeiro.
Não evito sentir nada. Mas não quero sentir algumas coisas que tanto têm me incomodado.
Disfarço-me de colorida pra resguardar meu cinza só pra mim.

Seria pedir muito apenas uma, umazinha, palavra?
Seria pedir muito a presença tão prometida e esperada?
Seria pedir muito pra minha ansiedade por nada ser saciada?

Estou.
Sou.
Fico.
Não dou um passo pra frente. E nem pra trás.
Estou parada.
Continuo na minha sina que é esperar. Esperar. Esperar...

*suspiro profundo*

Uma hora essa espera acaba.
Ou eu canso de esperar ou eu me realizo com a presença.

"Eu disse que eu ia esperar, então eu vou esperar. Até que ela chegue ou até que ela não venha pra sempre."

Pra sempre é muito tempo. Dia ou outro, ela vem.
Ela vem e eu não peço mais pra vir. Fico quieta. Repito: fico quieta!
Sem correr, parada.
Apenas aguardando, esperando, ansiando...
E me faço quase uma estátua, quase morta, quase sem sentidos e sem sentimentos.
Quase seca.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

cansada.

Eu tô cansada. Mas, pela primeira vez, não digo isso como reclamação. Cansada e feliz demais por oportunidades que estão aparecendo.
É sempre bom saber-se útil, ainda mais na área que a gente escolhe pra chamar de nossa. "Minha área". Minha área é a arte. Muitas coisas pintando, muitas idéias na cabeça, muitos sonhos que pulsam. Tantas e tantas coisas que fazem sorriso aqui dentro.
Mas sempre tem alguma coisa pra 'atrapalhar'. E essa coisa hoje chama-se útero. Útero com um treco chamado endometriose que me causa a mais forte das cólicas uma vez por mês.
Troco fácil meu útero por um fusquinha 66. Fá-cil.
Aliás, alguém tem alguma explicação pro que seria uma endometriose? Minha médica diz uma coisa, as pessoas com as quais eu comento sobre isso dizem outra. E a cada dia eu ganho uma nova explicação pra essa dor desgraçada que me toma.
Enfim... Mesmo que ninguém tenha nenhuma explicação, pelo menos, algum remédinho que alivie? Buscopan e Atroveran não vale! Não fazem mais efeito nenhum...
*Imagem: crucified woman - eric drooker

sábado, 18 de outubro de 2008

terça-feira, 14 de outubro de 2008

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Prima Vera


A primavera enfim parece ter chegado.
Eu, como as flores, aguardo o dia de desabrochar.
Aguardo seus olhares que me regam e me fazem crescer.
Esperei pacientemente a primavera colorir meus dias.
Assim, espero seu sorriso.
Pra inundar meus dias de flores, cores e amores.


sexta-feira, 10 de outubro de 2008

"quando deixou
esse bagaço
no meu peito
pedaço estreito
defeito na mercadoria do jeito
que você queria"



toc, toc.

Batem à porta. Não, não abre. Ele fecha os olhos e se enfia embaixo do cobertor, agarra Júlio, o gato.
Espia com um olho por uma fresta aberta por entre cobertores e lençóis.
"Pode ser um ladrão, um assassino, um psicopata que me segue pelas ruas... Não abro, não abro, não..." Quase sai um grito. Mas ele engole seco o que gritaria. E deita novamente no sofá de veludo vermelho, coberto com os lençóis e cobertores. Júlio, o gato, faz menção de ir até a porta. Ele o segura pelo rabo e diz baixinho: "não pode, Júlio, não pode!"

toc, toc

Os olhos e dentes se cerram tensos. Não sai mais nenhuma respiração audível. As mãos tremem. Ouve passos. Pela fresta entre porta e chão, ele observa uma sombra passeando de lá pra cá, de cá pra lá. A cena o hipnotiza. Olhos estatelados. Testa franzida. Dor de cabeça.... Mil coisas passam pela sua cabeça.
Júlio, o gato, mia.

toc, toc, toc


Ele tenta desviar o olhar, tenta se distrair mexendo nos dedos, nas unhas. Mas mal consegue se mover. Morde o canto dos lábios. Pensa em pular a janela... mas se lembra que mora no décimo terceiro andar.
As pernas não mais o obedecem. Sua frio.

-Caralho, Murilo! A gente vai ficar nessa infantilidade até quando? Abre a porra da porta! Abre!

A boca se abre em espanto. Olhar paralisado. "Eu não acredito. É ele, é ele. É pior que qualquer psicopata, é pior que assaltante, assassino... É ele."

-Eu... eu falei pra você não me procurar, vai embora! Vai... eu to pedindo. Por favor, vai embora!

-Eu quis vir. Eu precisava vir. Eu não consigo ficar o ressto da vida sem olhar pra você, sabendo o mal que te causei. Você sabe, eu já te disse e... Não quero dizer do lado de fora. Abre a porta, Murilo! Abre.

-Quantas vezes eu já abri a porta pra você? Quantos dias e quantas horas você já esteve aqui dentro da minha casa, do meu quarto, dos meus planos, da minha vida? Pra me largar aqui, com essa dor que é só minha, com o Júlio, o gato e com essa porra dessa tarja preta que eu nunca imaginei que tomaria? Eu não te quero mais aqui. Eu não abro mais portas pra você. Você não entra mais aqui...

Silêncio.
Suspiros de um lado. Respiração ofegante do outro. Os cobertores continuam sobre a sua cabeça.

-Vai embora. É tudo amor e é muito amor. E eu não quero. Não quero mais que seja amor. Então vai. Vai. Me deixa apagar da cabeça, do corpo toda a nossa história. Vai. Antes que o amor se transforme em ódio. Antes que...

Passos no corredor. Pela fresta entre porta e chão, ele observa os pasos se afastando.

-...eu abra todas as portas e janelas.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

-Onírico-


Sonhei, mais uma vez, com teus lábios nos meus.
Vem.
Deixa de ser sonho e vem!
Aqui te aguarda a mais bela das realidades.
Um amor que não cabe dentro do peito e salta pelos poros.
Dias limpos e lindos.
E tudo, tudo pronto pra te ver sorriso.

"O sonho encheu a noite
Extravasou pro meu dia
Encheu minha vida
E é dele que eu vou viver
Porque sonho não morre."
(Adélia Prado)

terça-feira, 7 de outubro de 2008

"Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior"*

Saco cheio da seriedade da vida.
Saco cheio de horários, metas, lugares, rotina, marmita, sorriso robótico.
Eu quero dançar, gritar, gargalhar. Seja onde for.
Quero poder andar descalça na rua. Os germes serão só meus, os coliformes fecais ficarão impregnados nos meus pés e não nos seus. Então, quando eu fizer isso, não me julgue. Eu estou apenas querendo sorrir e deixar de ser séria. Um pouco, pelo menos.
Queria, na verdade, jogar malabares na frente dos carros no farol, sinal, semáforo ou seja lá como você diga isso aí na sua cidade e com o seu sotaque. Mas não em troca de dinheiro. Eu queria apenas sorrir e ver as pessoas olhando o que eu sei fazer de bom. Porque o meu melhor, definitivamente, não é ficar sentada em uma cadeira apertando essas teclas que eu agora aperto. Aliás, aperto muito mal apertadas, digito com quatro dedos, no máximo. Não me acho a grande digitadora. Nem a grande malabarista, mas que é muito mais bonito de se ver aquelas três, quatro ou cinco bolinhas coloridas dançando no ar, sobre a minha cabeça, isso é. A minha vontade é de cuspir fogo, colocar roupas coloridas, fugir com o circo Garcia ou qualquer outro que nem seja tão popular assim, tirar coelho da cartola, viajar em turnê, conhecer cidades, lugares, mostrando o que eu sei fazer. Sim, porque eu me acho muito melhor em um palco, picadeiro, sendo um outro alguém do que sendo eu mesma. O eu mesma é chato pacaralho. Ou então, ilumindando outros seres que ganham outros nomes ali, no tablado, na arena. Eu gosto de observar as pessoas deixando de ser elas mesmas e virando dragões, sonhos, vento, sorriso, Dona Flor, poste, barco.... Eu gosto de ver quem eu conheço virar outro. E eu gosto, sim, de ser eu atrás de uma máscara. Me esconder e poder fazer o que eu quiser. Ali, eu posso plantar bananeira, correr de costas, subir em cordas. Agora, imagine se eu vou fazer isso no Vale do Anhangabaú, por exemplo. Ou no viaduto do Chá, sei lá. Algo do tipo... Mas...os malabares... Ah, os malabares. Eu gosto dos malabares porque eles romperam essa barreira da lona, no palco, das luzes. Talvez, alguns achem isso a banalização de uma arte. Eu não. Eu acho lindo, acho bela a popularização da arte.
E, qualquer dia, posso parar frente ao seu carro, com uma gola colorida, pancake branco na cara e jogando bolinhas, aros ou claves para cima. Quem sabe. Quem sabe eu até cuspa fogo, esteja de perna de pau, fazendo alguma acrobacia. De fato, será bem mais prazeroso do que apertar insistentemente essas teclas que não me trazem sorriso e não me fazem enxergar colorido.


*Pena - O Teatro Mágico

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Desejo...

Eu não sei ser má.
Eu não desejo mal a quase ninguém. (Como no clichê da música...).
Não desejo a morte de ninguém... De jeito nenhum.
Mas a uma única pessoa, a ela e somente ela (essa é a única vez que citarei esta pessoa aqui no meu blog e/ou em qualquer outro lugar.) eu desejo a perda da memória.
É, você sabe que é você. Tropeça, cai, bate a cabeça e 'puf!', tudo se apaga. Nem precisa doer. Esqueça-se, esqueça o que foi vivido, esqueça o passado. E se quiser esquecer suas experiências com mulheres, será lindo também. Lembre-se dos bons momentos que teve com aqueles homens maravilhosos, com corpos sarados, deliciosos, suados e o bem que eles lhe fizeram. Ou se não teve experiência com homens, tenha agora. Nunca é tarde. Será magnífico para você ter essas novas vivências. Novas experiências são sempre bem vindas. Isso é fato. E, assim, pode deixar as pessoas que já se foram em sua vida em paz. Dar sossego. Sabe o que é sossego?
"Me diz o que é sossego que eu te mostro alguém afim de te acompanhar." Esse alguém chama-se Luis Antonio, mede 1,86 e vai adorar te conhecer e te acompanhar, baby.
Fora isso, não lhe desejo mais nada de mal. Fora isso, desejo flores e cores no seu caminho e leveza nos seus dias. Fora isso desejo a felicidade porque todos nós a merecemos, nem que seja por um mínimo instante, por um décimo de segundo.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

te(n)são

E é assim todos os dias, todos os minutos.
O dedo vai com jeitinho, se posiciona, coloca-se no local certinho...
E vai apertando, mexendo, a cada minuto, a cada segundo. Por vezes o indicador, outras o dedo médio. Para um pouco, dá uma descansada e continua, logo depois. Aperta, pressiona, estremece...
Aperta mais... Vai fazendo movimentos sincronizados, os olhos ficam brilhando e sorriem.
A ansiedade vai tomando conta de si, mas ela vai se acalmando, sem tirar o dedo do lugar. Mexe, remexe... Aperta, solta.
Pensando consigo mesma: "vai, vai!!!".
Pressiona mais algumas vezes, aperta, solta, aperta, solta..."Hmmm isso... Assim..."
O dedo sobe e desce em movimentos desordenados.
Tensão sobre os ombros.
Os olhos arregalam-se a cada pressão que faz o dedo.




Enfim, os ombros relaxam, o dedo vai saindo lentamente da tecla F5. "1 nova(s) mensagem(ns)".
E ela suspira... "Aaaaaaaannnhhh... Delícia de outlook."

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

.e me basta.

Eu? Eu só sou porque você existe e está em mim.
Pode parecer exagerado. Porque tudo o que sinto é de um tamanho tão imenso que torna-se exagero aos olhos de quem vê.
Mas eu sei e você sabe e sabemos o quanto tudo isso é imenso.
E eu sei o quanto meus poros gritam a presença da tua respiração em mim.

E você dança, na minha frente, quando fecho os olhos.
E sua voz canta as mais belas cantigas de ninar.

Sem essa de morrer de amor. Eu quero é viver de amor.
Do teu lado.
Dividir os domingos tediosos, as idas ao cinema, os cafés amargos, os panos de prato pra lavar, a água fria no banho quando o chuveiro queima, as gripes, os chazinhos, os programas de índio, o mau humor matinal, as palavras de carinho, o travesseiro, os planos, o último pedaço do pudim de leite, o "eu te amo" que os olhares gritam.
Não abro mão disso.
Seja na esquina da Ipiranga com a São João. Seja no Corcovado. Seja na minha ou na sua. Seja onde for. Sejamos nós e pronto. Isso é o bastante.