sexta-feira, 27 de junho de 2008

Os olhos ainda embaçados por não conseguirem se manter secos, tentam enxergar um motivo, uma razão, uma coisa qualquer pra que tudo tenha se perdido assim, do nada...


"Que sorriso lindo." " Nossa, que mulher bonita." "Ela é engraçada, me faz rir." "Inteligente você, menina." "Poxa, eu casaria contigo." "Ah, se eu fosse hétero, você seria minha." "É a mais bonita que já vi por aqui." "Cara, como você se entrega, acho lindo isso." "Ela é rara."
Frases vindas de diferentes bocas, em diferentes horas, por diferentes motivos. Mas de que adianta tudo isso? Se ela cai, ela se machuca, ela quase morre por dentro... De que adianta ela ser 'tudo' isso, se pra quem ela queria ser tudo, pra quem ela fez ser tudo, hoje, ela é apenas lembrança?

Dor ao vomitar. Dor ao vomitar palavras mal escritas. Dor ao falar, ao andar, ao pensar, ao deitar...

Ela se machuca. Ea sempre se machuca. E ela acreditava tanto dessa vez, tanto. Que... que ela se permite acabar em lágrimas, em falta de fome, em dias longos que não passam nunca.
Esse tal do tempo que cura tudo... Cadê ele passando e mostrando que a cura não vai ser tão fácil assim? Cadê esse pé de tempo voando por perto?

Ela se olha no espelho... E cadê? Cadê a cor da vida, a cor da face, a cor do amor? Cadê?
Ela se olha fundo nos olhos... E, mais uma vez, eles começam a escorrer. Eles deslizam pela face cinza procurando algum lugar onde possam se esconder de tudo isso que ela já não sabe como denominar.
E cadê o fim do texto que não quer vir? Cadê o ponto final que insiste em ficar pra trás... E restam, como todas as vezes e mais todas as outras, as reticências...

(...)

"A vida se vingava de mim..."
(CL - GH)

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Esperando Godot

Sabe que esperar não é pra qualquer um. Esperar é pros fortes. E eu me fortaleço a cada espera e a cada dia tentando te trazer de volta... Te fazer você de novo.
Eu te peço, te peço pra não me deixar só aqui. Sem você, é escuro, é cinza, é feio. E eu, aqui dentro, me torno oca. Por isso, espero. E vai valer a pena. E você merece.
E vamos nos casar, lembra? Casar. Assim, eu e você e nossas escrivaninhas cheias de livros e nossos filhos e nossos ideais e objetivos. Vamos, eu sei que vamos. Por isso, encontre o caminho de volta. Olha a placa, ela indica a direção... Olha! Você sabe a direção, não preciso te dar bússolas, nem nada. Você sabe onde estou e onde você está em mim.

"- Amanhã a gente se enforca. Se Godot não vier.
- E se ele vier?
- Aí seremos salvos."*



Estou aqui, no lugar de sempre que é só seu e você sabe disso. Estou aqui e nem precisei fazer caminho com pedaços de pão pra você me achar... E continuo no mesmo lugar onde você me achou. E você está. Assim como o amor está. Então... Espero, espero ansiosamente pelo dia que há de vir que é o dia de você voltar.




*(Esperando Godot - Samuel Beckett)

A escorrer...

Enquanto seus olhos brilham, os meus inundam.
E te sinto escorrer como areia entre meus dedos...
Enquanto você acende seus cigarros e toma seus vinhos.



"Meu Deus! Mas como você me dói de vez em quando..."

sábado, 21 de junho de 2008

Me perco dentro de mim e tranco as palavras por trás dos dentes.
Eu só queria gritar e voar.
Meu erro? Meu erro.

E o medo me abraça.

quarta-feira, 18 de junho de 2008



Não acordei com o pé direito... Aliás, acho que nem com o esquerdo. Devo ter caído de cara no chão.
Dia ruim, péssimo, esquisito.
Uma angústia tremenda, não sei porque. Respirando saudades. Do que eu fui, do que eu sou... E saudades de quem eu quero do meu lado pra quando eu for um pouco mais eu...
Dia ruim. Quero cama, mas to sem sono. Quero deitar e gritar no travesseiro pra que ninguém me ouça, ninguém ria de mim...
Só queria ser cuidada um pouco. Só.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

12.06.08

Porque o meu presente é a sua presença.
Feliz dia, flor minha!!!

sábado, 7 de junho de 2008

De família.

Hoje faxinei o quarto. Tava na hora. Entre poemas antigos, fotos velhas, cartões de natal... Eis que encontro carta que vovó mandou pro vovô. (Meus avós são os antecessores do orkut. Acreditem, eles se conheceram através de cartas, mas isso é outra história!!!)
Então, resolvi colocar aqui a carta dela... Tão simples e linda.


Santa Rita, 3-8-1950

Saudações e muitas saudades.
Querido Paulo, é com muito prazer que pego na pena para responder a sua adorável e tão esperada cartinha que recebi no dia 29 passado e com a qual fiquei muito contente por saber que fizeste boa viagem e que vai indo bem de saúde ao passo que eu e os meus vamos indo bem até a data presente graças ao bom Deus.
Paulo você disse que só sente estar longe de mim. Será mesmo? Deste mal também me queixo porque a única cousa que me preocupa é estar longe de ti. Você pergunta se eu penso em você? Nem se pergunta tal cousa porque apesar de você dizer para eu pensar pouco em você quando nos despedimos (lembra?) eu não consigo ficar uma hora sem pebsar em você, acredita? E você pensa em mim? Creio que não. Você perguntou se o meu dedo já sarou? Já está quase bom, mas ainda não sarou bem. Paulo, então você gostou dos dias que esteve aqui? Se fosse só você. Eu também sinto muita saudade daqueles 10 dias que você esteve aqui. Como passou depressa, não?
Paulo e você disse que engordou mais de um quilo. Acredito, porque logo no dia que comecei trabalhar fui me pesar. Sabe quanto engordei nesses 10 dias? Engordei 3 quil0s. Também é como você mesmo disse 'sombra e água fresca'; mas agora é das 6 da manhã as 5 da tarde no duro. Paulo você perguntou se o Mané João esteve muitos dias aqui depois que você foi embora. Não, ele voltou de Cajuru no dia 21 e foi pra São Paulo dia 23 de modo que ele ficou só mais um dia aqui.
Então você agora está dando duro? Não há de ser nada agora. Você trabalha bastante, ganha bastante dinheiro depois quando você estiver rico senta numa cadeira de preguiça e diz 'sombra e água fresca', não é?
Então você já estã com saudade daqui? Eu também não vejo a hora que você volta, você disse se eu vou machucar outro dedo quando você vier? Se não doesse tanto eu até seria capaz.
Bem vou terminar porque o papel já não está dando. Vou terminar enviando muitas lembranças minhas e dos meus a você e aos seus e vai também um forte abraço desta que espera ser tua um dia.
Amélia Navi

Depois de uns dias juntinhos
É triste a separação
Na hora da despedida
Que dor no meu coração


Amélia Navi casou-se com Paulo Dezoti.
Geraram Rita de Cassia Dezoti, Rosangela Navi Dezoti e Paulo Marcos Dezoti.
E foi a Rosangela que me pariu.

E qualquer semelhança dessa carta com algo que eu esteja vivenciando ultimamente... seria apenas coincidência?

quinta-feira, 5 de junho de 2008

...

Dos meus sonhos
Dos meus medos
Das lembranças
Dos sorrisos
Das lágrimas...
...Vem você e muda
E completa
E grita
E me faz ser.

E eu não preciso de mais nada.
Tenho seu cheiro, seu jeito em mim.

domingo, 1 de junho de 2008

Daqui a um ano...

Eu me imagino embaixo das cobertas, ao lado dela, no nosso apartamento, numa tarde fria de domingo, assistindo a algum filme que ainda nem foi lançado, com uma caneca de chá em cima do criado mudo. Imagino suas mãos acariciando a minha barriga enquanto sua voz diz coisas bonitas e sacanas nos meus ouvidos e eu enrolando seus cachos nos meus dedos. Eloísa (aquela gata que vamos ter) passeando por entre nossas pernas entrelaçadas e miando, pedindo atenção. Imagino o sorriso surgindo nos seus lábios enquanto diz que não aguenta mais ouvir o miado dessa gata. Me imagino amando, sendo amada, feliz, radiante... Me imagino lá ou ela aqui. Imagino uma fresta de janela aberta deixando um pouco do sol entrar e iluminar aquele lindo rosto que me faz tão bem... Imagino a felicidade e nós. Só.