quarta-feira, 28 de maio de 2008

2.5 (Manoel de Barros)

Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem
.Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.


Eu gosto desse poema.
Não tem muito a ver com 'meu momento'. Mas tem a ver com... com os dois ponto cinco que eu tanto amo.

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