quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Ho ho ho

Que seja feliz.
Que seja bonito.
Que tenha bebedeiras em família.
Que traga sorrisos.
Que traga má digestão no dia seguinte.
Que tenha tia bêbada caída no sofá.
Que tenha cachorro comendo resto de pernil.
Que seja inesquecível.
Que traga primo de roupa nova.
Que tenha brindes.
Que tragam presentes.
Que semeiem alegrias.
E que seja mais belo do que o anterior e menos belo que o próximo.


...feliz Natal.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

a falta de.


Por trás de palavras normais e sorriso no rosto, tento esconder tudo isso que me dói e que me faz não querer mais seguir.
A falta.
A falta de.
A falta de você.

Não quero encontrar palavras bonitas e/ou difíceis. Quero apenas abrir meu peito e sussurrar meu pranto, porque nem forças pra gritar eu tenho mais.
A falta.
A falta de.
A falta de você.

Logo, verei o mar... O mar... Amar... (paro por aqui esta linha para não expor-te, pois sei que não gosta disso. Então, emudeço, engulo o seu nome e guardo-o nas minhas entranhas)
A falta.
A falta de.
A falta de você.

Sem preocupações, sem achar que estou no fundo do poço. Não estou. Aqui existe apenas uma tristeza pequena diante da tamanha felicidade que já me foi causada .
A falta.
A falta de.
A falta de você.

Tenho medo de terminar determinadas coisas, prefiro vê-las escorrendo e acabando devagar, como areia dentro de uma ampulheta. Outras coisas, não termino nunca. Nunca...

E a falta de você.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Ana Maria leu "O Segredo"

Depois de todo esse fuzuê sobre a morte do ex-policial, ex-marido da Susana Vieira e ex-vivo (ops!), eu começo a acreditar que "O Segredo" realmente funciona. E mais, acredito também que Ana Maria Braga o leu e soube muito bem como aplicar tudo que aprendeu. Sim, as palavras têm poder, né não?
Depois de tê-lo xingado de tudoquénome e dizer que seria melhor que o dito-cujo sumisse da face da Terra, eis que Marcelo Silva morreu!!! Desapareceu da face da Terra, exatamente como ela disse que ele deveria fazer!
Fato que ele será lembrado pela Sonia Abrão até as férias de julho... Ou até alguém um tanto mais interessante e de mais fama não morrer.... Ou até algum outro sequestrador resolver atendê-la ao telefone... Enfim, não era sobre isso que eu queria falar, era somente sobre o fato de que "O Segredo" realmente funciona, minha gente!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Ano terminando...



Sabe o que é um saco? Chega essa época do ano e todo mundo acha que tudo muda a partir do dia que o ano muda. Muda porra nenhuma!
Dia primeiro você vai estar de ressaca, não vai lembrar direito o que fez na madrugada ou quem fez na madrugada. Mas chega dia dois de janeiro e você vai continuar naquela merda de empreguinho ridículo, sua família não terá virado a mais legal do mundo, você ainda estará solteiro(a), procurando alguém ou ainda estará de saco cheio do (a) namorado (a) do seu lado. E, no ano que vem, você vai partir outros corações, pisará em outras pessoas, andará sem rumo, ficará apaixonado (a) por alguém que não merece, sonhará em ser feliz, irá chorar ouvindo as mesmas velhas músicas de fossa. E as pessoas? As pessoas continuarão a não se importar com as outras e/ou com o meio ambiente, vão continuar abandonado crianças em lixos, largando cachorros nas ruas, bebendo e dirigindo.
A mudança é um lento processo de transformação. As coisas vão acontecendo com o tempo, desde que se queria mudar! Porque se não quiser, chega dois mil e nove,dois mil e dez, dois mil e vinte e sete... E nada vai mudar. A mudança tá dentro, no interior e não em algum espaço de tempo.
Sim, essas acomodações me irritam. Me irrita ver pessoas paradas, sem se mexer e esperando o ano passar pra começar a agir. Gente, a vida é agora, num é ano que vem, não, caralho! Ainda temos duas semanas em 2008 pra fazê-las as melhores de uma vida inteira. Ainda temos o dia de amanhã pra ser mais lindo que todos os outros. E fazer do hoje raro e mais bonito! Então, pare de pensar em "ano que vem". Sem fazer listinhas do que quer mudar ano que vem. A mudança tem que começar já. Ela não vai acontecer depois de uma queima de fogos cheia de gente com roupas brancas vendo especial de virada de ano com Ivete Sangalo e cia... Mas não mesmo!
E como diria meu caro amigo Marco Bianchi: "Tá compreendido?"

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

De dormir acompanhada e/ou não me convidem para o japonês

Há anos durmo com minha irmã no mesmo quarto. Eis que já não me sinto acompanhada quando a companhia de quarto é ela. Não, ela não vai ficar brava, ela já sabe disso.
Mas sábado, dormi acompanhada, de verdade. Dormi de conchinha, de frente, de lado, bunda-com-bunda... Dormi bem. E dormi cheia de nabos e cenouras ralados e sanduiche de monte-de-coisa que a vermelha mais brilhante do mundo fez pra mim. Dormi pós palavras cruzadas com a impronunciável, dormi feliz, contente...
Dormi depois do rodízio de comida japonesa. É. Eu fui. Eu sentie à mesa e a única coisa que eu sabia fazer era rir de tudo aquilo. Não, eu não gosto de nada de comida japonesa. Não gosto de guioza, missushiro e aquela coisa toda. Mas a companhia era tão perfeita que eu mal me importei com aquele monte de gororoba nos pratos à minha frente. Definitivamente, eu não gosto. MAs estar na Vila Madalena, com pessoas maravilhosas e depois ter uma noite repleta de risos e sorrisos faz o sushi ficar do tamanho de um grão de arroz. (Que aliás, também não comi... O arroz... Do temaki... enfim...)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

um ano...


Eu me lembro.
Foi há mais ou menos um ano... Foi nessa época, mesmo. Eu me lembro.
O primeiro recado dizia: bitoca de bom dia. Assm. Bonitinho. E mais nada. Respondi então... Logo depois, eu não podia mais deixar recados. Então, eu adicionei, ela me rejeitou e ela me adicionou.
Começamos a nos falar todos os dias e eu já não conseguia ir dormir sem trocar palavras com ela. Eu não conseguia... Era dia após dias.
Começaram as ligações, também. O som daquela voz que acariciava os meus ouvidos, o quanto eu já havia me encantado por tudo aquilo, por todas as palavras, pelo jeito único de ser...
Eu fui. Ela veio. Eu fui...
Amor. O que era encantamento, passou a ser amor. Amor do mais bonito, pra vida toda, pra sonhar, pra fazer planos, pra sorrir, pra chorar, amor que dói de tão imenso, amor que faz acreditar, amor mais forte do que tudo. Coração saltitava e saltita ao ouvir alguém pronunciar aquele nome. As borboletas que sempre despertam. Os sonhos que nunca morreram. As vontades, as loucas vontades de tê-la por perto.
Hoje, tenho histórias pra rir, tenho canções pra lembrá-la, tenho poemas que me fazem vivê-la, tenho filmes pra assistir e a enxergar na tela, tenho o maior amor que já tive na vida, tenho a ponte Rio-São Paulo como meta, tenho o sonho de realmente viver tudo o que planejamos...
E eu, eu realmente estou serena quando digo tudo isso. São coisas minhas, não te cobrarei nada. Eu me cobro. Somente me cobro. Porque, pra mim, será a última tentativa. E quero te fazer minha novamente. E sonho com isso.
Se não der certo? Não penso que não possa dar certo... Mas se não der, vou poder dizer que vivi o maior amor do mundo em 2008, que conheci a pessoa mais especial, que algo aqui dentro nunca vai morrer, que aprendi demais com todos os altos e baixos, que sou hoje uma mulher e não mais menina, porque eu te tive... E, pra sorrir ainda mais nesse resto de ano, eu tenho de tentar. Pontofinal.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Dando pequenos passos.

Um de cada vez...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O violão encantado

Encantou-me.
Não só o violão.
As mãos que o tocavam.
A moça e seus cabelos ao vento.

E um "trem" surgiu esquisito aqui dentro.
Sentindo a falta daquilo que ficou nos olhares trocados.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Etílicos-amelísticos

Posso sentar num bar qualquer, pela região da Augusta, Frei Caneca e afins. Posso sentar e conversar por horas com pessoas que nunca me viram antes. Olhar nos olhos, trocar abraços, carinhos, afagos, sorrisos. Olhar no olho de um, até então, desconhecido e sentir confiança nele. Estranho... Ou não. Sair de braços dados, abraçada, com olhar de canto de olho, acreditando que, sim, ali nasceu um algo, uma flor brotou depois de dois anos apenas digitando, fuçando perfis (vidas criadas para agradar), sentir pessoas calorosas, ver pessoas saltitando e me sentir feliz, depois da timidez inicial. Os sonhos colocados ali na mesa. O grito de : "A Nathalia é das nossas!". A Heineken, os Doritos, as batatas, o pedaço de maçã, uma tal de Saga de 400 anos de história, as fotos, os L's, os corações unidos ali. Nomes, muitos. Nomes que antes eram nicknames. Sensação incrível e indizível. A mesa do bar ia ficando pequena perto da vontade de conhecer um a um mais profundamente, conhecer o que os corações tanto gritavam, as idéias em comum e as tantas divergências de iéias e ideais.
Mas ali, naqueles momentos, eu pude me ser. Eu pude. Sem medo algum de julgamentos. eles ouviram minhas histórias, conheceram um tanto da minha vida. E eu... eu conheci corações maravilhosos.
Sábado, 29 de novembro de 2008.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Temptation - Moby

Heaven
A gateway to hope
Just like a feeling
I need, it's no joke

And though it hurts me
To see you this way
They traded by words
I'd never heard
To hard to say them

Up, down, turn around; please don't let me hit the ground
Tonight I think I walk alone to find my soul as I to go home
[2x]

Oh it's the last time, it's the last time
Oh it's the last time, it's the last time

Each way I turn
I know I'll always try
To break the circle
That has been placed round me

From time to time
I find our lost
Semeaning
That was urgent

To myself
I don't believe

Oh, up, down, turn around; please don't let me hit the ground
Tonight I think I walk alone to find my soul as I go home
[2x]

Oh it's the last time, it's the last time
Oh it's the last time, it's the last time

And I have never met anyone quite like you before
And I've never met anyone quite like you before
[2x]

And I've never met anyone quite like you before
Oh, up, down, turn around; please don't let me hit the ground
Tonight I think I walk alone, to find my soul as I go home

And I've never met anyone quite like you before
Oh, up, down, turn around; please don't let me hit the ground
Tonight I think I walk alone, to find my soul as I go home

Up, down, turn around; please don't let me hit the ground
Tonight I think I walk alone to find my soul as I go home
[2x]


Porque voltar a ensaiar o Quixote me faz sonhar novamente...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Só falta o nariz vermelho.


Post especial pra grandalhona desengonçada, perdida no mundo de Lóris (ainda, ainda), que me chama de gay só porque "romanticos são poucos e loucos desvairados.", que tem os sonhos mais insanos que eu já tive notícias, que vai pra São Tomé e dá uma de tarzan, que bebe e fala: "eu gosto de você, Dezoti. Sabe porque?" e dá a explicação mais fofa que já ouvi, que vai até a fila do show do Zeca Balero só pra rir de mim porque eu realmente não conseguiria entrar, que queria abraçar o Joca só pra falar que tinha cachorro (e agora ela tem mesmo!), que dividiu comigo o sonho de ser Clarice no primeiro ano de faculdade, que trabalhou com meu pai, que dormiu horrores na minha casa ano passado, esse ano (ahahaha), que me liga do seu Oi e diz: "nhá! Gasta seus créditos da Oi comigo?", que me levou ao Morrison e lá viu a cobra do Butantã, que viu o Gregor nascer, acordar metamorfoseado num inseto, que roubou Babenko em troca de um pirulito com a foto do dito-cujo, que ficava vermelha nas aulas de comunicação, que fala: "você tem é medo, Dezoti! É isso!" e eu me calo, que mora lá na aldeia dos Teotônio, que trabalha só meio período e me mata de inveja, que faltou na aula, mas foi até a faculdade só pra levar um CD que eu havia pedido pra uma apresentação, que joga Guitar Hero como ninguém, que disse ter desistido do teatro e depois deu pra trás, que divide noites de bebedeira e boemia, que dizia que o Clov subiu a escada-ada-ada, que faz dos meus dias diferentes, que me mandou tomar no cu sério uma vez e no dia seguinte as duas bobonas com cara de cu se pediram todas as desculpas do mundo, que tem o all star mais legal ever, que vai comigo pro Rio no ano novo, que vai à Bienal e dá comida pro careca, que tira foto de mim escorregando no tobogã, que está com meus filmes, livro e blusa e que sempre esquece de me devolver, que vai ganhar uma camiseta da Amélie porque ficou grande em mim...
Post pra ela ver que eu tô é muito macho! E pra ela ver que eu a amo! (Pronto, virei viadinha de novo!)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Último suspiro




O último respiro.
O último suspiro.

E as mãos atadas.

Não sabes ser alvo do meu amor?
Tenho, então, de aprender a não amar-te.
E de que jeito eu não amaria tão belos olhos e tão belos cachos?
Qual a maneira de não amar seus sorrisos e as lembranças das mãos passeando pelo meu corpo, descobrindo minhas curvas?
E qual o sentido de meus sorrisos quando não tenho mais sua voz respondendo aos meus apelos?

O último respiro.
O último de tantos últimos que já vieram e de outros que ainda virão.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Das tais penas

É minha dor. É minha...
Não quero nem preciso da tua pena
Cheguei até a pensar no porque dessa pena:
Por eu me entregar sem medo?
Por não remoer o passado e querer viver o novo?
Por não ficar parada pensando no que poderia ser e sim agir?
Por me permitir correr riscos?
Por não querer a segurança de um sentimento já adormecido e tentar um novo?
Por ter a certeza de não me arrepender por não ter tentado?

E não vi nenhum motivo para pena.
Então, junto tuas penas e faço asas.
Viro anjo, arcanjo, beija-flor, querubim.
E vôo para bem longe desse teu penar.

ser criança

Quando eu crescer, vou ter uma caixa de gargalhadas. Pra quando essa angústia invadir, eu abrir e ficar tudo bem.
Quando eu crescer, vou ter nervos de aço e coração de pedra. Pra conseguir suportar as feridas que não cicatrizam.
Quando eu crescer, vou ter um monte de tinta colorida. Pra deixar meu dia colorido quando o cinza tomar conta.

Crescer... Quando isso vai acontecer?

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Adélia Prado

Conheci Adélia Prado há uns dois anos através de dois amigos que fizeram uma montagem teatral com trechos de poemas dela. E fiquei fascinada. Em especial, por esse poema:


Com licença poética


Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade da alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável.
Eu sou.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Ao moço careca da Bienal.

Não sei de onde o sr. é e na verdade eu nem me importo. O que eu vi foi uma careca e dois buracos sem alargador nas orelhas.
Mas, o que eu vi ao seu lado... Bom... O sr.. está no Brasil, o sr. sabe? Aqui, sobreviver do que as pessoas dão não é forma de arte, é muitas vezes o único modo de sobreviver.
Me desculpe se estou sendo incoerente, se não entendi seu propósito (que o sr. poderia me explicar, né?), mas isso não é arte. Não me venha dizer que é contemporâneo, alternativo ou que tenha algum ismo pra identificar isso que o sr. está fazendo. Eu realmente não me importo. Eu só gostaria de saber... Aquele monte de coisa que o sr ganhou... O sr. vai usar? Ou vai sair daqui cheio de lembrancinhas ganhadas? O sr. poderia fazer uma doação. Ali, próximo ao Ibirapuera, existem famílias que saem nas ruas "catando" papelão, latinha e todo esse tipo de coisa pra poder vender e tirar uma grana. Elas ficariam felizes com metade do que o sr. ganhou.
Não sou assistente social e nem almejo isso. Eu apenas não enxergo isso que o sr. está fazendo como arte.

Atenciosamente,
Nathalia Dezoti

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Bienal do vazio.





Senhores espectadores, se quiserem ver realmente o vazio, basta olharem para mim. Aqui dentro está vazio. Não é necessário um pavilhão para mostrar o vazio. Agradeço a presença de todos e tenham um bom dia.


Natália Campos de gola vermelha ergue a mão e diz:
-Eu tô triste.

bi.anal.vazio

Sem sentido. Se sentindo.

Voltas e voltas no tobogã.
A queda nem sempre no que é macio.

Mérde.

-Será esse o tal do vazio?
-Esse o que?
-Esse... esse... não sei o que.
-...
.sobra tanto (tanto, tanto, tanto) espaço dentro do abraço.

domingo, 9 de novembro de 2008

Ato único.




Local: Pode ser na av. Paulista ou em qualquer outra grande avenida de uma grande cidade. Numa noite de frio, mas não tão frio. Um frio agradável.

Duas mulheres andam e conversam sobre política.
Falam sobre candidatos à prefeitura.

M1: Ah, é tanta gente, tanto candidato que a gente fica confusa...
M2: É, eu já tenho a minha candidata.
M1: Ah, num gosto de falar de política, vamos mudar de assunto.
M2: Ok, quer falar sobre o que?
M1: Foda é que só vem política na minha cabeça, só jingles de candidatos, só essa coisa toda... E eu não consigo mudar, falar de outra coisa...
(M2 dá um selinho na boca de M1)
M2: Pronto, agora fala de outra coisa.
M1 (transtornada): É... é... Porra, agora é difícil falar de qualquer outra coisa... Eu... eu... (para de andar)
M2: Vamos, anda... A gente tá quase chegando.
M1: Peraí.
(M1 e M2 se abraçam... Olham-se nos olhos. Sentem o coração uma da outra saltitar. Encaram-se. Apertam-se. As pessoas que passam na rua nem olham. Ou elas não percebem que olham. É o momento delas. Ali, único, seguro. Onde elas estão completamente entregues. E se beijam. Beijo de filme, cinematográfico, coisa bonita. Sentem uma alegria tremenda naquele beijo... Sim, clichê. Essa cena é pra ser clichê, tem que ser clichê. Porque clichê é bonito.)

FIM.



[pode ser uma cena. pode ter acontecido. pode nunca ter sido escrito. pode nunca mais ser lembrado. pode ser o beijo mais lindo que já viram. pode não ser nada. pode.]

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Prop 8




E tinha sido uma conquista!
Até tirarem isso de nós.
Chegou o dia da votação. (E votação nos EUA é bem complicada, como sabemos.)
E o resultado é esse:

"Com 99,5% das urnas apuradas, a Proposta 8 que pedia o 'Sim' à emenda para proibir os casamentos gays na Califórnia tinha 52,5% dos votos, contra 47,5% do 'Não'."

E agora, Califórnia?
O que fazer com seus 18.000 casais homossexuais que já se casaram?
O que fazer?

Será que Obama dá jeito?

Enfim... O que sei é que ocorreram diversas manifestações e todos aguardam pra saber se realmente o preconceito vai vencer ou se teremos esse direito (que já havia sido conquistado) preservados.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Alice...



O País das Maravilhas não existe e o Cazuza estava enganado quando dizia que existia a sorte do amor tranquilo. Não existe. Isso é mais que fato.
Ok, não sou a pessoa mais experiente do mundo, mas nesses poucos 23 anos, eu pude notar isso. A gente sempre faz cagada, sempre tem algo onde devemos mudar, sempre queremos que o outro seja de um jeito que não é. Algumas mudanças, realmente acontecem com o passar do tempo da relação. Outras só acontecem quando já é tarde demais. E faz com que as pessoas pensem e reflitam sobre si mesmas. Se fez bem ou não mudar e se a mudança ocorreu apenas por outra pessoa ou porque precisava mesmo mudar em algo.
O ponto é que não se tem paz. Não existe relação totalmente pacífica, não existe. Eu vejo isso nos 27 anos de casados dos meus pais, fora os outro 4 de namoro.
Quem é que queremos enganar? Alguém me diz que nunca teve um desentendimento, uma crise, qualquer coisa por qualquer motivo que seja.
É fato que a maioria das relações são 'apimentadas' por brigas, por crises, por essas coisinhas que todo mundo tem dentro de si.
Uma ex professora de interpretação dizia que todos nós temos 'pessoinhas' dentro da gente. Essas pessoinhas são nosso egoísmo, nossa vontade de que as coisas sejam do nosso jeito e que não respeitam as vontades alheias. E como tem de monte essas pessoinhas nas relações, em geral. É utopia demais querer acreditar que tudo será lindo o tempo todo.
Mas em todas as relações também existe algo que supera tudo isso. Algo muito maior, muito mais forte e muito, mas muito mais bonito e que não deixa com que as coisas pequenas influenciem tanto assim na relação: é o tal do amor. Aquele que faz as 'pessoinhas' serem insignificantes, que fazem tudo parecer mínimo. O amor que é além, que perdoa, que esquece, que faz com que tudo fique lindo novamente.
Não, não é papo de menininha arrependida. É o meu olhar racional falando um pouco mais alto, pelo menos uma vez. É a certeza de que não é só comigo que acontecem certas coisas.
E é no amor que eu acredito. Mais do que nas estastísticas das relações. Muito, mas muito mais

terça-feira, 4 de novembro de 2008

.da alma.

Ah, dona Maria Fernanda.
Me dá bronca quando faço cagadas, me abraça quando preciso de abraço e se faz a mais presente, mesmo na distância.

Ah, dona Maria Fernanda!!!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Porque você haveria de se importar com o que dói aqui?
Porque?
Porque precisaria dar alguma notícia, porque responder, porque procurar?

Pois então...
Fico na minha de vez.

terça-feira, 28 de outubro de 2008


"devia ser proibido
uma saudade tão má
de uma pessoa tão boa
falar, gritar, reclamar
se a nossa voz não ecoa."
(Devia Ser Proibido - Alice Ruiz)

Muitas coisas me povoam hoje. Mas, antes de tudo, uma saudade desgraçada que rasga o peito e o faz em pedaços.
Quero os dias de sorrisos e comilanças e gracinhas e sussurros e passeios e brisa e toques e conversas e palavras e segredos e sentidos e bobeiras... Quero esses dias de volta.
Escrevo com olhar embaçado, com o olhar úmido, com um aperto no peito, com uma vontade sair correndo daqui e chegar aí, abraçar, apertar, sorrir. Porque a falta que me faz, não tem tamanho, não tem sentido....
As perguntas sem respostas, as tantas interrogações do que era uma certeza tão enorme.
Eu, finalmente, desisti de entender. Eu apenas sinto.
E você, mulher, menina, dançarina, fada, espanhola, sorriso, sabe bem que é por você tudo isso que guardo em mim.
Não esquece, nunca, que és a parte que mais me faz bem. E a que mais me confunde, também.
*Imagem por Orlando Pedroso (http://www.fotolog.com/orlandopedroso)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008




Nessa terça (28/10), ingressos a R$2,00.
Chegar com antecedência pra garantir seu lugar... (A bilheteria abre duas horas antes do início do espetáculo...)

E na própria bilheteria, estarei eu!

Bora?

"Tu vens, tu vens."

Danças, assim, na minha frente e fazes meus olhos brilharem.
Abraço-te, em pensamento, e sinto teu cheiro impregnado no dia que começa.
És dia, és noite, és sonho e és real.
Tens de mim todo o melhor.
Tens de mim o amor que jamais sonhei dar a alguém.

Sei bem o caminho a seguir.
Sei bem que tu estás nele.
Sei bem que seus cachos me guiam.
Sei bem o som chiado gostoso que desejo ouvir.

"Eu já escuto teus sinais..."

sábado, 25 de outubro de 2008

Ah, sim...

"Eu não tenho mais a cara que eu tinha.... Eu não encho mais a casa de alegria...."


Na voz de Nando e Arnaldo.
Eu me acabo.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

da força que nunca (?) seca.

Seria pedir muito querer apenas uma palavra?
Ou seria pedir muito que promessas fossem cumpridas?

Ando pedindo demais.

Então, não abro mais a boca pra nada.
Sinto um vazio e me seguro pra não desmoronar.
E nem um grito mais eu solto.
Fico presa aqui, como as palavras se prendem em minha garganta.Fico presa em ti. Como sempre estive em todos os momentos, desde o primeiro.
Não evito sentir nada. Mas não quero sentir algumas coisas que tanto têm me incomodado.
Disfarço-me de colorida pra resguardar meu cinza só pra mim.

Seria pedir muito apenas uma, umazinha, palavra?
Seria pedir muito a presença tão prometida e esperada?
Seria pedir muito pra minha ansiedade por nada ser saciada?

Estou.
Sou.
Fico.
Não dou um passo pra frente. E nem pra trás.
Estou parada.
Continuo na minha sina que é esperar. Esperar. Esperar...

*suspiro profundo*

Uma hora essa espera acaba.
Ou eu canso de esperar ou eu me realizo com a presença.

"Eu disse que eu ia esperar, então eu vou esperar. Até que ela chegue ou até que ela não venha pra sempre."

Pra sempre é muito tempo. Dia ou outro, ela vem.
Ela vem e eu não peço mais pra vir. Fico quieta. Repito: fico quieta!
Sem correr, parada.
Apenas aguardando, esperando, ansiando...
E me faço quase uma estátua, quase morta, quase sem sentidos e sem sentimentos.
Quase seca.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

cansada.

Eu tô cansada. Mas, pela primeira vez, não digo isso como reclamação. Cansada e feliz demais por oportunidades que estão aparecendo.
É sempre bom saber-se útil, ainda mais na área que a gente escolhe pra chamar de nossa. "Minha área". Minha área é a arte. Muitas coisas pintando, muitas idéias na cabeça, muitos sonhos que pulsam. Tantas e tantas coisas que fazem sorriso aqui dentro.
Mas sempre tem alguma coisa pra 'atrapalhar'. E essa coisa hoje chama-se útero. Útero com um treco chamado endometriose que me causa a mais forte das cólicas uma vez por mês.
Troco fácil meu útero por um fusquinha 66. Fá-cil.
Aliás, alguém tem alguma explicação pro que seria uma endometriose? Minha médica diz uma coisa, as pessoas com as quais eu comento sobre isso dizem outra. E a cada dia eu ganho uma nova explicação pra essa dor desgraçada que me toma.
Enfim... Mesmo que ninguém tenha nenhuma explicação, pelo menos, algum remédinho que alivie? Buscopan e Atroveran não vale! Não fazem mais efeito nenhum...
*Imagem: crucified woman - eric drooker

sábado, 18 de outubro de 2008

terça-feira, 14 de outubro de 2008

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Prima Vera


A primavera enfim parece ter chegado.
Eu, como as flores, aguardo o dia de desabrochar.
Aguardo seus olhares que me regam e me fazem crescer.
Esperei pacientemente a primavera colorir meus dias.
Assim, espero seu sorriso.
Pra inundar meus dias de flores, cores e amores.


sexta-feira, 10 de outubro de 2008

"quando deixou
esse bagaço
no meu peito
pedaço estreito
defeito na mercadoria do jeito
que você queria"



toc, toc.

Batem à porta. Não, não abre. Ele fecha os olhos e se enfia embaixo do cobertor, agarra Júlio, o gato.
Espia com um olho por uma fresta aberta por entre cobertores e lençóis.
"Pode ser um ladrão, um assassino, um psicopata que me segue pelas ruas... Não abro, não abro, não..." Quase sai um grito. Mas ele engole seco o que gritaria. E deita novamente no sofá de veludo vermelho, coberto com os lençóis e cobertores. Júlio, o gato, faz menção de ir até a porta. Ele o segura pelo rabo e diz baixinho: "não pode, Júlio, não pode!"

toc, toc

Os olhos e dentes se cerram tensos. Não sai mais nenhuma respiração audível. As mãos tremem. Ouve passos. Pela fresta entre porta e chão, ele observa uma sombra passeando de lá pra cá, de cá pra lá. A cena o hipnotiza. Olhos estatelados. Testa franzida. Dor de cabeça.... Mil coisas passam pela sua cabeça.
Júlio, o gato, mia.

toc, toc, toc


Ele tenta desviar o olhar, tenta se distrair mexendo nos dedos, nas unhas. Mas mal consegue se mover. Morde o canto dos lábios. Pensa em pular a janela... mas se lembra que mora no décimo terceiro andar.
As pernas não mais o obedecem. Sua frio.

-Caralho, Murilo! A gente vai ficar nessa infantilidade até quando? Abre a porra da porta! Abre!

A boca se abre em espanto. Olhar paralisado. "Eu não acredito. É ele, é ele. É pior que qualquer psicopata, é pior que assaltante, assassino... É ele."

-Eu... eu falei pra você não me procurar, vai embora! Vai... eu to pedindo. Por favor, vai embora!

-Eu quis vir. Eu precisava vir. Eu não consigo ficar o ressto da vida sem olhar pra você, sabendo o mal que te causei. Você sabe, eu já te disse e... Não quero dizer do lado de fora. Abre a porta, Murilo! Abre.

-Quantas vezes eu já abri a porta pra você? Quantos dias e quantas horas você já esteve aqui dentro da minha casa, do meu quarto, dos meus planos, da minha vida? Pra me largar aqui, com essa dor que é só minha, com o Júlio, o gato e com essa porra dessa tarja preta que eu nunca imaginei que tomaria? Eu não te quero mais aqui. Eu não abro mais portas pra você. Você não entra mais aqui...

Silêncio.
Suspiros de um lado. Respiração ofegante do outro. Os cobertores continuam sobre a sua cabeça.

-Vai embora. É tudo amor e é muito amor. E eu não quero. Não quero mais que seja amor. Então vai. Vai. Me deixa apagar da cabeça, do corpo toda a nossa história. Vai. Antes que o amor se transforme em ódio. Antes que...

Passos no corredor. Pela fresta entre porta e chão, ele observa os pasos se afastando.

-...eu abra todas as portas e janelas.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

-Onírico-


Sonhei, mais uma vez, com teus lábios nos meus.
Vem.
Deixa de ser sonho e vem!
Aqui te aguarda a mais bela das realidades.
Um amor que não cabe dentro do peito e salta pelos poros.
Dias limpos e lindos.
E tudo, tudo pronto pra te ver sorriso.

"O sonho encheu a noite
Extravasou pro meu dia
Encheu minha vida
E é dele que eu vou viver
Porque sonho não morre."
(Adélia Prado)

terça-feira, 7 de outubro de 2008

"Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior"*

Saco cheio da seriedade da vida.
Saco cheio de horários, metas, lugares, rotina, marmita, sorriso robótico.
Eu quero dançar, gritar, gargalhar. Seja onde for.
Quero poder andar descalça na rua. Os germes serão só meus, os coliformes fecais ficarão impregnados nos meus pés e não nos seus. Então, quando eu fizer isso, não me julgue. Eu estou apenas querendo sorrir e deixar de ser séria. Um pouco, pelo menos.
Queria, na verdade, jogar malabares na frente dos carros no farol, sinal, semáforo ou seja lá como você diga isso aí na sua cidade e com o seu sotaque. Mas não em troca de dinheiro. Eu queria apenas sorrir e ver as pessoas olhando o que eu sei fazer de bom. Porque o meu melhor, definitivamente, não é ficar sentada em uma cadeira apertando essas teclas que eu agora aperto. Aliás, aperto muito mal apertadas, digito com quatro dedos, no máximo. Não me acho a grande digitadora. Nem a grande malabarista, mas que é muito mais bonito de se ver aquelas três, quatro ou cinco bolinhas coloridas dançando no ar, sobre a minha cabeça, isso é. A minha vontade é de cuspir fogo, colocar roupas coloridas, fugir com o circo Garcia ou qualquer outro que nem seja tão popular assim, tirar coelho da cartola, viajar em turnê, conhecer cidades, lugares, mostrando o que eu sei fazer. Sim, porque eu me acho muito melhor em um palco, picadeiro, sendo um outro alguém do que sendo eu mesma. O eu mesma é chato pacaralho. Ou então, ilumindando outros seres que ganham outros nomes ali, no tablado, na arena. Eu gosto de observar as pessoas deixando de ser elas mesmas e virando dragões, sonhos, vento, sorriso, Dona Flor, poste, barco.... Eu gosto de ver quem eu conheço virar outro. E eu gosto, sim, de ser eu atrás de uma máscara. Me esconder e poder fazer o que eu quiser. Ali, eu posso plantar bananeira, correr de costas, subir em cordas. Agora, imagine se eu vou fazer isso no Vale do Anhangabaú, por exemplo. Ou no viaduto do Chá, sei lá. Algo do tipo... Mas...os malabares... Ah, os malabares. Eu gosto dos malabares porque eles romperam essa barreira da lona, no palco, das luzes. Talvez, alguns achem isso a banalização de uma arte. Eu não. Eu acho lindo, acho bela a popularização da arte.
E, qualquer dia, posso parar frente ao seu carro, com uma gola colorida, pancake branco na cara e jogando bolinhas, aros ou claves para cima. Quem sabe. Quem sabe eu até cuspa fogo, esteja de perna de pau, fazendo alguma acrobacia. De fato, será bem mais prazeroso do que apertar insistentemente essas teclas que não me trazem sorriso e não me fazem enxergar colorido.


*Pena - O Teatro Mágico

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Desejo...

Eu não sei ser má.
Eu não desejo mal a quase ninguém. (Como no clichê da música...).
Não desejo a morte de ninguém... De jeito nenhum.
Mas a uma única pessoa, a ela e somente ela (essa é a única vez que citarei esta pessoa aqui no meu blog e/ou em qualquer outro lugar.) eu desejo a perda da memória.
É, você sabe que é você. Tropeça, cai, bate a cabeça e 'puf!', tudo se apaga. Nem precisa doer. Esqueça-se, esqueça o que foi vivido, esqueça o passado. E se quiser esquecer suas experiências com mulheres, será lindo também. Lembre-se dos bons momentos que teve com aqueles homens maravilhosos, com corpos sarados, deliciosos, suados e o bem que eles lhe fizeram. Ou se não teve experiência com homens, tenha agora. Nunca é tarde. Será magnífico para você ter essas novas vivências. Novas experiências são sempre bem vindas. Isso é fato. E, assim, pode deixar as pessoas que já se foram em sua vida em paz. Dar sossego. Sabe o que é sossego?
"Me diz o que é sossego que eu te mostro alguém afim de te acompanhar." Esse alguém chama-se Luis Antonio, mede 1,86 e vai adorar te conhecer e te acompanhar, baby.
Fora isso, não lhe desejo mais nada de mal. Fora isso, desejo flores e cores no seu caminho e leveza nos seus dias. Fora isso desejo a felicidade porque todos nós a merecemos, nem que seja por um mínimo instante, por um décimo de segundo.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

te(n)são

E é assim todos os dias, todos os minutos.
O dedo vai com jeitinho, se posiciona, coloca-se no local certinho...
E vai apertando, mexendo, a cada minuto, a cada segundo. Por vezes o indicador, outras o dedo médio. Para um pouco, dá uma descansada e continua, logo depois. Aperta, pressiona, estremece...
Aperta mais... Vai fazendo movimentos sincronizados, os olhos ficam brilhando e sorriem.
A ansiedade vai tomando conta de si, mas ela vai se acalmando, sem tirar o dedo do lugar. Mexe, remexe... Aperta, solta.
Pensando consigo mesma: "vai, vai!!!".
Pressiona mais algumas vezes, aperta, solta, aperta, solta..."Hmmm isso... Assim..."
O dedo sobe e desce em movimentos desordenados.
Tensão sobre os ombros.
Os olhos arregalam-se a cada pressão que faz o dedo.




Enfim, os ombros relaxam, o dedo vai saindo lentamente da tecla F5. "1 nova(s) mensagem(ns)".
E ela suspira... "Aaaaaaaannnhhh... Delícia de outlook."

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

.e me basta.

Eu? Eu só sou porque você existe e está em mim.
Pode parecer exagerado. Porque tudo o que sinto é de um tamanho tão imenso que torna-se exagero aos olhos de quem vê.
Mas eu sei e você sabe e sabemos o quanto tudo isso é imenso.
E eu sei o quanto meus poros gritam a presença da tua respiração em mim.

E você dança, na minha frente, quando fecho os olhos.
E sua voz canta as mais belas cantigas de ninar.

Sem essa de morrer de amor. Eu quero é viver de amor.
Do teu lado.
Dividir os domingos tediosos, as idas ao cinema, os cafés amargos, os panos de prato pra lavar, a água fria no banho quando o chuveiro queima, as gripes, os chazinhos, os programas de índio, o mau humor matinal, as palavras de carinho, o travesseiro, os planos, o último pedaço do pudim de leite, o "eu te amo" que os olhares gritam.
Não abro mão disso.
Seja na esquina da Ipiranga com a São João. Seja no Corcovado. Seja na minha ou na sua. Seja onde for. Sejamos nós e pronto. Isso é o bastante.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Parte 1 - lenda urbana e Parte 2 - O meu erro.



E sábado, foi a confirmação de que a rivalidade entra paulistas e cariocas é realmente lenda urbana. Bom, na verdade, eu nem precisava de confirmações. Eu sei que essa rivalidade é mito... Pelo menos, pra mim, sempre foi. Não passa de uma grande inverdade.
No sábado conheci a Bia, amiga da Polly, carioca gente boa pacaralho, assim como todas as outras que eu conheço.
A Bia bateu cabeça com a gente na balada rock n' roll, ouviu a Pollyanna se declarar trezentas e noventa e oito vezes pra cada uma de nós (A Inara tava junto). Observou os momentos Monange. Gargalhou do camundongo aventureiro.
E, caralho, foi bom demais. Foi bom sair com a Polly pra uma baladinha depois do dia todo em um churrasco com a Marcella, foi bom ouvir todas as piadas da Inara. Piadas que nos deixavam até sem ar de tão engraçado que é esse ser. E foi bom ter realmente a confirmação de que o sotaque carioca é lindo. Sim, eu piro, eu viajo, eu babo...
O único problema é a nostalgia que esse sotaque me traz. Vem uma saudade gostosa daquele sotaque dizendo coisas meigas no meu ouvido, do sorriso-de-canto-de-boca que aquela voz cacheada e somente aquela, com aquele sotaque e aquele jeito de falar, consegue me causar.
E é aí que entra a parte dois. A parte do "não quero lembrar que eu erro também". Eu erro, sei, eu assumo, eu me arrependo, eu me desculpo e eu não sei guardar pra mim. E acho que não preciso ficar guardando nada.O probelma é, apenas, o modo como solto as coisas e deixo tudo esquisito. E não só pra mim.
E me dá medo. De novo e sempre. O medo de perder justamente o sotaque que me faz bem e que me faz sorrir. E sei que tantas e tantas palavras não vão fazer mudar nada agora. É hora de atitude. E, sim, eu vou mudar. Porque eu não quero mais me arriscar a perder as melhores coisas por erros meus. E ponto.
E, se o Rio de Janeiro continua lindo, eu não sei. Mas vou lá conferir! E logo!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Pensando em fugir...


De mim, daqui, de perto do que sou.
E, só pra não perder a deixa, é pra lá que eu vou:


Se alguém quiser, dou carona. Bora?

domingo, 28 de setembro de 2008

A ciumenta

Eu poderia começar a escrever em terceira pessoa. Aquele velho truque para não se expor. Mas não, de truque, para mim, isso não tem nada. Tão fácil saber sobre o que estou falando ou o que estou sentindo.
E, agora, nesse exato momento, sinto um ciúme desgraçado. É, sinto. Não vou mentir, não vou fingir. E isso faz um mal do caralho pra mim. Fico aqui, feio tola, pensando em coisas que nem deveriam passar pela minha cabeça.
É uma merda. É tudo uma grande merda. Essas coisas que eu mesma vou criando e que vai me deixando, aos poucos, tão pra baixo, tão esquisita, me sentindo esquisita.
Mas eu não sei ser diferente, não sei sentir diferente.
Porque é amor. E é tanto amor...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Ah, eu sou brega!

Eu adoro ouvir um "Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar..." Danço, me acabo, saio suada!
Sou fã de Cauby que depois de tanto botox e paralisia facial, ainda canta e se acha pacaralho!!!
Canto pelos cantos um monte do Tim Maia, ouviria fácil no meu carro (se eu tivesse um) com o vidro aberto e cantando aos quatro ventos "Vale, vale tudo, vale o que vieeer, vale o que quiseeeer!".
Fábio Jr, então. Me jogo ouvindo junto com minha mãe e minha tia. Chega época de fim de ano, as festas de família e a gente arrasa no videokê. Cantando desde Fabião até Tetê Espíndola. Até porque, Tetê é clássico de videokê. Não dá pra pegar o microfone e não dar aquele grito no máximo do agufo, falsete ou o que for pra seguir "você pra mim foi o soooooooool".
Mas tem que ser brega bom! Brega 'roots'.
Porque Gretchen não é engolível. Em nenhum sentido!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Dor de cabeça.

"Fica quieto e ouve ou lê, você deve estar cheio de vibrações adeliopradianas e, portanto, todo atento aos pequenos mistérios."
(Caio. Sempre.)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

"Para Uma Avenca Partindo"

“… deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente…”
(C.F.A.)

Arranquei telhados, telhas, tetos, muros. E você continuou crescendo.
E tem hoje a forma das mais belas flores primaveris.
E tem hoje o perfume que me faz sorrir. E me tens. Inteira, completa, intensa.
Sua.
E mais nada.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Sol saindo, enfim. Óculos escuros. Capotando no busão. Quase babando no ombro da senhora ao meu lado. Cobrador sem troco, bilhete único sem carga. "Na hora que a senhorita descer, pega o troco comigo"
Dia tão comum. Não fosse a merda do ônibus encrencar no meio da Av. Tiradentes com aquele trânsito paulistano das 7h15 da manhã... O humor de quem descansou horrores no fim de semana e não tirou o nariz pra fora de casa não se alterou quase nada.
Até chegar aquele ser, esbarrar em mim e derrubar a minha deliciosa marmita. Marmita de segunda é a melhor do mundo. É o resto da macarronada do domingo, é a mais saborosa da semana inteira.
E aquele filho da puta derrubou a minha deliciosa marmita!!! E eu serei obrigada a comer qualquer merda de qualquer cozinha que não a da minha casa, que não a comida que foi cozinhada pelas hábeis mãos da minha mãe.

Ah, como eu adoro uma segunda-feira primaveril com pássaros cantando, flores brotando e senhores derrubando a minha comida!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Hamlet

É desafio.
Nunca gostei de Shakespeare.("Oh, ela trabalha com teatro e não gosta de Shakespeare!!!! ") Nunca gostei de trabalhar com textos dele. Sim, o cara mandava bem, eu reconheço. Sei que tenho que conhecer mais pra julgar... Mas eu realmente, gosto pouco dos textos que li dele.
Pois eis que surge o convite pra trabalhar com Hamlet.
Há duas semanas tenho lido Hamlet, tenho observado com outros olhos, apesar de não gostar (mesmo) do final...(aguardando xingamento do René).
Po... Eu achei meio... Sei lá... Dramalhão.
A história toda é bacana. O desenrolar, achei bom. De verdade. Mas chegou no fim e eu brochei total...
Enfim... "Apesar de" to curtindo o trabalho. O experimento. A experiência.
Eu gosto das montagens do René. Eu gosto do olhar contemporâneo, das luzes, dos movimentos, das imagens.
Tenho gostado bastante das imagens criadas pelos atores. Estamos caminhando. E eu estou gostando e acompanhando junto com eles passo a passo.
Sorrio por estar com eles. É, eu gosto. Eu gosto das pessoas, das conversas, das piadas, das risadas.
E gosto do Renezão. (mas prefiro com barba!)
E gosto de estar com os Imaginários. E vamos realizando...

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Tire as mãos! (e o olho gordo também)

Protejo e guardo.
Não numa redoma de vidro, mas aqui, dentro de mim.
Pra que ninguém possa machucar. Pra que ninguém possa fazer doer.
Já nos doemos demais.
Ninguém mais (de fora) deve mexer aqui, no que é nosso.
Não, eu não deixo ninguém mexer no que é meu, seu, nosso e tá guardado.
Desde ontem e para sempre

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Ensolarada.


Olhei pro alto e vi o céu abrir sorriso.
Enfim, ele sorri pra mim. Por entre as folhas das árvores, por trás dos prédios. É tudo sorriso.
É quase uma gargalhada sem fim.
O céu se abre e gargalha pra mim...
Mostro a ele que também sei sorrir.
Eu, os pássaros, meus passos leves.
Caminhamos e sorrimos.
Cantam meus passos o mesmo som saído dos bicos dos pássaros.
E eu, eu gargalho junto com o céu.
A leveza, o parecer nuvem passageira, me faz gargalhar.
Não nuvem de tempestade, não sou chuva e nem estou tempestiva.

"Porque até no capim vagabundo há desejo de sol"*

E se me rio, me faço bem.
E esse sorriso que vai surgindo é aquele sorriso bobo que há tempos não voltava.
Sorriso de céu.
Sorriso só seu.
Sorriso de aprovação.
Sorriso sacana até.
Sacana como o sorriso lá em cima que me acompanha.
E segue por hoje e daqui pra frente.


*Clarice Lispector

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

áspera e desesperançada.

Sou.
Some a isso um tanto de ciúme e possessividade e me terás, assim, fórmula pronta. Não sou surpresa, sou previsível. Muitas das vezes digo frases que já imaginavam que sairiam de mim. Muitas vezes.
Sou saudade também. Nostalgia, lembrança. Gosto do gosto de lembrar, gosto de lamber os dias felizes, mas também remôo as dores e sinto na saliva o gosto salgado das lágrimas já passadas.
Um tanto comédia. Comédia como máscara, pra esconder o meu drama. Piadas vomitadas sempre pra fingir que tudo tem sentido, quando mal sei o sentido que estou caminhando.
Sou dor, na maioria das vezes. Tudo me dói com uma profundidade... Caio no poço e levo tempos pra voltar pra cima. Sou dramática, mesmo. Faço de tudo dor. Ou fazem e jogam a dor pronta nas minhas mãos, sabem que eu, como ninguém, irei mexer, mexer até se fazer pó essa dor. Sim, uma hora ela acaba. E nasce outra, e vem outra e, porque não, eu crio outra.
Sei amar, também. Me entrego, me jogo, vou, pulo, me lanço. Não tenho medo, não. Me sinto fraca, na maioria das vezes, mas sempre me jogo. Algo lá embaixo ainda me sustenta, algo que não sei o que é.
E sei ser paciente. Espero três horas, dois dias, meses, se for preciso e precioso. Eu espero. Não tenho muito o que fazer. Já fui muito atrás, hoje aprendi a ficar quieta e esperar. O que tiver de ser será.
Ou não...
Me chacoalhe, balance, remonte. Isso tudo não muda nunca. É minha essência, é o que sei ser. E se não for assim, de fato, não serei eu.
Não, não... Será outra.
Existem trechos de mim que nem eu conheço ainda. Ou que não reconheço. Desvende-os. São seus. Estou sua e nas suas mãos. Sempre estou. Nada muda isso. Estou sempre nas mãos de. A espera de. E sorrindo para.
Sorrio. Porque é a parte de mim mais bonita. Os dentes que me orgulho de conservar branquinhos. E, sempre que possível, os mostro.
Nem que seja como escudo.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A rosa não fala




Ela grita a tua presença!!!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Quixoteando...

Assim... Acabou esta temporada. Acabou um ciclo. Uma coisa linda que eu realmente me orgulho de ter participado. Mesmo que não do início.
Saio com experiências e vivências novas e marcantes. Do 'boa noite, o René tá aí?' tímido no primeiro dia, às gargalhadas e piadas dos últimos. Pedaços de pessoas ficam em mim. Eu carrego um pedacinho de cada pessoa que ali esteve comigo. Sim, eu estava inteira ali. Cada sorriso, cada gracinha... era tudo inteiro, completo, eu.
Sim, fiquei feliz. E fiquei mais feliz ainda por ter me permitido (e pelo René ter permitido também, claro!) assistir a pelo menos uma das apresentações dessa temporada. Eu chorei. Eu me vi. Eu me emocionei e fiquei arrepiada. Da história que fazia tanto e tanto sentido...
Eu quero mais. Eu quero... Mais coca-light derramada no palco, mais lágrimas de emoção, mais fogazza, mais risadas, mais e mais e mais e mais!!!
Foi bom pacaraleo!!!
Lembro de ter vagado pelos teus corredores esta noite. Passeava de olhos fechados por tuas portas, janelas. Sentia o cheiro de café forte que exalava pelos teus cômodos .Sorria-te com sorriso de felicidade.
As pernas perdiam o rumo diante da imensidão que parava a minha frente. Os olhos brilhando, como não brilhavam há tempos.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

do dia.



Dia colorido.
Sorriso colorido.


Apenas uma preocupação.
Me preocupo em regar as flores pra que elas cresçam belas e apenas sejam.
Não penso, apenas ajo.
E rego.

sábado, 23 de agosto de 2008

parênteses

[parêntesesgrandes]Nostalgia me toma hoje e grito Los Hermanos pelos cantos. Por todos eles. Pelos meus poros saem versos. 'e fazer do teu sorriso um abrigo'. Muitas e tantas coisas me voltam à memória e um sorriso se abre pelo que foi bom e foi vivido com intensidade de um mergulho em águas revoltas. Muito me debati, muito me feri, mas muito fui feliz. Por ter conseguido mergulhar e, mais feliz ainda, por sair de dentro do mergulho com forças pra respirar e me aprontar pro próximo mergulho. 'que explique a minha paz...' Percebo o quanto é bonito o sentimento de perdoar, ou do pós-perdão. O quanto me fez bem saber que aqui não tem mágoa, não tem rancor, não tem ódio. Nada disso, resta apenas as lembranças e, sim, as saudades dos belos e bons momentos que se passaram e que me fizeram crescer e abrir passagem para os novos belos e bons momentos e as belas novas histórias que me fazem sorrir e ser maior do que eu fui um dia. 'tristeza nunca mais'. Porque se a palavra era amor, dificilmente ela se transmuta para alguma outra de sentido tão oposto. Dificilmente.[/parentesesggrandes]

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Papo sério.

Eu:-Porque você não colocou na trilha "Fool on the Hill" na versão da Gal?
René:-É, aí eu colocava Cassia Eller, Simone, Ana Carolina...
Eu:-...Angela Rorô, Zélia Duncan, Adriana Calcanhoto.
René:-E o espetáculo se chamaria "Quixota".

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

s.u.r.t.a.d.a

1, 2, 3... testando!
Testanto!
Ssssssom!
Ssssssssssoooom!
Pode falar?

Ok. Ok...
Cof... cof...
Assim, é a primeira vez que eu falo em público e eu to nervosa. Minha voz tá tremelicando, sabe? Eu to tonta, acho que minha pressão caiu. Pressão cai fácil, né? Poxa... É calor, cai a pressão, é frio, cai a pressão. Eu num sei como acontece isso, não. Coisa de doido!
Mas eu vim aqui, não falar de pressão, mas de depressão. É, vim dar meu relato aberto, assim, ao público.
Dia desses, eu tava numa livraria, na verdade devia ser chamada de revistaria, porque eu vi lá mais revista que livros. Mas assim, tinha uma revista de uma entrevitsa com uma mulher famosa aí, Fernanda num sei do que. Aquela que fez... Fez ou escreveu, num lembro... Os Normais. E ela dizia que hoje em dia, nos tempos modernos, quem num tem depressão é que é esquisito.
Tá, eu fiquei ali pensando um pouco sobre aquilo. Na verdade, refletindo (refletir é mais chique que pensar). Aí, eu achei que até que ela tá certa, sabe? Acho que esses psicólogos nunca faturaram tanto quanto nos dias atuais. E os remédios nunca foram tão karatekas assim... (Acho essa alusão ótima pra falar sbre tarja preta... hehehe). Né? Olha só, aqui, nesse auditório lotado, com esse microfone falhando (inferno!) eu olhei na cara de cada um enquanto eu dizia o que li na revista e se eu vi duas pessoas que não fizeram 'sim' com a cabeça é muito.
É, gente... É normal. Amor te largou? Depressão. Perdeu o emprego? Depressão. Se desiludiu com seu grande sonho? Depressão, depressão, depressão. Ter depressão tá tão comum quanto queda de pressão... (Depressão - de pressão... hã? hã?...hehehe).
Na verdade, olhando bem, isso aqui nem se parece com um auditório e não sei porque é que tem gente me olhando. Na verdade, eu to é me sentindo um bagaço de tão sozinha. Na verdade comparar vocês que passam, a um público que me assiste é péssimo. Comparar os restos da banca de jornal a uma livraria é pior. Comparar essa merda dessa coxa de frango com um microfone me faz sentir o que eu realmente sou: só.
Só, aqui embaixo desse poste que nem luz acende mais (já acho que nem o poste vai com a minha cara), olhando esse monte de carro passar, sonhando com a volta pra casa - se eu ainda tiver um lugar que eu possa chamar de casa. Estou só há três dias. Desde o dia que ele me deixou e jogou na minha cara que nunca me amou. E isso me faz pensar, ou melhor, refletir, que eu estive só durante um bom tempo da minha vida. Eu é que não queria ver. Eu é que estive cega. Eu é que... me enganei.
E, sim... Isso, sim, pode ser chamado de depressão. E é aí, que, enfim, meu sorriso se abre. Porque? Porque eu olho pra sua cara, é pra sua que passa na minha frente e ignora o que eu digo, e vejo que você também tem essa tal de depressão. Seja qual for o motivo. Eu estou sozinha com a minha dor, ela é unicamente minha, mas não estou só no mundo! Ahahahaha... AHhahahahaha... Ahahahahahahahahhahahahahahahahahhahahahahaha....
(Continua andando pela rua e gargalhando, atravessa a av. São João e vai dando passadas pesadas e largas... Até perder-se da vista dos poucos que a observavam...)

domingo, 10 de agosto de 2008

Sugestões para atravessar agosto

Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro - e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente.
Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir, dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons, deixam a vontade impossível de morar neles, se maus, fica a suspeita de sinistros augúrios, premonições. Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade. Muitos vídeos de chanchadas da Atlântida a Bergman; muitos CDs, de Mozart a Sula Miranda; muitos livros, de Nietzche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais a cabo ajudam bem: qualquer problema, real ou não, dê um zap na telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente, que isso também passará. Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos. Claro que falo em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. Não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós. Para quem toma trem de subúrbio às cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou, justamente, agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos - ou precauções-úteis a todos.
O mais difícil: evitar a cara de Fernando Henrique Cardoso em foto ou vídeo, sobretudo se estiver se pavoneando com um daqueles chapéus de desfile a fantasia categoria originalidade...Esquecê-lo tão completamente quanto possível (santo ZAP!): FHC agrava agosto, e isso é tão grave que vou mudar de assunto já.
Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu sem o menor pudor, invente um. Pode ser Natália Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.
Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques - tudo isso ajuda a atravessar agosto. Controlar o excesso de informações para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer o Zaire, a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas - coisas assim são eficientíssimas, pouco me importa ser acusado de alienação. É isso mesmo, evasão, escapismos, explícitos.
Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter de mais no tema. Mudar de assunto, digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco:.

Caio Fernando Abreu
(Sempre Caio)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Comment deleted

Esta postagem foi removida pelo autor.





Eu detesto isso...

Zica.

E o que mais agora?
Vai cair um cometa na minha cabeça, um cachorro vai mijar em mim, vou ser atropelada por um caminhão de gás,vou pegar a Marlene Mattos?
Porque é só o que falta, mesmo...

sábado, 2 de agosto de 2008

Sábado de sol...

... Não aluguei caminhão nenhum. Apenas amanheci sorrindo depois de uma noite esquisita, depois de algo inusitado, depois de 'isso nunca me aconteceu antes'...
Piadas à parte...

Sábado de reflexões, de pensar no hoje e no amanhã e de ter algumas certezas, de algumas coisas ficarem bem claras.
E, assim, com a clareza que tenho, é que te dôo a minha, a sua aprendizagem.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

da noite mal dormida

Acordar do sonho que é tão real.
Acordar e perceber que era apenas mais um sonho daqueles tantos qe ando tendo.
Lembrar de detalhes de manhã, ao levantar. Pensar no quanto é imenso o desejo do sonho ser real.
Lembrar cada detalhe dos cachos, da voz, dos sorrisos, do modo como me beijava, da fuga do que é real e me amedronta.
4:52 - despertar e quase memorizar cada detalhe daquilo que me pareceu ser mais que real.
Olhar ao redor e ver a escuridão que ainda não faz sentido nenhum.
Sorrir com o canto dos lábios por lembrar do passado que é lindo e que me faz sentir um tanto melhor.
5:30 - despertador toca o som que me faz reviver. O som que tocava quando era aquele interurbano tão esperado e que hoje não acontece mais.
Lavar o rosto, escovar os dentes, olhar na janela o sol que nasce e viver o hoje.
O que passou não volta mais. O sonho ficou guardado, na gaveta de planos que não foram concretos.
Hora de começar um novo dia... uma nova era, como dizia aquele que me fez acreditar que cada dia pode ser o último, cada dia é uma nova era.
E que assim seja.
Boa era a todos.
Aos girassóis, às margaridas, aos lírios e às flores de pelúcia que, como o tal do amor, não morrem jamais.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

"...como uma idéia que existe na cabeça..."

E lá vem aquele medo de novo.
Aquele que trava tudo por aqui, que me faz tremer as pernas.
Não, não sei ser diferente e ponto. Eu me entrego e ponto. Eu não penso e ponto.
É meu jeito, desde que me conheço por gente, sou assim.
Algumas pauladas me fizeram ter mais cautela, fato. Mas, ao me sentir segura com tudo, eu me jogo, sem receios, sem pré-ocupações na mente.
E vai dando aquela fisgadinha aqui dentro, aquela coisa de pensar 'de novo, meu?'.
Eu tento não pensar, eu tento me segurar, eu tento. Mas sou fraca demais para tanto.
E no meio do turbilhão de coisas que venho vivendo ultimamente a areia movediça seria a salvação.

sábado, 26 de julho de 2008

...

Dentro do misto de preocupações que trago agora, é bom saber que está aí.
Só isso.
Saber que se importa.
O medo vai passar, eu sei.
Talvez ele passe junto com a dor.
Pode parecer tolo, mas ainda me dói.
E uma hora vai passar.
E eu estarei disposta a te receber do jeito que vier.
Independente desse jeito ser o jeito que eu tanto quis ou ser o jeito de flor que você surgiu, daquela vez, me dando bom dia.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Cabeça rodando.
Ela nem me olha nos olhos.
Ele resolveu voltar a falar comigo.
Ela chora enquanto cozinha, enquanto corta a melancia, enquanto ouve minha voz.
Ele pergunta como foi meu dia, se estou cansada.

A pequena me olha com olhar de reprovação.
O maior ainda não entende o que está acontecendo.

Eu mato e morro por eles.
Penso, novamente, em ir embora. Pra aliviar a dor deles, mesmo que a minha aumente.

Saudade da leveza dos dias de sol.

terça-feira, 22 de julho de 2008


Seguro, seguro.
Entro dentro de mim e não quero sair.
Eis que você me puxa pelas mãos, acaricia meus cabelos e me olha daquele jeito que me faz sorrir com o canto dos lábios.
Eis que vou me desprendendo do que não é mais meu e caminho em sua direção.
As palavras são vãs.
Aqui dentro, vai brotando um girassol.

domingo, 20 de julho de 2008

Out. Ouch!

Falei. Assim, na cara deles, sem pensar muito, porque se pensasse, não sairia nada.
Cara de decepção de um lado, gritos de 'você não é isso' do outro. E meu rosto inundando das lágrimas que esperava não saírem.
Aconteceu, foi, fiz certo.
Me sinto mais leve, mas me dói. Assim como muitas outras coisas têm me doído ultimamente.
Inferno astral começou um tanto antes, dessa vez.

...

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Perdi

Perdi os escudos.
Perdi as armas.
Não me defendo e nem ataco.
Deixo ser.
E que seja, então!

sábado, 12 de julho de 2008

.vamos ver o pôr do sol.

Topo!
E foi assim. O sol se pôs tantas e tantas vezes em meio a risos e vinhos e gargalhadas e suor... O sol se pôs na praça, passou por entre frestas de janelas, entrou por dentro de mim e ficou ali, repousando no bom momento.

As coisas são engraçadas. A vida é engraçada. Eu não esperava que fosse acontecer e 'puf'! Lá estava eu ganhando sorrisos e carinhos. Em sextas, sábados, domingos, saídas do trabalho, almoços.
Tudo tem se acertado no seu devido lugar. Tudo tem se feito bonito e nem preciso de muitas palavras pra dizer o quão bonito.
Medos estão aí o tempo todo. O medo de atravessar a rua, o medo de mandar uma mensagem o medo de não ser correspondido, o medo de machucar e não saber consertar.
Mas eu me entrego, eu me jogo, eu bato cabelo e sigo. Porque é assim que tem que ser, apesar de toda a insegurança.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

amor = demência

Então, é isso.
O amor que eu trago aqui dentro foi transformado em demência mental.


Se é assim que você prefere acreditar, se isso te faz melhor, achando que não me fez mal porque não é amor, continue acreditando nisso. Porque eu quero seu bem maior. E se pensar assim te faz melhor, seja feliz assim mesmo.




Eu disse 'eu te amo' e não foi carência.
Eu ouvi 'eu te amo' e não achei que fosse só pra me agradar.


But... life goes on...

sábado, 5 de julho de 2008

e é tanta dor...

... que não tem mais por onde sair.
Os gritos abafaram, as lágrimas secaram.

E eu tento, juro que tento me livrar dessa dor. E por um, dois, três dias, ela dá uma sumidinha. Mas ela volta, sempre volta.
E eu já não sei mais o que fazer...







































[e eu que pensei que você tinha se feito minha]

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Os olhos ainda embaçados por não conseguirem se manter secos, tentam enxergar um motivo, uma razão, uma coisa qualquer pra que tudo tenha se perdido assim, do nada...


"Que sorriso lindo." " Nossa, que mulher bonita." "Ela é engraçada, me faz rir." "Inteligente você, menina." "Poxa, eu casaria contigo." "Ah, se eu fosse hétero, você seria minha." "É a mais bonita que já vi por aqui." "Cara, como você se entrega, acho lindo isso." "Ela é rara."
Frases vindas de diferentes bocas, em diferentes horas, por diferentes motivos. Mas de que adianta tudo isso? Se ela cai, ela se machuca, ela quase morre por dentro... De que adianta ela ser 'tudo' isso, se pra quem ela queria ser tudo, pra quem ela fez ser tudo, hoje, ela é apenas lembrança?

Dor ao vomitar. Dor ao vomitar palavras mal escritas. Dor ao falar, ao andar, ao pensar, ao deitar...

Ela se machuca. Ea sempre se machuca. E ela acreditava tanto dessa vez, tanto. Que... que ela se permite acabar em lágrimas, em falta de fome, em dias longos que não passam nunca.
Esse tal do tempo que cura tudo... Cadê ele passando e mostrando que a cura não vai ser tão fácil assim? Cadê esse pé de tempo voando por perto?

Ela se olha no espelho... E cadê? Cadê a cor da vida, a cor da face, a cor do amor? Cadê?
Ela se olha fundo nos olhos... E, mais uma vez, eles começam a escorrer. Eles deslizam pela face cinza procurando algum lugar onde possam se esconder de tudo isso que ela já não sabe como denominar.
E cadê o fim do texto que não quer vir? Cadê o ponto final que insiste em ficar pra trás... E restam, como todas as vezes e mais todas as outras, as reticências...

(...)

"A vida se vingava de mim..."
(CL - GH)

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Esperando Godot

Sabe que esperar não é pra qualquer um. Esperar é pros fortes. E eu me fortaleço a cada espera e a cada dia tentando te trazer de volta... Te fazer você de novo.
Eu te peço, te peço pra não me deixar só aqui. Sem você, é escuro, é cinza, é feio. E eu, aqui dentro, me torno oca. Por isso, espero. E vai valer a pena. E você merece.
E vamos nos casar, lembra? Casar. Assim, eu e você e nossas escrivaninhas cheias de livros e nossos filhos e nossos ideais e objetivos. Vamos, eu sei que vamos. Por isso, encontre o caminho de volta. Olha a placa, ela indica a direção... Olha! Você sabe a direção, não preciso te dar bússolas, nem nada. Você sabe onde estou e onde você está em mim.

"- Amanhã a gente se enforca. Se Godot não vier.
- E se ele vier?
- Aí seremos salvos."*



Estou aqui, no lugar de sempre que é só seu e você sabe disso. Estou aqui e nem precisei fazer caminho com pedaços de pão pra você me achar... E continuo no mesmo lugar onde você me achou. E você está. Assim como o amor está. Então... Espero, espero ansiosamente pelo dia que há de vir que é o dia de você voltar.




*(Esperando Godot - Samuel Beckett)

A escorrer...

Enquanto seus olhos brilham, os meus inundam.
E te sinto escorrer como areia entre meus dedos...
Enquanto você acende seus cigarros e toma seus vinhos.



"Meu Deus! Mas como você me dói de vez em quando..."

sábado, 21 de junho de 2008

Me perco dentro de mim e tranco as palavras por trás dos dentes.
Eu só queria gritar e voar.
Meu erro? Meu erro.

E o medo me abraça.

quarta-feira, 18 de junho de 2008



Não acordei com o pé direito... Aliás, acho que nem com o esquerdo. Devo ter caído de cara no chão.
Dia ruim, péssimo, esquisito.
Uma angústia tremenda, não sei porque. Respirando saudades. Do que eu fui, do que eu sou... E saudades de quem eu quero do meu lado pra quando eu for um pouco mais eu...
Dia ruim. Quero cama, mas to sem sono. Quero deitar e gritar no travesseiro pra que ninguém me ouça, ninguém ria de mim...
Só queria ser cuidada um pouco. Só.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

12.06.08

Porque o meu presente é a sua presença.
Feliz dia, flor minha!!!

sábado, 7 de junho de 2008

De família.

Hoje faxinei o quarto. Tava na hora. Entre poemas antigos, fotos velhas, cartões de natal... Eis que encontro carta que vovó mandou pro vovô. (Meus avós são os antecessores do orkut. Acreditem, eles se conheceram através de cartas, mas isso é outra história!!!)
Então, resolvi colocar aqui a carta dela... Tão simples e linda.


Santa Rita, 3-8-1950

Saudações e muitas saudades.
Querido Paulo, é com muito prazer que pego na pena para responder a sua adorável e tão esperada cartinha que recebi no dia 29 passado e com a qual fiquei muito contente por saber que fizeste boa viagem e que vai indo bem de saúde ao passo que eu e os meus vamos indo bem até a data presente graças ao bom Deus.
Paulo você disse que só sente estar longe de mim. Será mesmo? Deste mal também me queixo porque a única cousa que me preocupa é estar longe de ti. Você pergunta se eu penso em você? Nem se pergunta tal cousa porque apesar de você dizer para eu pensar pouco em você quando nos despedimos (lembra?) eu não consigo ficar uma hora sem pebsar em você, acredita? E você pensa em mim? Creio que não. Você perguntou se o meu dedo já sarou? Já está quase bom, mas ainda não sarou bem. Paulo, então você gostou dos dias que esteve aqui? Se fosse só você. Eu também sinto muita saudade daqueles 10 dias que você esteve aqui. Como passou depressa, não?
Paulo e você disse que engordou mais de um quilo. Acredito, porque logo no dia que comecei trabalhar fui me pesar. Sabe quanto engordei nesses 10 dias? Engordei 3 quil0s. Também é como você mesmo disse 'sombra e água fresca'; mas agora é das 6 da manhã as 5 da tarde no duro. Paulo você perguntou se o Mané João esteve muitos dias aqui depois que você foi embora. Não, ele voltou de Cajuru no dia 21 e foi pra São Paulo dia 23 de modo que ele ficou só mais um dia aqui.
Então você agora está dando duro? Não há de ser nada agora. Você trabalha bastante, ganha bastante dinheiro depois quando você estiver rico senta numa cadeira de preguiça e diz 'sombra e água fresca', não é?
Então você já estã com saudade daqui? Eu também não vejo a hora que você volta, você disse se eu vou machucar outro dedo quando você vier? Se não doesse tanto eu até seria capaz.
Bem vou terminar porque o papel já não está dando. Vou terminar enviando muitas lembranças minhas e dos meus a você e aos seus e vai também um forte abraço desta que espera ser tua um dia.
Amélia Navi

Depois de uns dias juntinhos
É triste a separação
Na hora da despedida
Que dor no meu coração


Amélia Navi casou-se com Paulo Dezoti.
Geraram Rita de Cassia Dezoti, Rosangela Navi Dezoti e Paulo Marcos Dezoti.
E foi a Rosangela que me pariu.

E qualquer semelhança dessa carta com algo que eu esteja vivenciando ultimamente... seria apenas coincidência?

quinta-feira, 5 de junho de 2008

...

Dos meus sonhos
Dos meus medos
Das lembranças
Dos sorrisos
Das lágrimas...
...Vem você e muda
E completa
E grita
E me faz ser.

E eu não preciso de mais nada.
Tenho seu cheiro, seu jeito em mim.

domingo, 1 de junho de 2008

Daqui a um ano...

Eu me imagino embaixo das cobertas, ao lado dela, no nosso apartamento, numa tarde fria de domingo, assistindo a algum filme que ainda nem foi lançado, com uma caneca de chá em cima do criado mudo. Imagino suas mãos acariciando a minha barriga enquanto sua voz diz coisas bonitas e sacanas nos meus ouvidos e eu enrolando seus cachos nos meus dedos. Eloísa (aquela gata que vamos ter) passeando por entre nossas pernas entrelaçadas e miando, pedindo atenção. Imagino o sorriso surgindo nos seus lábios enquanto diz que não aguenta mais ouvir o miado dessa gata. Me imagino amando, sendo amada, feliz, radiante... Me imagino lá ou ela aqui. Imagino uma fresta de janela aberta deixando um pouco do sol entrar e iluminar aquele lindo rosto que me faz tão bem... Imagino a felicidade e nós. Só.

quinta-feira, 29 de maio de 2008


É que ela tinha inventado tanta coisa na cabeça dela, no mundo colorido dela, que ela precisava se desculpar pra si mesma por ter criado tanta história que não deveria ter inventado e que nem queria ter inventado. Porque, pra ela mesma, eram apenas desculpas pra fugir daquilo que gritava dentro dela e que ela queria calar, não por medo, mas por falta dele. Porque a coragem, às vezes, nos faz fazer coisas que não faríamos se tivéssemos um pouco de medo e esperássemos mais um pouco. Era isso que ela pensava, ela devia esperar mais um pouco, mas ela já estava tão encorajada, que já havia feito e dito tudo de todas as formas possíveis que nem ela mesma se desculpava por ter inventado aquilo tudo. A imaginação dela era tão forte que de repente seus cadernos tornavam-se verdadeiros livros de contos e ela fazia castelos e fadas e bruxas e escorpiões que ferroavam amor nas pessoas e tudo era lindo, lindo. Mas era tudo tão inventado... E ela via que a realidade ao seu redor era tão... cinza. E escorria uma única lágrima do seu olho esquerdo. Ela achava esquisito porque ela nem era canhota. Mas seu olho, sempre, o primeiro a chorar era o esquerdo.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

2.5 (Manoel de Barros)

Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem
.Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.


Eu gosto desse poema.
Não tem muito a ver com 'meu momento'. Mas tem a ver com... com os dois ponto cinco que eu tanto amo.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Eu desconfio...


...que algo em mim mudou nesse feriado. O bichinho verde que crio dentro de mim voltou a se manifestar. E eu? Eu adoro!


segunda-feira, 19 de maio de 2008

Pernas pra que te quero

Eu sempre pensei que a fuga era a única e/ou melhor saída. Sempre. Nada se passava aqui na cabeça senão fugir e fugir cada vez mais.Mas não consigo. Não consigo por tudo o que você me fez e faz sentir. Pra que fugir disso? Pra evitar o que? Mais sofrimento? Sofrimento maior seria eu fugir de você e consequentemente de mim. Talvez fosse o maior erro.E é por isso que vou enfrentar. Não te enfrentar, mas enfrentar esse medo que passa pelas veias no meio do meu sangue que já não é tão quente com essa sua ausência.Porque você continua me visitando todas as noites e eu te beijo, te afago, te dou o carinho que sei que você precisa. E é por isso que quero seus olhos nos meus. Pra poder te dizer que é você quem me faz seguir e sorrir e não querer mais fugir.


"Venha quando quiser, ligue, chame, escreva - tem espaço na casa e no coração, só não se perca de mim"
(Caio F. Abreu)

domingo, 18 de maio de 2008

"Teu sorriso eu vou deixar na estante pra eu ter um dia melhor"

Porque eu vi teu sorriso acontecer de perto tantas e tantas vezes.
E se somente ficar na lembrança, eu me alegro porque me permiti ver-te sorrir.
Não sei se conseguiria passar a vida sem saber qual o som do teu sorriso.

"Requiem For a Dream"


Eu tenho assistido a muitas coisas ultimamente. Não sei se é porque m privei durante dois anos desse prazer, por motivos maiores, ou pra tentar esquecer algumas coisas que andam me atormentando. E assisti ontem a esse filme. E tomei um soco tão grande no estõmago que mal conseguia comer a pizza que estava no meu colo.
Forte. Exagerado, segundo meu pai, mas direto no ponto. Vai e cutuca fundo o mundo, sub-mundo, ou como quiserem chamar. Os vícios, os prazeres, os encontros. Até chegar na perda. A perda do que é importante e essencial pra viver.
Bonito, bonito... Uma facada. E uma facada é bonita quando? Quando a gente precisa dela pra seguir.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

El Sueño Del Caracol


Eu assisti. De novo e de novo e de novo. Já não sei quantas foram as vezes que eu assisti. Não lembro. Mas toda vez que vejo, é uma sensação nova, diferente. Me toca de uma forma que não consigo explicar aqui, em palavras. Me é doce.
Lembro do dia em que o René me mandou o link. E do quanto eu fiquei tocada com esse curta. Talvez, nem fizesse tanto sentido assim na época. Mas hoje, hoje que o medo da perda é imenso, faz sentido gigante.
E enquanto eu assistia, eu esperava Godot. E então, o René (o mesmo que me apresentou ao 'sueño') disse que um menino havia passado e dito que o Godot não vem mais. O menino dizia que ele só vem amanhã.
E onde é que está esse amanhã que nunca chega?
E porque esse dia que é hoje, nunca acaba pra chegar o amanhã?
E se Godot não vier mesmo... Será que alguém vem?
Nem que seja em forma de mensagens em capas de livro. Mas alguém... Um dia... Ainda vem?

"Eu vou esperar. Eu disse que a amava e isso não é algo que se anule."
(Paula Chagas - Pé Na Estrada)

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Da massagem.

E aquela massagem que me fez em sonho... Tem como se tornar real?




*Porque as noites de sono com ela, são sempre mais bonitas. Mesmo que sua presença não seja física.*

quarta-feira, 14 de maio de 2008

...

Conhece-me? Profundamente?
Acho que não e nem acredito que deva.
Eu não me conheço ainda. E nem quero.
Eu quero é conhecer paisagens, suspiros, sussurros.
Conhecer lugares, árvores, parques.
Conhecer o que me faça sentido.
Porque eu não faço mais sentido nenhum.

terça-feira, 13 de maio de 2008



Lembra quando eu te disse que tinha medo de ficar sem falar com você?
Pois é.
O medo aumenta a cada dia.
Eu não consigo entender como é que eu mesma tirei de mim a parte que eu mais gostava.E te perder só me faz querer sair correndo daqui, de mim.
Porque essa é a única vez que eu tenho vontade de que o ciclo volte, de que ele não tenha se fechado, mas é também, a única vez que imagino que não vai voltar.
Teus beijos, teu toque, teu sorriso me foram doces. Tão doces que fazem os olhos escorrerem ao lembrar de tudo e não poder fazer nada.
E, de mãos atadas, algemadas, de voz muda, com dor de cabeça, eu te peço: não me deixe só. O escuro me faz mal, as fantasias me fazem mal... E eu não quero uma realidade inventada, não agora. Eu quero a alegria de sorrir sabendo que subir na pedra mais alta fez sentido. Pelo menos isso...
A vingança, hoje, é a vida não voltar nem um dia, nem uma semana, nem nada.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

retorno

E volto sem fazer alarde, sem explicar a ninguém, sem nem tentar te dizer que é pra você que tento voltar.
Volto, deixando marcar uma Apoena em mim, em você, em nós...

Mariana
lambeu as lágrimas que escorriam,
manchando a língua de tristezas.
Quando o vazio é muito grande,
as lágrimas são transparentes.




Até quando eu criar coragem e quiser gritar, mesmo que a voz emudeça.